O premiado fazedor de coisas
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sábado, 01 de setembro de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Maringá - Um artista plástico que também é jornalista, teólogo, decorador, ex-fiscal de rendas, pintor e escultor? O currículo impressionante é de Jorge Pedro, nascido em Peabiru, radicado em Maringá e conhecido em muitas regiões do País e também fora dele. ''Uma amiga diz que sou mesmo um fazedor de coisas'', define o artista plástico multimídia.
''Faço arte desde que era criança'', lembra. Mas apesar da paixão precoce pelas artes, Pedro só passou a se dedicar a elas muito tempo depois, quando já estava aposentado como fiscal. Da infância aos dias de hoje, muita coisa aconteceu na vida do artista plástico. A trabalho, morou no Mato Grosso e no Rio de Janeiro, onde aproveitou as folgas para cursar a faculdade de teologia.
Já aposentado e de volta a Maringá, resolveu retornar aos bancos escolares mais uma vez para se tornar jornalista. ''Precisava dar uma reciclada e o curso me sintonizou de novo com a atualidade'', conta Pedro, que está formado há seis anos. ''Tinha intenção de trabalhar com jornalismo, mas a semiótica abriu outros portões para o visual'', explica ele, que optou por fazer uma pós-graduação em comunicação e semiótica. ''Passei a ler mais a questão do olhar. Antes era só pela intuição'', diz.
Parceiro há cerca de cinco anos de uma rede de cinemas com salas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, Pedro é o responsável pela ambientação de todas elas. Em Londrina, o painel com a sedutora Marilyn Monroe e outras cenas inesquecíveis da telona, que estão no hall do Multiplex Catuaí, levam a assinatura dele. ''Costumo viajar com cinco mil quilos de material para montar painéis assim'', conta.
E a predileção por grandes proporções faz parte das suas criações, como o caso da deusa com traços orientais, de três metros de altura, exposta durante as últimas semanas no Teatro Calil Haddad, em Maringá. ''Consigo me expressar melhor nas grandes dimensões'', confessa.
''Estou mais calminho depois dos 50 (Pedro acaba de completar 52 anos). Já cheguei a virar muitas noites e noites trabalhando. Mas o lazer pelo lazer ainda me incomoda'', explica, acrescentando que não consegue tirar férias longas. ''Sou um workaholic e trabalho todos os dias. E costumo acordar durante a noite se tenho uma idéia enquanto estou dormindo''.
Segundo ele, ''o que comanda a vida são as demandas externas e internas, mas costumo mesmo criar o que me agrada. O que não me impede o pão de cada dia''. Além das telas e esculturas, o artista plástico também exerce a profissão de de decorador. ''Não fico preso à moda e às tendências e sigo os gostos e desejos do cliente, dando personalidade aos ambientes'', explica. Toda a concepção da franquia maringaense da Cachaçaria Água Doce tem a assinatura de Jorge Pedro, que também criou muitos espaços em residências da cidade. ''Tenho trabalhos espalhados por toda Maringá'', relata.
''Costumo criar com o que me vem à mão, seja lona, papel, seda ou metal'', conta Pedro, que também faz questão de produzir as próprias molduras. O trabalho é feito por sua equipe no ateliê e é um dos detalhes que ele faz questão de destacar.
Logo no coquetel de abertura da exposição Feminino, no Teatro Calil Haddad, algumas das obras foram vendidas. ''São colecionadores, pessoas que têm 10, 20 obras minhas'', lembra o artista plástico, que tem conquistado cada vez mais fãs. Alguns desses admiradores ''torceram o nariz'', segundo o próprio Jorge Pedro, quando ele resolveu apostar na informática. ''Fiz experiências com infografia, mas fiquei com preguiça daquilo. Gosto mesmo do trabalho pesado''.
No melhor espírito ''casa de ferreiro, espeto de pau'', Jorge Pedro não utiliza seus dotes jornalísticos para divulgar o próprio trabalho. ''Não tenho tempo'', garante. Mas a criatividade e o talento do paranaense acabam falando mais alto e virando notícia. No domingo passado, o artista plástico foi premiado com o primeiro lugar, na categoria escultura, na 1 Bienal Internacional de Sorocaba (SP), concorrendo com outros 120 artistas. ''Quase morri do coração'', emociona-se.


