O senhor dos quilates
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 2003
Karla Matida<BR>Reportagem Local 
Não que o berço que ninou Marcelo Bergerson em sua infância tenha sido realmente de ouro. Mas como o pai já trabalhava com jóias, Marcelo nasceu mesmo no meio joalheiro. E como cresceu entre brilhantes e outras pedras preciosíssimass, nada mais natural que assumisse um posto na rede de joalherias que leva o sobrenome da família. Hoje é diretor de marketing e trabalha ao lado do pai, um primo e duas irmãs.
''É uma particularidade do segmento. No mundo todo, cerca de 90% das joalherias são empresas de gerenciamento familiar'', conta Marcelo. ''É que o pulo do gato é passado de pai para filho''. Para aprender os segredos do ramo, Marcelo Bergerson acabou passando pelos mais diversos setores da empresa.
O começo, cerca de 25 anos atrás, não foi como ''filhinho de papai''. ''Meu início foi como office-boy mesmo'', lembra. Além das cobranças do próprio pai, ele ainda tinha que driblar as cobranças dos outros funcionários. ''Os holofotes estavam em mim por eu ser o filho do dono''.
Imigrante polonês, Moisés Bergerson deixou a Europa com a família aos 12 anos. Depois de trabalhar com um relojoeiro por alguns anos, o pai de Marcelo saiu para abrir uma loja própria em Curitiba, em 1964. Hoje já são 28 pelo Paraná e Santa Catarina e, às vésperas de completar 40 anos, a empresa se prepara para marcar presença também no Rio Grande do Sul.
Apesar de ter feito um ''tour experimental'' pela joalheria, assumindo várias responsabilidades, o diretor de marketing nunca se aventurou pelo design de jóias. Mas como dá ''palpite em absolutamente tudo'', acaba sempre em contato com os designers. Numa das conversas com o chefe de oficina acabou tendo uma idéia que Marcelo chama de ''meu tiro de criação''.
Ao sugerir uma linha de peças esotéricas, ele acabou criando a Sothys, composta de anéis com signos do zodíaco. Foram vendidos cerca de cinco mil anéis. ''A idéia foi copiada pelo Brasil inteiro'', diz. ''Hoje a política da empresa não permitiria fazer tantas peças de uma mesma linha, mas naquela época se não fizessemos, o mercado faria'', explica. ''Nem se que eu viva 150 anos, terei outra idéia assim''.
Além de viajar pelo mundo para estar antenado com o que acontece no setor feiras na Itália, Nova York, Las Vegas e até mesmo o seletíssimo Salão de Alta Relojoaria da Suíça Marcelo também costuma visitar as lojas. Recentemente esteve em Londrina fato que faz questão de repetir pelo menos de três em três meses. Atendeu pessoalmente clientes, deu sugestões e até efetuou algumas vendas. ''Se o empresário se encastela, acaba perdendo o foco. A empresa é para o consumidor'', avisa.


