O senhor da foto ao lado utilizou toda munição intelectual acumulada em anos de estudo e aperfeiçoamento para que, sob seu comando, tirasse grandes empresas do buraco. Dono de um currículo valioso, Antonio Maciel Neto ficou conhecido no mundo corporativo como o executivo que adora ‘‘descascar abacaxis’’, que tem obsessão por trabalhos que ninguém gosta de fazer.
  A fama conquistada não foi de mão beijada e, muito menos, graças a um golpe de sorte. Engenheiro mecânico formado pela Universidade do Rio de Janeiro e metido a jogador de basquete, como ele mesmo gosta de dizer, depois de trabalhar 10 anos na Petrobras e três anos no Governo Federal, Maciel assumiu, aos 36 anos de idade, a Cecrisa, fabricante de pisos e azulejos, que na época amargava oito concordatas, 1,2 mil sedentos credores e uma dívida de US$ 1 bilhão. Nos quatro anos e meio que ficou lá, levantou a empresa, preparou um sucessor e seguiu para outra missão ‘‘quase’’ impossível.
  ‘‘Sai da Cecrisa e fui para o Grupo Itamarati, trabalhar com o Olacyr de Moraes. Na época o grupo passava por uma dificuldade enorme. Eram 49 bancos fazendo cobranças judiciais e um número muito grande de fornecedores atrasados. Fiquei no grupo durante três anos, onde trabalhei fortemente na reestruturação da empresa’’, contou.
  Nessa época o mundo das grandes corporações já voltam os olhos para o executivo. Paranaense de Apucarana, casado e pai de uma filha, em 1999 o executivo surge como o ‘‘Maciel da Ford’’. Na montadora, empreendeu a mais profunda reestruturação que a empresa americana viveu em suas muitas décadas de Brasil.
  ‘‘A Ford também vivia uma situação muito complicada no País. Fiquei sete anos lá, sendo quatro como presidente da Ford no Brasil e três como presidente da empresa na América Latina. Em 1999 a Ford teve um prejuízo de US$ 600 milhões na América Latina. Lá também trabalhei em cima de uma forte reestruturação’’, lembra ele.
  De uma montadora com risco de ser fechada, ele rejuvenesceu a marca, tingiu os resultados de azul, dando um lucro, em 2005, de US$ 389 milhões. Eleito o Empreendedor do Ano em 2003 e indicado a CEO (chief executive officer) da América Latina em 2009, Antonio Maciel Neto é uma pessoa simples, que não gosta de luxo, e que tem, entre seus maiores prazeres, acompanhar as Olimpíadas. ‘‘Vou em todas, sempre vejo os últimos 10 dias. Adoro esportes’’, conta.
  Em maio próximo Maciel completa cinco anos à frente da Suzano Papel e Celulose, uma das maiores do mundo, que tem 4,5 mil funcionários diretos e mais de 10 mil indiretos. Quando fez pouco mais de um ano no comando da gigante, viu o valor de mercado da companhia saltar para R$ 5,1 bilhões.
  Na vida desse homem de extraordinária inteligência não houve uma bala mágica, muito menos um acaso feliz que o transformou em referência de bons resultados. ‘‘Acredito na formação acadêmica e no aprendizado permanente. É preciso ter dedicação, foco e ciclos. As pessoas precisam ter ciclos na empresa, cumprir etapas é muito importante. Outra dica é trabalhar genuinamente em equipe. Ninguém ganha o jogo sozinho. As pessoas também precisam ser corretas, transparentes e ter mobilidade. É preciso ter coragem para fazer o que tem que ser feito, sem adiar e postergar as medidas que precisam ser tomadas. A diferença fundamental está em quem faz e quem tem a coragem de fazer’’.

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