O estilo inesquecível de Jackie O
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de maio de 2001
Guto Barra Agência Estado 
O universo da primeira-dama mais fabulosa dos Estados Unidos está atraindo hordas de pessoas para o Costume Institute, do Metropolitan Museum of Art, com a exposição Jacqueline Kennedy: The White House Years. Mais do que uma seleção de roupas, a mostra oferece uma imperdível radiografia do estilo e da personalidade de Jackie O.
A exposição de Jackie retrata o estilo de vida dela durante a campanha à presidência dos Estados Unidos e seus anos na Casa Branca (de 1960 a 1964). Por meio de roupas, objetos, vídeos, fotografias, convites para jantares e outras peças íntimas, é possível entender todo o processo de construção do ideal de jovialidade, sofisticação e cultura que a administração Kennedy desenvolveu com a ajuda de Jackie.
A mostra começa com o período da campanha, em que ela começou a ser notada pela imprensa e pelo público por seu carisma de estrela hollywoodiana e seu guarda-roupa simples baseado em poucos modelos básicos de vestidos e tailleurs, colares de pérolas e chapéus. Seus trajes desta época comprados em liquidações de alta costura em Paris por ela ou pela sogra, Rose Kennedy, mostravam uma elegância básica e atemporal, e acabaram sendo usados novamente mais tarde em viagens ao exterior. Givenchy era o estilista preferido de Jackie na época.
A segunda parte da exposição é dedicada à posse presidencial, no início de 1961, para o qual Jackie criou seu próprio vestido com a ajuda da sacerdotiza do chique, Diana Vreeland, a poderosa editora da Vogue. A peça contava com uma dramática capa de seda cor de marfim, com aberturas para os braços. O outro vestido usado para as cerimônias, um longo básico decorado com uma roseta de tecido inspirada em condecorações militares, foi criado por Oleg Cassini, que passou a ser o coordenador oficial do guarda-roupa da primeira-dama. Era o início do que viria a ser definido como o Jackie Look.
A força do Jackie Look aparece em grandes imagens que mostram o contraste da primeira-dama com seus convidados/anfitriões (como no primeiro encontro com a Rainha Elizabeth, em que seu vestido sem manga de xantungue de seda era muito mais jovial e moderno do que o longo de saia rodada de tule usado pela inglesa, típico da década anterior). Jackie acertou até em um dramático longo preto de seda usado para uma audiência com o Papa João XXIII no Vaticano, em 1962, complementado por uma mantilha de rendas na cabeça, em efeito ultra-fashion, mas ainda discreto.
A exposição também faz justiça ao estilo que Jackie imprimiu à Casa Branca. Além de detalhar os eventos promovidos por ela (que sempre incluíam eventos culturais), a mostra retrata a grande reforma que ela comandou ao assumir a residência. Por achar que o lugar não tinha peças de relevância histórica, ela formou um comitê que supervisionou a compra de obras de arte e peças importantes de mobiliário. Sua concepção para a Sala Vermelha, em estilo imperial, e até a decoração da árvore de Natal, imprimiam uma personalidade própria.
Organizada em salas que reproduzem o clima dos assuntos, The White House Years faz o público se sentir voyeur do universo de Jackie O. Fazendo uso de caixas de chapéus e colares de pérolas, passando por bilhetes e álbuns de fotografias, a exposição confirma o que todo mundo já sabe: não houve primeira-dama como Jacqueline Kennedy - e os Estados Unidos nunca mais tiveram tanto estilo.


