Curitiba - Hiperatividade. Essa é uma das palavras usadas para definir o curitibano Edson Bueno. Os outros termos poderiam ser talento, otimismo e felicidade. No mês passado, ao mesmo tempo que atuava no espetáculo ''A Vênus das Peles'', também dirigia a peça ''A Vida Como Ela É'' e ensaiava ''Metaformose'', com o Grupo Delírio Cia. de Teatro. Em meio à turbulenta agenda, Bueno ainda mantém um ativo blog chamado ''A Eternidade e Um Dia'', além de gravar participações em filmes e propagandas e fazer a direção artística de Romeu e Julieta, apresentado pelo balé do Teatro Guaíra.
E ele ainda encontra tempo para fazer planos para o futuro. Em dezembro estreia ''Minha Vontade de Ser Bicho'', sobre a vida da escritora Clarice Lispector. No ano que vem, ele e os demais atores da Delírio irão percorrer 70 cidades do Brasil, incluindo o interior do Paraná, para apresentar peças do repertório do grupo, no projeto Palco Giratório, do Sesc.
No final deste ano também vai lançar o primeiro livro, destinado ao público infanto-juvenil, sobre a história de um menino que possui uma lógica particular de ver o mundo. O protagonista da obra leva um pouco do que Bueno foi na adolescência. Não pense que acabou por aí. Na agenda já estão planos para fazer um longa metragem. ''Vou ser assim minha vida inteira. Não tem saída. É a minha ansiedade artística'', conta.
O multifacetado artista recebeu a reportagem da FOLHA no apartamento onde mora, no Centro de Curitiba. Logo no início é possível entender um pouco da vertente cultural que passa pelas veias de Bueno. DVDs de filmes cultuados, como ''A Fonte da Donzela'', de Ingmar Bergman, dividem espaço na estante com a quadrilogia Indiana Jones e os cult movies de Pedro Almodóvar. Os troféus Gralha Azul (premiação do teatro paranaense) e Kikito (do Festival de Cinema de Gramado, pelo roteiro de dois filmes) dividem espaço com bonecos do Batman, Super-Homem, Edward Mãos de Tesoura, Jack Sparrow e O Gordo e o Magro. Ele se alimenta de um colorido universo de cultura e manifesta a própria arte de diversas maneiras.
Ultimamente, os momentos de maior prazer são quando está interpretando. ''Ser ator é a coisa mais nobre do teatro. No palco é possível saber o que o público está sentindo. Fazer uma peça é sempre uma paixão. Não consigo trabalhar em um projeto que não tenha reflexão, comprometimento''.
A história de Bueno com o teatro começou em 1982, quando queria ser diretor de cinema. Como não havia cursos na época, resolveu conhecer um pouco mais do universo dos atores e se matriculou no extinto curso permanente do Teatro Guaíra. Montou um grupo e realizou diversas peças, enquanto ainda trabalhava na área administrativa de empresas e secretarias municipais. Há sete anos decidiu dedicar todo o tempo à cultura. O projeto deu certo. As peças dele arrastam grande público de fãs e não é raro pessoas voltarem para casa sem conseguir lugar na plateia.
Para Bueno, um bom ator deve sempre sair da área de conforto. Por causa da exigência desta versatilidade, ele acaba trabalhando com atores mais jovens. ''Não consigo me relacionar com quem não está ligado no hoje. Tem profissional que não consegue acompanhar a energia e ritmo do grupo Delírio. A gente brinca demais. Começamos o processo com muitas propostas minhas e dos próprios atores''.
O diretor se intitula um ingênuo em relação à vida, além de muito otimista. Este otimismo reflete diretamente na qualidade e quantidade da produção cultural de Bueno. Ele se considera uma pessoa de sorte por conseguir trabalhar com o que gosta, em um ritmo frenético. Quase como um constante delírio, dele e do público.

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