O pulo da gata
Luciana Gimenez se atrapalha toda para chamar os comerciais, vive trocando o nome dos entrevistados e ainda comete erros crassos de português. Aos 31 anos, a apresentadora do ''Superpop'', da Rede TV!, está longe de ser um paradigma de perfeição. Mesmo assim, anda incomodando a concorrência. A primeira vítima foi Adriane Galisteu, sua antecessora no ''Superpop''. Desde que assumiu o programa, em janeiro deste ano, Luciana elevou a audiência de dois para seis pontos. Quando as duas disputam o mesmo horário, a morena quase sempre leva a melhor. Por isso mesmo, a Record decidiu transferir o ''É Show'' para as 23 horas. ''Não me preocupo mais com a Galisteu. Ela já ficou meio para trás. Minha concorrente agora é a Hebe Camargo'', anuncia.
No começo, ninguém acreditava que Luciana Gimenez fosse se firmar como apresentadora. Nem ela mesma. Até então, era vista apenas como a modelo internacional que soube tirar proveito de um rápido affair com o roqueiro Mick Jagger. Quando engravidou do líder dos Rolling Stones, passou a correr da imprensa como um pai acidental foge de um exame de DNA. Hoje, avisa que não gosta de expor o filho, o pequeno Lucas, de 2 anos, ou de falar de Mick Jagger, de quem recebe uma pensão alimentícia de US$ 10 mil mensais. ''Sempre quis apresentar um programa de tevê, mas nunca levei fé nisso. Só fui escolhida mesmo porque sou lutadora. Dei minha cara a tapa'', gaba-se.
Mesmo que não tivesse ficado famosa, Luciana chamaria a atenção. Com 1,81 m de altura, ela não consegue passar despercebida. Mal estreou no ''Superpop'' e assumiu que não conseguia pensar em português. Por essas e outras, Luciana se tornou um dos alvos prediletos da crítica. Mesmo assim, ela não se abala. Bem-humorada, não perde o sorriso franco e cativante nem ao lembrar da meningite viral que a obrigou a ficar três dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. ''Tomei até morfina para a dor de cabeça passar. Se pudesse, arrancaria ela do lugar e a colocaria num canto para descansar'', brinca.
André Bernardo
TV Press
No mês que vem, você completa um ano no ''Superpop''. Que avaliação você faz do seu desempenho no programa?
Descobri que sei e posso fazer muitas coisas bacanas. Como todos sabem, comecei do zero. Sou a primeira a reconhecer isso. Felizmente, o Ibope do programa triplicou. Acho que isso é um bom sinal. Sou grata à Rede TV! por ter me dado essa chance. Descobri que sou capaz de fazer algo que não depende da minha beleza. Quando você trabalha como modelo, não tem como crescer mentalmente. Você só fica ali ''paradinha'', fazendo caras e bocas. Não tem muito o que falar. Foi um ano de muito aprendizado.
Mas o que você acha das críticas que recebe, quase diariamente, da imprensa?
Ninguém chuta cachorro morto. Não é assim que se fala? Pois é. A imprensa só começou a falar mal de mim depois que o programa emplacou. Se o programa fosse ruim, o pessoal simplesmente ignorava. Mas não é isso que acontece. Falem bem ou falem mal, gosto quando falam de mim. Adoro o Zé Simão, por exemplo, e ele vive falando mal de mim. Outro dia, ele falou do vírus ''antax''... Morri de rir. Eu me divirto muito comigo mesma. Graças a Deus, sou bem-humorada.
Você já disse que algumas pessoas devem assistir ao programa só para ver sua próxima ''pérola''. Você nunca pensou em transformar os erros de português em jogada de marketing?
Não sou tão ''marqueteira'' assim. Não sou atriz, nem sei criar tipos. Sempre procurei ser o mais transparente possível. O público sabe quando determinada pessoa é ''mascarada''. Como telespectadora, sei quando sicrano é falso ou beltrano é seboso. Sou espontânea e ponto final. Não tem jeito. Às vezes, falo o que vem à cabeça e pronto. Outro dia, disseram que falei ''crime hodiondo'' no programa. Pode ser que tenha falado, mas não me lembro. São quase duas horas ao vivo...
Qual foi o seu maior acerto como apresentadora de tevê?
Gosto de ajudar as pessoas. Me sinto muito bem com isso. Quando tenho a oportunidade de ajudar alguém, não paro para pensar se estou fazendo assistencialismo ou coisa parecida. Quando alguém vai ao programa pedir uma cadeira de rodas, também não está preocupado se vai dar muita ou pouca audiência. Se puder ajudar alguém, já me dou por satisfeita. O que importa é que a pessoa voltou para casa numa cadeira de rodas. Não vejo o menor problema em fazer o bem aos outros.
Você é uma apresentadora que sugere pautas e participa das reuniões ou se contenta em apresentar o programa?
Gostaria de participar mais do que participo. Mas como tenho um filho pequeno em casa, quase não sobra tempo. Mesmo assim, procuro chegar cedo para me inteirar das pautas, saber o que vai ao ar, etc e tal. Se eu não gostar de determinada pauta, por exemplo, não faço. Graças a Deus, minha produção já me conhece. Ela sabe do que gosto e do que não gosto. Não gosto de falar sobre minha vida pessoal. Nem de expor meu filho. Acho até que isso tudo daria bastante audiência, mas não estou interessada.
Você já estabeleceu critérios sobre o que nunca apresentaria no ''Superpop''?
Ainda tenho muito o que aprender. Às vezes, quero dar minha opinião, mas sei que não devo. Tenho de ser imparcial. Afinal, estou ali para ouvir os dois lados. Tento também respeitar a individualidade das pessoas. Quando vejo que meu convidado não quer falar sobre certo assunto, não insisto. Já passei por isso. E sempre fiquei irritada com esse tipo de postura. Não gosto de deixar ninguém sem graça. Se a pessoa quiser falar, ótimo. Se não quiser, tudo bem. Caso contrário, vira invasão de privacidade.
No início do ano, você foi bastante criticada por ter dado espaço a grupos de funk. Você não acha que o programa exagerou ao focalizar ângulos indiscretos de dançarinas seminuas?
Nunca pensei que o brasileiro fosse tão moralista assim. Vejo coisas piores na novela das seis. Mas sei que uma coisa não justifica a outra. Mesmo assim, não acho que os closes foram tão ginecológicos como andaram falando. Acho a violência mais deprimente do que bunda de fora. Não aceitaria nunca mostrar violência no ''Superpop''. Não aceitaria levar histórias tristes ao ar porque me emociono facilmente. Quanto ao funk, não vejo problemas. Adoro funk. Pena que não sei dançar.
O que difere um programa popular de outro popularesco?
As pessoas podem usar a palavra que quiser para definir o que quer que seja. Programa popular é aquele que todo mundo vê. Mas temos de levar em conta o que cada um tem a oferecer. Mal ou bem, o meu programa diverte as pessoas. E as pessoas têm o direito de assistir ao que bem entenderem. Se não gostam do que estão assistindo, é só desligar a televisão. Ou mudar de canal. É assim que eu faço lá em casa. Ninguém é obrigado a ver o que não gosta.
Prestes a completar um ano de ''Superpop'', você saberia dizer os prós e contras de apresentar um programa ao vivo?
Não é nada fácil fazer um programa diário. Às vezes, dá vontade de sumir por uns dias. Infelizmente, não posso. Já imaginou? Nem sempre você está no melhor dos seus dias. Uma semana, às vezes, parece um ano. Já apresentei o ''Superpop'' com cólica, dor de dente, enxaqueca... E o que você pode fazer? Nada. Tem de encarar assim mesmo. Outro dia, levei um tombo na cozinha e fui apresentar o programa assim mesmo. Estava sentindo uma dor danada. Deu vontade até de chorar.
E os ''prós''? Não existem?
Os prós são muitos. É bom fazer um programa ao vivo porque você vê o resultado do que faz já no dia seguinte. Gosto de falar algo legal para o público que me assiste. Tenho o maior orgulho de fazer o que gosto. Como já disse, gosto de ajudar as pessoas. Eu me divirto muito fazendo o ''Superpop''. Gosto de promover discussões acaloradas sobre os mais diferentes assuntos. Gosto de ouvir os dois lados. Para falar a verdade, sou chegada num ''barraco''.
Mas você não parecia muito satisfeita no dia em que o Sérgio Mallandro criticou o espaço que você deu, dois dias antes, a uma ex-''mallandrinha'' que o acusava de assédio sexual na Justiça?
Fiquei chocada com aquilo. Levei o sujeito ao programa e ele ficou falando mal de mim o tempo todo. Achei uma falta de ética danada. Ele foi muito indelicado. Não teve o menor ''semancol''. Eu jamais faria isso. Já imaginou? Você vai ao programa do cara e, quando chega lá, começa a falar mal dele. Não tem cabimento. E o pior é que ele não deixava eu abrir a boca para me defender. Pior ainda foi saber que o programa deu uma baita audiência. Minha vida não é para dar ibope.
O ''Superpop'' obrigou a direção da Record a trocar o ''É Show'', da Adriane Galisteu, de horário. O que achou disso?
O que ela faz ou deixa de fazer não me diz respeito. Não posso viver em função da Adriane. O que conta mesmo é o ibope que o ''Superpop'' dá. Não dá para ficar pensando na concorrência e esquecer da vida. Tenho de me preocupar é com o meu programa. Tenho de me superar a cada dia. Se não for a Adriane, vai ser outra pessoa. Mesmo assim, tenho de confessar que gosto quando eu invado o horário dela.





