O perfil do profissional do futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 2008
Marian Trigueiros<br> Especial para a Folha 
Jovens profissionais ou até mesmo aqueles que ainda nem ingressaram na universidade são assombrados pelo medo do desemprego. Diante disso, cada vez mais eles buscam por cursos de especialização e aperfeiçoamento. No entanto, contraditoriamente, as empresas têm dificuldades em conseguir profissionais qualificados para preencher seu quadro de trabalho. Mas qual é o perfil do profissional que as empresas tanto procuram? Uma coisa é certa. No mundo globalizado, onde a concorrência é acirrada, permanece quem melhor se adapta às necessidades do mercado.
Diante da tarefa de definir o perfil do profissional do futuro, especialistas destacam algumas características comportamentais indispensáveis. ''Além do conhecimento técnico, ele deve ser versátil, flexível, criativo, ter espírito de equipe, foco em resultados, capacidade de autodesenvolvimento e visão sistêmica'', ressalta a consultora de RH da Catho Online. Segundo ela, para ter mais chances na carreira, também é importante saber desenvolver uma rede de relacionamentos e contatos, o famoso networking, desde o período acadêmico.
Kátia Marcos Gomes, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) - Regional Norte do Paraná, acredita que o profissional do futuro será um profissional global. ''Este indivíduo precisa ter uma visão multidisciplinar de determinada área e, ainda, um profundo conhecimento específico. Somando-se a isso, a competência é formada pelo conhecimento (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer e saber fazer)'', explica.
De acordo com a psicóloga, o maior desafio está em alinhar a comunicação entre instituições de ensino, poder público e empresários. ''Hoje, as empresas não abrem mão da formação tradicional, porém mais do que currículos cheios de cursos, devemos rever nossa forma de ensinar. A linguagem acadêmica está distante da realidade. As instituições tratam com excelências os conceitos, mas não a vivência''. Para ela, traçar um plano de carreira e fazer um estágio durante a faculdade são iniciativas fundamentais.
Sendo assim, universitários têm a oportunidade de colocar em prática o que aprendem nos cursos. Em Londrina, os estudantes podem contar com os serviços do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), que atende em média 1,5 mil pessoas ao mês. ''Destes, pelo menos 10% conseguem uma vaga de estágio'', afirma a coordenadora Cleusa Migliorini.
Segundo uma pesquisa feita pela organização, cerca de 60% dos estagiários são efetivados. ''Percebemos que os alunos contratados são principalmente aqueles que apresentam comprometimento e pró-atividade'', lembra.
Foi assim que João Carlos Moreira, administrador de empresas, começou sua carreira. ''Em 2004, no terceiro ano da faculdade, comecei a fazer estágio na empresa. Depois de formado, fui contratado e este ano promovido'', comemora. Moreira agora está do lado oposto: uma de suas atividades é selecionar estagiários. ''Procuramos jovens com atitude, que acreditem que o estágio não é somente mais um item para o currículo, mas um complemento para sua formação profissional, pois só a formação teórica não é suficiente'', observa.


