'O feminismo aconteceu na minha vida naturalmente", diz Susana Vieira

Atriz vive uma mulher rica e solitária em "Éramos Seis", que aborda os conflitos sociais entre as décadas de 1920 e 1940

Márvio Gonçalves - Agência Estado
Márvio Gonçalves - Agência Estado


Susana Vieira: "Desde que nasci, vi todo o meu núcleo familiar colocando dinheiro em casa"
Susana Vieira: "Desde que nasci, vi todo o meu núcleo familiar colocando dinheiro em casa" | Globo/Raquel Cunha
 



Nem só de protagonistas vive uma diva da TV. É nesse clima que Susana Vieira se mostra como a Emília de "Éramos Seis'", novela das 18h da Globo. A atriz assume que, ao ser chamada para o elenco, foi avisada que o papel não era muito grande. Mas sabe da importância da tia rica de Lola (Gloria Pires) na trama e, principalmente, do quanto muitas pessoas esperavam para ver o remake no ar. "A Globo não apostaria nisso se não houvesse um estudo que mostrasse o interesse do público. Então, é uma felicidade poder participar", garante


Na história, Emília vive solitária, mas por uma questão de escolha. Sua filha mais velha, Justina (Julia Stockler) habita em uma espécie de mundo paralelo, alheia a tudo o que acontece ao seu redor. Em função disso, a mãe optou por isolar a herdeira e mandar a caçula, Adelaide (Joana de Verona), estudar fora do país. "Esse distúrbio mental da Justina deixou Emília amargurada. É uma mulher fina, de família aristocrata, com esse trauma. Olha, eu conheço pessoas que esconderam filhos por questões parecidas. A gente acha que não, mas existe preconceito ainda", lamenta Susana.




Ambientada entre as décadas de 1920 e 1940, "Éramos Seis" aborda algumas questões ligadas tanto ao machismo quanto ao feminismo. Susana, no entanto, não se empolga com esse tipo de assunto. Afinal, dá a entender que esses fatores nunca foram determinantes para ela. "Minha mãe trabalhava na embaixada do Brasil. Desde que nasci, vi todo o meu núcleo familiar colocando dinheiro em casa. Não sinto mudança nenhuma. Nunca dei confiança para ninguém invadir um espaço que eu não quisesse. O feminismo aconteceu na minha vida naturalmente", afirma.


Um dos pontos que Susana mais destaca em "Éramos Seis" é o fato de se tratar de uma novela sem grandes vilões e mais baseada nos problemas do dia a dia. "Não tem assassinato, crimes, irmã má, nada disso. Hoje, para uma novela ir ao ar, parece que precisa ter só polêmica. A nossa é uma trama sobre relações humanas, que eu acho que é o mais importante de tudo", defende. Características próximas, inclusive, de "Por Amor", reprisada com sucesso recentemente no "Vale a Pena Ver de Novo", da Globo.


"Atualmente, um capítulo de novela, às vezes, tem 35 cenas. Antigamente, não era assim. Tem essa mania de acharem que televisão tem que ser 'oi, tudo bem', bate a porta e acabou, tudo acontece com muita rapidez. Lá, era orgânico, era papo, era natural. A única pessoa que fazia um pouco de maldade era a Branca, mas não matava ninguém", analisa.


REALIZAÇÃO PESSOAL


Susana confessa: tem consciência de que abriu mão de sua vida pessoal por causa do trabalho. No entanto, entrega que é no campo profissional que se sente mais plena e feliz. E não consegue definir se fez bem ou mal. Até porque, jura, não foi algo planejado. "Fui aceitando. Na nossa profissão, não existe emprego fixo. A gente faz o que pinta, porque não tem segurança econômica. Ficar sem trabalhar quatro ou cinco meses é ruim, você gasta aquele dinheiro que recebeu. E eu compro mesmo, não sou de economizar. Quero ir para Miami toda hora, para visitar minha família. E pegar aquela primeira classe para ir a Dubai, que é maravilhoso. Eu queria ver como era e fui. Estou pagando até hoje", conta.




E nada de se acomodar. Extremamente bem-humorada e disposta a encarar novos desafios, Susana surpreende ao falar de um sonho antigo. "Tenho loucura para trabalhar em rádio, ter um programa feminino de cartas", fala. A ideia não era ser necessariamente uma conselheira para ouvintes, mas usar sua experiência pessoal para responder o que viesse. "Eu sei que a gente não escreve mais cartas, tudo virou digital. Mas acho que não colocamos a mesma emoção que colocaríamos no papel em um post de Instagram, por exemplo. São textos curtos na internet, não vai a alma da gente ali", opina ela, que já teve uma coluna feminina em uma revista quinzenal, durante dois anos.

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