Saber identificar o tipo de uva, a região de origem, a safra, os métodos de vinificação e envelhecimento, avaliar a longevidade e qualidade de um vinho são apenas algumas das atribuições de um Master of Wine (MW). O especialista também deve ter conhecimentos sobre viticultura, enologia, marketing e atualidades ligadas à indústria de vinhos.

Dirceu Vianna Junior, de Marechal Cândido Rondon, é o único brasileiro que detém este título, conquistado em 2008 depois de muitos anos de estudo e trabalho. No mundo todo apenas 323 pessoas se tornaram mestres e na América Latina, apenas uma argentina detém o título além do brasileiro. No final de abril ele esteve em São Paulo, onde participou do ExpoVinis Brasil 2015, maior evento de vinhos da América Latina.

Aos 46 anos e residente em Londres, Vianna Junior divide seu tempo entre o trabalho e a família. Casado e pai de uma menina de 7 anos, ele conta que a dedicação ao vinho veio um pouco ao acaso, já que não havia nenhuma tradição familiar. Estudante de Engenharia durante o dia e Direito à noite, no final dos anos 1980 Vianna Junior foi passear na Europa e não voltou mais.

"Logo que me habituei com a vida em Londres me matriculei no Westminster College, onde cursei hotelaria. Como o estudo sobre vinhos era minha matéria preferida, resolvi me aprofundar. Foi quando procurei a escola de vinhos mais conceituada da Inglaterra, a The Wine and Spirits Education Trust (WSET). Em 1997 atingi o nível máximo e recebi o Diploma da Escola. Logo após comecei a me preparar para o programa do Institute of Masters", conta.

Para chegar ao título, foram necessárias muitas horas de estudo, intercaladas com outros afazeres. Vianna Junior conta que acordava às 5 horas para estudar, antes de ir para o trabalho. Aos finais de semana, cerca de 10 horas eram dedicadas aos estudos. E ainda foram necessárias várias viagens e visitas a vinícolas.

"Para ser admitido no Instituto como estudante, o candidato deve ser indicado por um Master of Wine e passar por avaliações escritas. Centenas se inscrevem e 40 são selecionados anualmente para fazer parte do programa. Ao longo do processo, o aluno deve acumular conhecimento detalhado sobre todas as áreas da indústria. Quando comecei, meu trabalho era selecionar vinhos para um distribuidor na Inglaterra; degustava centenas de rótulos toda semana. Consequentemente, a prova prática não foi tão difícil. Por outro lado, meu domínio em viticultura era básico. Li vários livros, visitei inúmeros vinhedos, investi tempo trabalhando no campo para acumular o conhecimento técnico necessário. Ao final, o candidato presta os exames se achar que está preparado. As provas duram uma semana e consistem em três degustações às cegas - 12 vinhos cada. O processo todo pode levar mais de dez anos", conta.

Como MW, Vianna Junior trabalha como um dos diretores da distribuidora inglesa Coe Vintners, na qual começou como vendedor em 1998. Uma das suas atribuições é selecionar vinhos. Também escreve para a revista Decanter, uma das mais conceituadas publicações sobre vinho no mundo, e presta consultoria técnica para uma vinícola, além de dar assessoria para colecionadores e conduzir degustações.

Com tantas atividades, as vindas ao Brasil acontecem poucas vezes, quando ele tenta conciliar o trabalho com visitas à família e amigos. Sobre os vinhos nacionais, Vianna Junior explica que "a maioria das vezes o líquido dentro da garrafa não corresponde ao marketing. Os produtores precisam buscar intercâmbio de conhecimento para conseguir competir com produtos de qualquer parte do mundo. Já se encontram alguns bons espumantes, vinhos interessantes da variedade Merlot e, às vezes, outras gratas surpresas. Mas, devido à carga tributária e à pequena escala, esses produtos são caros e encontram dificuldade para competir com vinhos de outros países na mesma faixa de preço."

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