O tempo como aliado
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de outubro de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A cirurgia plástica já não é mais vista como um bicho- de-sete-cabeças. Os procedimentos estéticos se popularizaram e ganharam clientes de faixas econômicas que antes nem passavam perto do sonho de consumo que é o ideal de beleza. Bom para quem quer manter a aparência a um custo acessível. Bom também para os médicos, que observam e participam ativamente da mudança de mercado que significa o aumento da demanda desse tipo de cirurgia. Mas como toda mudança, é preciso ter cautela. E procurar um médico especializado e credenciado junto aos órgãos regulamentadores é premissa fundamental.
Quem dá a dica é a uma das cirurgiãs plásticas mais conhecidas de Curitiba, a médica Ruth Graf. Formada pela Universidade Federal do Paraná, ela foi a primeira mulher a fazer residência em cirurgia geral no Hospital Nossa Senhora das Graças. ''Naquele tempo, não existiam vagas para residentes mulheres nos hospitais'', recorda. Mas a médica soube abrir um caminho que culminou numa carreira repleta de especializações, no Brasil e no exterior, e a carreira consolidada.
Ruth começou a se interessar por cirurgias estéticas e de reparação já nos primeiros anos da faculdade. ''Eu sempre gostei dessa área. Até quando fazia residência, casos de reparação eram mandados pra mim no hospital'', conta. Daí para optar pela cirurgia estética não demorou muito. E, no Brasil, ela encontrou um mercado promissor. ''Tanto as mulheres como os homens brasileiros são muito vaidosos'', analisa. Para ela, o culto ao corpo evidenciado no Brasil é uma característica muito diferente do que se vê na Europa, por exemplo.
''Devemos ao Pitanguy (o médico Ivo Pitanguy), a popularização da cirurgia plástica no Brasil. Ele elevou o nível desse tipo de procedimento'', salienta. Com o tempo, a competitividade por parte dos médicos também aumentou, conforme reforça a médica, da mesma maneira que a cirurgia estética ganhou a tecnologia como aliada. ''Para continuar nesse mercado, é preciso estudar sempre para se manter atualizado'', ensina.
Nascida em Curitiba, Ruth sempre se interessou pela área de saúde, mas foi depois que o irmão mais velho optou pela medicina que ela também decidiu pelo curso. Com três filhas, uma neta e dois netos (gêmeos) a caminho, ela fala que nem sempre foi fácil conciliar carreira e família. ''Mas quando as minhas filhas eram pequenas, eu era mais jovem e tinha menos pacientes. Portanto podia me dedicar mais''. Hoje, aos 56 anos, com uma rotina que envolve a carreira como professora na Universidade Federal do Paraná (na cadeira de cirurgia plástica) e operações quase que diárias, ela reforça que saber envelhecer é uma arte.
Sobre o aumento da procura pelo procedimento estético, principalmente pelas mulheres, Ruth salienta que nem sempre a cirurgia estética é uma necessidade. ''A expressão física deve sempre refletir a expressão mental. O seu corpo precisa estar compatível com que o você pensa e com sua maneira de agir''. E conclui: ''Saber envelhecer bem é estar bem consigo mesmo''.


