O senhor das marcas
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de novembro de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não é por acaso que uma das únicas lojas do Brasil que reúne o maior número de marcas famosas nacionais e importadas - grifes como Dolce Gabbana, Diesel, Ricardo Almeida e Hugo Boss, por exemplo - fica em Curitiba. O exigente público da cidade, aliado a uma qualidade de vida ímpar, faz com o que o terreno seja bastante promissor a esse mercado de luxo. E foi por analisar essas características que o empresário Fernando Capoani decidiu abrir aqui a loja que hoje leva seu sobrenome e é considerada um dos maiores impérios do luxo na cidade.
Gaúcho, nascido em Bento Gonçalves, Capoani foi ainda criança para Medianeira acompanhar a família no desbravamento do Oeste paranaense. Na década de 80 mudou-se para Cascavel e lá se formou em Engenharia Agrícola. Um curso bem distante do que ele resolveria trabalhar logo depois de graduado. No início dos anos 90, ele abriu em Foz do Iguaçu a primeira franquia da Hugo Boss no Estado.
Foi uma das primeiras franquias internacionais a desembarcar no Brasil. ''Eu me interessei por uma marca forte, principalmente porque estava influenciado por essa área de marketing'', conta o empresário, que logo depois de formar-se em engenharia, cursou uma pós-graduação em marketing no interior paranaense.
A experiência, apoiada pela família de comerciantes, animou o empresário a alçar vôos mais altos e, em 1997, ele trouxe a franquia da Boss para um shopping de Curitiba. Pouco tempo depois abriria a multimarcas Capoani, na mesma região nobre da cidade, focada para marcas importadas fortes. Entrar na Capoani é transportar-se para um outro tipo de mercado, onde uma camiseta pólo pode custar cerca de R$ 700,00 e um terno alcança fácil a marca dos R$ 10 mil, para mais. A qualidade, conforme salienta Capoani, está agregada ao valor. ''E as pessoas se acostumam à qualidade'', ressalta.
Para ele, a capital paranaense está inevitavelmente ligada a um público exigente, que gosta das coisas boas. ''É um público com referência acima da média de outros capitais'', opina. Considerado também uma pessoa extrememente exigente, Capoani diz que essa característica pessoal fez com que ele se adaptasse muito bem à cidade. ''Eu poderia vender marcas mais baratas com um resultado melhor, mas fiz essa opção e não me arrependo'', afirma.
Para manter o estoque da loja, localizada num espaço de 500 m2 (com previsão de ampliação para o próximo ano), que reúne cerca de 20 marcas importadas, ele viaja cerca de quatro vezes por ano para Europa e Estados Unidos. Está antenado com a moda, mas acredita que quando o assunto é grandes marcas, o que influencia mais são as tendências tecnológicas. Por isso, não se assusta com o fato de os produtos que compra esbarrarem na burocracia e chegaram ao Brasil cerca de seis meses após o negócio fechado.
Há dois anos, depois de tantas indas e vindas e após acumular experiências com roupas de vários estilos e grifes, Capoani decidiu investir em ternos de marca própria, a Capoani. Ele mesmo desenha os modelos, que são fabricados em Portugal com tecidos de alta tecnologia. ''O resultado são peças de corte impecável e que chegam ao consumidor a um custo mais acessível'', considera. Os ternos, usados por um cliente famoso no eixo Rio-São Paulo, despertaram até mesmo a curiosidade de uma emissora de televisão, que encomendou algumas peças para ser usadas por personagens de uma novela.
A experiência tem dado tão certo, que o empresário já vislumbra estendê-la para o mercado feminino. Para isso pretende fazer algumas parcerias. ''Mas isso ainda está em fase de projeto'', despista. Por enquanto, dá conta de uma rotina que inclui levar os filhos, de 10, 11 e 16 anos, para escola logo cedo e chegar à loja pouco tempo depois das 7 horas da manhã. É lá que passa a maior parte do tempo, resolvendo desde questões burocráticas até a atenção aos clientes. Há uma semana, influenciado pela mulher, teve a primeira aula de ioga. ''Eu estava completamente sedentário'', brinca.
Questionado se a crise econômica que está afetando o mercado mundial pode chegar também ao seu negócio, ele ameniza: ''Isso está inserido no contexto. Faz parte do ciclo enconômico''. E usa uma filosofia quase zen para atravessar a crise: ''Não se pode esquecer que, se eu estou perdendo, alguém está ganhando. Não dá para entrar em pânico''. Conselho dado.


