O poder da transformação
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sábado, 27 de junho de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
A grife canadense M.A.C é sinônimo de excelência quando o assunto é maquiagem. É capaz de causar frisson em quem gosta do tema e seus produtos são mais do que cobiçados pelas mulheres: são objetos de desejo. Essa foi a primeira impressão que a curitibana Fabiana Gomes teve da grife, em meados da década de 90, quando ainda morava na capital paranaense. Hoje, mais de dez anos depois e um percurso percorrido pra lá de singular, ela ocupa o posto de maquiadora sênior da marca. É hoje a única brasileira a ocupar a função e uma das 52 profissionais que representam a grife em todo o mundo.
Uma trajetória que pode ser considerada bem interessante se for considerada a história da moça. Filha de uma chef de cozinha, com dois irmãos, ela não tinha referência artística até decidir entrar no curso de teatro da Faculdade de Artes do Paraná, aos 21 anos. Com os amigos que conquistou no curso e fora dele, passou a receber notícias constantes do mundo fashion, que na época nem era denominado assim. ''Foi por um amigo que viajava muito que eu soube da existência da M.A.C. Na época, a marca nem era vendida no Brasil e ele me disse para prestar atenção nesse nome'', conta.
Sempre aberta às novidades, Fabiana costuma prestar atenção em tudo, aliás. Quando soube que a cantora performática Bjork iria fazer um show em São Paulo, foi de mochila para a capital paulista, aproveitou para ver uma Mostra Internacional de Cinema e, de quebra, viu um cartaz que anunciava um workshop de teatro com o diretor Gerald Thomas. Foi aí que sua trajetória começou a mudar. O curso contava com 300 inscrições. ''Eu fui o número 300'', lembra. Fez o teste e, para sua própria surpresa, foi aprovada.
Era o ano de 1996, e ela mudou-se definitivamente para São Paulo por conta do workshop, mas ainda precisava trabalhar para manter-se na cidade. Nessa época, passou a frequentar o bar Riviera, tradicional reduto de artistas e que reunia garçons muito tradicionais. E foi lá que outro cartaz chamou sua atenção, um que continha a inscrição ''Precisa-se de garçons''. A moça se candidatou para o cargo e foi a primeira garçonete a assumir o comando das tradicionais mesas do bar. A aventura durou menos de uma semana.
Muitos bicos e performances depois, a curitibana decidiu aceitar o conselho do irmão economista e aceitou um emprego ''formal''. Foi ser secretária de uma empresa de arquitetura. ''Meu chefe era militar. Foi difícil, mas aprendi a me disciplinar e a desenvolver o perfeccionismo'', conta. Porém, a experiência também não deixou a moça feliz e logo ela procurava outras oportunidades.
Nessa época, o contato com o teatro já tinha mostrado sua aptidão para a maquiagem, o que foi decisivo para deixar alguns currículos na área, na gigante M.A.C incluído. Trabalhou como vendedora na loja do estilista Lino Vilaventura até que recebeu o convite da grife de maquiagens para fazer parte da equipe de vendas.
Em 2002, mesmo ano em que a marca chegou ao Brasil, Fabiana passou a fazer parte da equipe e a desenvolver, dentro da empresa, um trabalho que a fez ser reconhecida. No mês passado foi chamada para substituir Vanessa Rozan, que deixou o posto de maquiadora sênior para se dedicar a projetos pessoais, como o seu Liceu de Maquiagem, em São Paulo.''Logo que recebi a informação, não me diverti. O peso da responsabilidade é grande, mas agora estou muito feliz'', contou a moça, enquanto orientava a maquiagem dos desfiles da São Paulo Fashion Week.
Aos 34 anos, casada com o fotógrafo Brunuel Galhego, dois filhos (de um e quatro anos), ela lança mão da sua versatilidade para conciliar carreira e família. ''Eu sinto culpa também, mas a partir do momento que você é mãe, acho que esse sentimento passa a fazer parte de você'', diz a maquiadora. Ela revela que a maquiagem exerce um papel extremamente importante e que as mulheres devem aproveitar do recurso para sentir-se ainda mais bonitas. ''A maquiagem deixou de ser aquela coisa travestida, serve para valorizar os traços e também tratar a pele. Hoje os produtos não apenas corrigem imperfeições, mas hidratam, valorizam os pontos fortes e ajudam a deixar a mulher mais bonita'', ensina.
E ela conta uma experiência que passou e que prova como a maquiagem pode transformar uma mulher. ''Quando eu estava grávida, se chegasse no consultório sem maquiagem, a minha médica logo dizia o quanto eu estava abatida e já queria eu que fizesse uma pausa e descansasse. Quando eu estava maquiada, ela elogiava e dizia que eu estava muito bem disposta'', conta. E dá a dica: ''As mulheres podem se divertir com a maquiagem e, à noite, é só lavar o rosto'', brinca. Sobre seu futuro profissional, que acaba de dar uma guinada, Fabiana é categórica: ''Vou viver um dia de cada vez''. A dica, também, é valiosa.


