O novo galã da TV
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de agosto de 2013
Elaine Souza<br>Reportagem Local 
Para Igor Rickli, a vitória conquistada depois muita luta tem um gosto especial. Para o ator, sem luta, não tem graça. A convicção é tanta que o bonitão de 30 anos, tido como o mais novo galã da televisão brasileira, tatuou nas costas uma frase em latim do imperador romano Júlio César: veni, vidi, vici, que em português significa vim, vi e venci.
Depois de conseguir o papel do vilão Alberto na trama Flor do Caribe, na Rede Globo, Igor ficou famoso em seu ofício, ganhando fãs por todo Brasil e a admiração de atores, atrizes e demais profissionais da sua área. Mas dos primórdios até o sucesso, foram inúmeros os obstáculos.
"Foi duro me firmar num lugar tão grande onde tudo era desconhecido. No início escutei centenas de nãos (risos). Mas não pensava em desistir, pensava no caminho certo e onde queria estar. Sempre sonhei em ser ator e nem fazia questão de me imaginar em outra profissão, de tanta certeza que tinha sobre o que queria fazer para o resto da minha vida", disse ele à FOLHA.
Muito antes de ganhar reconhecimento nacional, Igor já atuava como ator. Venceu mais de cinco mil candidatos para fazer o musical Hair, trabalho este que, segundo ele, lhe deu muita visibilidade artisticamente. Em seguida veio outro musical - Judy Garland. Em seguida fez o filme O Tempo e o Vento, de Jayme Monjardim. E foi neste trabalho que o jovem natural de Ponta Grossa conquistou a admiração do diretor.
Fazer parte do elenco de atores da Rede Globo sempre foi um sonho para Rickli, e a certeza de realizá-lo era muito maior do que a mágoa da desconfiança daqueles que o cercavam. "Ficava muito irritado quando alguém ria e me dizia que era impossível", conta ele em tom bem-humorado.
Foi aos 22 anos que Igor saiu de Ponta Grossa rumo ao Rio de Janeiro. Naquela cidade, dividiu apartamento com mais cinco atores, estudou, fez testes, amargou muitas dúvidas quanto ao seu talento, se aprimorou e jamais desistiu. Hoje, já bebendo na fonte da fama, tem uma carga de trabalho intensa: são mais de oito horas de gravações diárias, além de entrevistas, fotos, campanhas, desfiles e eventos.
"A carga de trabalho é grande. Gravamos todos os dias, quando chego em casa estou morto e ainda tenho que decorar o texto do dia seguinte. Disciplina é tudo! Viver o Alberto está sendo muito desafiante. Ele é um personagem complexo, cheio de loucuras, mas estou amando e defendendo-o com unhas e dentes. No início me assustei com a responsabilidade, mas agora já estou tranquilo, sabendo que me preparei muito para isso. Eu esperei e queria receber um papel assim. Querer é poder! (risos)".
História
Igor teve uma infância solitária. Sua família vivia em chácara e ele passava a maior parte do tempo brincando sozinho, rezando para que os finais de semana chegassem logo, quando a família se reunia e ele encontrava alguns primos. Quando adolescente, mudou-se para Carambeí, onde fez alguns amigos. Mas tarde, foi para São Paulo, onde permaneceu por um bom tempo e começou a trabalhar como ator.
Tendo que lidar com uma exposição nunca antes imaginada, ele confessa estar achando tudo muito divertido. Nas ruas, flagra reações que vão da admiração pela beleza a divertidos e raivosos comentários pelo personagem vivido.
"Uns ficam bravos pelo Alberto fazer a Ester (sua esposa na trama vivida pela atriz e sua conterrânea Grazi Massafera) sofrer e pelas brigas com Cassiano (Henri Castelli), inclusive a que ele me bateu. Foi um tal de gente rindo e falando que mereci apanhar. Alguns olham e dizem: olha o mau caráter da novela (risos). Mas tem muita gente que gosta do vilão também".
Ciente de que a fama é uma faca de dois gumes, Igor confessa se preocupar com tanta exposição. "Acho que todos nós temos que aprender a administrar o nosso ego. O que não é uma tarefa fácil. Mas no cenário artístico, o ego costuma ficar inflado. Estou sempre atento para não cair nessa cilada, porque acho muito feio."
Lisonjeado com o título de novo galã da TV brasileira, ele não se deslumbra com o status, uma vez que acredita que daqui uns anos as caras já não serão mais as mesmas. Casado com a também atriz Aline Wirley, no futuro Rickli espera continuar nas novelas e conciliá-las com teatro musical e cinema. "Aí sim seria perfeito!", diz.


