O SENHOR DOS BÍQUINIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Karla Matida 
Na quarta-feira, o assunto em Londrina foi moda e não poderia deixar de ser assim. Durante o 3º Encontro Paranaense de Tendências de Moda Inverno 2001, promovido pelo Escritório de Desenvolvimento em Moda Edem, não se falou de outra coisa. A platéia, formada por confeccionistas, lojistas, estudantes e profissionais ligados à moda, esteve atenta às palestras de profissionais vindos de São Paulo.
Entre os convidados, estava o estilista e empresário Amir Slama, da grife Rosa Chá. Desde que desfilou seus biquínis, maiôs e sungas na badalada semana de moda de Nova York, em setembro, Slama está no centro do burburinho fashion.
Apesar de um tipo de medo de avião que o vem aflingindo há cerca de um ano e meio, Slama quer alçar vôos cada vez mais altos. Tanto é que mesmo com todo o ótimo retorno pós-Nova York, o estilista não se diz satisfeito. Sou perfeccionista e fico sempre achando que está faltando algo, explica.
O sucesso lá fora que inclui elogios da imprensa especiliazada e presença nos editoriais das maiores revistas internacionais não aconteceu de uma hora para outra. A grife, que tem 12 anos, está à venda em terras estrangeiras há quatro anos e meio.
As criações de Slama estão hoje em 120 pontos de vendas só nos Estados Unidos, além de marcar presença também em lojas na Espanha, Portugal, Inglaterra, Líbano, Japão e Coréia. É o resultado de um trabalho que foi acontecendo desde seis, sete anos atrás, quando comecei a importar matéria-prima, lembra o estilista. Era mais fácil importar da Itália, que me permitia criar texturas sem precisar encomendar grandes quantidades, explica. Hoje, as importações foram reduzidas porque mudou a mentalidade da indústria brasileira, afirma Slama
O estilista diz viver com um pé na realidade e um pé na fantasia, isto porque além de assinar o estilo da grife, também se preocupa com questões administrativas, nas quais é auxiliado pela esposa Riva. Além dela, os pais de Slama de quem herdou as primeiras três máquinas de costura, também estão no negócio.
Escorpiano, Slama não nega o elemento Água do signo e diz adorar praia, apesar de viver em São Paulo. Gosto muito de água batendo por todos os lados, conta Amir, justificando, de certa forma, o fato de desenhar biquínis que estão entre os mais cobiçados do Brasil e do mundo. Que o digam Jennifer Lopez e Salma Hayek, consumidoras assumidas da grife e que seguem a linha de mulheres bem resolvidas nas quais Slama pensa quando desenha.
Além de biquínis, maiôs e sungas, a Rosa Chá também tem acessórios, como bolsas, pulseiras, além de saias, vestidos e camisas. Acredito que hoje as mulheres não querem se vestir inteiras com a mesma marca, elas gostam de procurar em outras lojas, como se fossem o guarda-roupa delas, diz. Para elas, a grife tem a linha Complements, o que faz da Rosa Chá, uma marca para o ano todo, não ficando apenas nas temporadas de verão.
Quer saber de onde vem o nome da grife? A explicação é das mais singelas, é o nome de uma cor, explica Slama. Depois é que eu percebi que Rosa era o nome da minha avó e da avó da minha esposa, lembra o estilista, que achava o próprio nome esquisito para assinar uma linha de biquínis. Mas, por conta de um episódio engraçado que aconteceu em Nova York, estão saindo do forno novas etiquetas assinadas Rosa Chá por Amir Slama, já que a maioria das grifes internacionais é sempre associada ao nome do estilista.
O episódio? Em Nova York, Slama foi procurado por um jornalista do The New York Times e que queria falar com a senhora Rosa Chá. Depois do desfile aplaudidíssimo, o tal jornalista descobriu que não havia senhora nenhuma e sim, um senhor dos biquínis.


