O que Prada, Gucci, Versace e Armani têm em comum? Além de italianos, são nomes badalados da moda internacional e são, sobretudo, sobrenomes que carregam a força da família para as passarelas e guarda-roupas mundo afora. No Brasil, um sobrenome italiano também é sinônimo de moda desde 1987, ano em que surgiu a Iódice.
Valdemar Iódice, empresário e idealizador da marca, esteve em Londrina esta semana para o desfile da grife no Catuaí Collection. É a primeira franquia no norte do Paraná. ''Estamos para abrir uma outra em Curitiba'', avisa. Ao todo são 600 pontos de venda, incluindo quatro lojas próprias e 15 franquias e monomarcas. ''São lojas com um nome fantasia qualquer do lado de fora, mas que só vendem Iódice'', explica.
''Minha mãe era costureira e, quando eu era pequeno, a ajudava a desmanchar as calças do meu pai e dos meus irmãos para que servissem em mim. Depois fui trabalhar com um tio que tinha uma camisaria'', conta Valdemar sobre o início de tudo. ''Fui pegando gosto e decidi começar a minha própria marca''. Os três filhos, Alexandre, Adriano e Camila, pelo jeito, já seguem os passos do pai.
A recém-criada ''ioio'' surge como segunda marca da Iódice com os três filhos à frente, mas nem tanto. ''Sou centralizador'', confessa o empresário fashion com um sorriso maroto. É assim que comanda não só a coordenação de estilo da grife como também o departamento de marketing.
A cada nova coleção apresentada na São Paulo Fashion Week, da qual a marca faz parte desde primeira edição, o dedo de Valdemar está em tudo. Do início a escolha do tema ao fim, na aprovação da campanha que vai para as revistas e outdoors. Até a cor da passarela passa por ele. ''O inverno já está decidido'', garante.
Como o verão inspirado nas touradas espanholas, apresentado aqui em Londrina, a escolha do tema partiu do empresário. ''Aproveitei um final de semana e fui para Madri. Comprei spencers de toureiro, livros, estudei, fiz pesquisas'', lembra. Na volta, passou o material para a sua equipe de estilo e seguiu acompanhando o desenvolvimento até os modelos subirem à passarela.
Houve uma época em que Valdemar Iódice era reconhecido como o brasileiro mais bem posicionado nos desfiles que importavam em Paris. ''Sim, eu era convidado para ir ver Commes des Garçons, Junya Watanabe, Dries Van Noten'', lembra. ''Mas faz uns dois, três anos que não vou mais. Prefiro viajar para ver conceitos de rua, como em Portobello Road (feira de antiguidades a céu aberto em Londres) e ver tecidos novos na Premiére Vision (Paris)'', avisa.
Aliás, é para Londres que ele está embarcando neste final de semana. ''De Londrina para Londres, viu?'', brinca. ''E gosto de viajar sozinho justamente porque trabalhamos em família. É preciso desligar'', conta Valdemar. Mas sem muita convicção, já que ele confessa que não deixa de pensar em moda.
''Moda é momento e tudo fica gravado'', diz. ''Você não vai acreditar, mas outro dia estava no carro de um amigo assistindo a um DVD, quando descobri boa parte da trilha e das imagens da nova coleção'', conta o empresário, sem entregar o ouro. Mesmo na Europa, vai comandar a equipe entre telefonemas. ''Vão me mandar os croquis do inverno (2005) por fax'', afirma.
''O que não estiver dentro dos padrões da identidade, da silhueta da marca, não passa'', explica. ''Depois que o mercado se abriu (para grifes internacionais), as grifes brasileiras foram obrigadas a se posicionar. Desde o começo a Iódice surgiu voltada para o público jovem. Fica fácil criar quando se tem uma identidade própria, uma silhueta'', avisa. ''Mas às vezes acho que deveria arriscar mais'', entrega. ''Se bem que tudo que tinha ser feito já foi feito'', garante.
Assim como fez por aqui, participando do desfile londrinense, o empresário este ano também foi a Salvador cuidar pessoalmente dos detalhes. ''Eu vou porque quem acredita na marca merece isso. Não existe trabalho que não seja em equipe'', ensina. E as equipes estão aumentando. São 60 pontos de venda nos Estados Unidos, com representantes em Nova York, Atlanta e Los Angeles, que puxaram vendas no Oriente Médio, Itália e Portugal, onde já tem projetos para franquias. ''Estou indo para lá (Europa) para ver isso'', garante. ''Viagem de posicionamento de negócios'', completa.

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