Gabriela Duarte se orgulha de sempre ter feito personagens ''chatas'' na tevê. Na pele da ''certinha'' professora Miriam, em Sete Pecados, a atriz mais uma vez vive uma boa-moça. ''Essa é minha índole e gosto de personagens assim porque têm uma energia boa. Não tenho vontade de fazer uma malvada'', avisa a atriz. Na pele da determinada diretora de escola pública da trama de Walcyr Carrasco, a paulista de 33 anos interpreta uma idealista que luta contra os preconceitos raciais e sociais e acredita na melhoria do ensino público no país. ''Esse trabalho tem me deixado cada vez mais empolgada. As atitudes da Miriam me emocionam'', derrete-se a atriz, com sua voz suave e seus eternos trejeitos de ''biscuit''.
Comparada até hoje com sua mãe, a atriz Regina Duarte, Gabriela reconhece que sua vida foi complicada porque seguiu o caminho de uma mãe bem-sucedida. ''Não tinha de provar que eu era boa, mas que eu era a Gabriela, outra pessoa. Isso é cansativo. Sempre soube que teria de dar satisfação a vida inteira sobre meu parentesco e tiro isso de letra. Nunca briguei contra isso. O público gosta de ver semelhanças entre pais e filhos famosos. É legal ver como a Maria Rita é parecida com a Elis, e o Tarcisinho com o Tarcísio Meira. Sabemos que essa carreira é complicada mesmo. Nesse caso, então, a gente tem de dar a cara para bater o tempo todo'', confessa.
E quanto ao papel constante de boa-moça? ''Começo a achar que nunca vão me dar uma vilã na Globo'', reconhece ela. ''Por que vão mexer em time que está ganhando? Já fui vilã no teatro e no cinema. Provei que sei fazer e a minha curiosidade já foi saciada. Mas não sei se o público de tevê quer me ver como uma pessoa má. Acho que a Globo também não quer. Eles sabem o que é legal e o que não é para determinadas pessoas. Por isso acho que nunca fui chamada para esse tipo de papel''.
Sobre a vontade de mudar um pouco o perfil de atriz que sempre interpreta a boazinha nas novelas, ela fica na dúvida. ''Não sei. Talvez numa minissérie. Mas novela dura muito tempo no ar. Pode ser que eu me divirta, mas acho que devo sofrer muito. Por exemplo, me dá muito prazer fazer uma batalhadora como a Miriam. Me faz feliz passar bons exemplos e entrar na casa das pessoas de uma forma positiva. Podem achar que isso é um papo de boa-moça, mas é minha índole. Sofrer com a reação do público é inevitável. Isso seria o mais tranquilo. Difícil é decorar texto todos os dias, dormir pensando em como fazer a cena de uma vilã. É um ano da sua vida incorporada naquilo. Vale a pena mexer com uma energia tão pesada? A gente carrega as energias de tudo o que faz. O clima da Miriam é muito bom, é transformador no melhor sentido'', argumenta Gabriela.
Por diversas vezes, Gabriela Duarte chegou a pensar em mudar de carreira. Filha de Regina Duarte, atriz que há 50 anos emplaca grandes protagonistas na Globo, Gabriela se sentia insegura de ter de provar duplamente que poderia ser uma boa atriz. ''Fora isso, é uma carreira competitiva, que te expõe muito'', avalia.
Segundo a atriz, até a decisão de quando seria o melhor momento para ter um filho, que deveria ser num período que não atrapalhasse a profissão diante da oferta de um possível personagem interessante, tornou-se um martírio. ''Também tem os cuidados com o corpo, é complicado'', explica Gabriela, que há pouco mais de um ano, teve a louríssima Manuela, fruto de seu casamento com o fotógrafo Jairo Goldflus. Para se dividir entre o trabalho e a filha, Gabriela passa três semanas por mês gravando com Manuela, no Rio, e uma em São Paulo, com o marido. ''Quando eu nasci, minha mãe fazia duas novelas por ano, não dava para ficar tanto tempo com os filhos. Hoje em dia é mais fácil, não se trabalha tanto'', pondera a atriz.
Desde quando estreou na tevê, em 1989, na pele da doce Olívia, em ''Top Model'', a única personagem menos ''certinha'' da atriz foi Justine, em ''Esperança''. Por isso, segundo a atriz, ela foi sua personagem mais marcante e preferida na tevê. Foi quando Gabriela pode se dedicar ao estudo das prostitutas da década de 30, ainda com resquícios estéticos da ''Belle Époque.

mockup