O salvador de empresas em crise
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sábado, 23 de abril de 2011
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
O senhor da foto ao lado utilizou toda munição intelectual acumulada em anos de estudo e aperfeiçoamento para que, sob seu comando, tirasse grandes empresas do buraco. Dono de um currículo valioso, Antonio Maciel Neto ficou conhecido no mundo corporativo como o executivo que adora descascar abacaxis, que tem obsessão por trabalhos que ninguém gosta de fazer.
A fama conquistada não foi de mão beijada e, muito menos, graças a um golpe de sorte. Engenheiro mecânico formado pela Universidade do Rio de Janeiro e metido a jogador de basquete, como ele mesmo gosta de dizer, depois de trabalhar 10 anos na Petrobras e três anos no Governo Federal, Maciel assumiu, aos 36 anos de idade, a Cecrisa, fabricante de pisos e azulejos, que na época amargava oito concordatas, 1,2 mil sedentos credores e uma dívida de US$ 1 bilhão. Nos quatro anos e meio que ficou lá, levantou a empresa, preparou um sucessor e seguiu para outra missão quase impossível.
Sai da Cecrisa e fui para o Grupo Itamarati, trabalhar com o Olacyr de Moraes. Na época o grupo passava por uma dificuldade enorme. Eram 49 bancos fazendo cobranças judiciais e um número muito grande de fornecedores atrasados. Fiquei no grupo durante três anos, onde trabalhei fortemente na reestruturação da empresa, contou.
Nessa época o mundo das grandes corporações já voltam os olhos para o executivo. Paranaense de Apucarana, casado e pai de uma filha, em 1999 o executivo surge como o Maciel da Ford. Na montadora, empreendeu a mais profunda reestruturação que a empresa americana viveu em suas muitas décadas de Brasil.
A Ford também vivia uma situação muito complicada no País. Fiquei sete anos lá, sendo quatro como presidente da Ford no Brasil e três como presidente da empresa na América Latina. Em 1999 a Ford teve um prejuízo de US$ 600 milhões na América Latina. Lá também trabalhei em cima de uma forte reestruturação, lembra ele.
De uma montadora com risco de ser fechada, ele rejuvenesceu a marca, tingiu os resultados de azul, dando um lucro, em 2005, de US$ 389 milhões. Eleito o Empreendedor do Ano em 2003 e indicado a CEO (chief executive officer) da América Latina em 2009, Antonio Maciel Neto é uma pessoa simples, que não gosta de luxo, e que tem, entre seus maiores prazeres, acompanhar as Olimpíadas. Vou em todas, sempre vejo os últimos 10 dias. Adoro esportes, conta.
Em maio próximo Maciel completa cinco anos à frente da Suzano Papel e Celulose, uma das maiores do mundo, que tem 4,5 mil funcionários diretos e mais de 10 mil indiretos. Quando fez pouco mais de um ano no comando da gigante, viu o valor de mercado da companhia saltar para R$ 5,1 bilhões.
Na vida desse homem de extraordinária inteligência não houve uma bala mágica, muito menos um acaso feliz que o transformou em referência de bons resultados. Acredito na formação acadêmica e no aprendizado permanente. É preciso ter dedicação, foco e ciclos. As pessoas precisam ter ciclos na empresa, cumprir etapas é muito importante. Outra dica é trabalhar genuinamente em equipe. Ninguém ganha o jogo sozinho. As pessoas também precisam ser corretas, transparentes e ter mobilidade. É preciso ter coragem para fazer o que tem que ser feito, sem adiar e postergar as medidas que precisam ser tomadas. A diferença fundamental está em quem faz e quem tem a coragem de fazer.


