Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Jovem engenheiro elétrico de carreira internacional, Roberson Sterza Marczak vincula sucesso profissional a flexibilidade e facilidade de adaptação a novas situações
Ele é apaixonado por violino. Mas não é músico, como o irmão violinista Roney, que mora em Berna (Suíça), e a irmã Rosbelle, pianista, que mora em Milão (Itália). Porém, segue a mesma trilha de sucesso que faz de sua família um clã de jovens gênios. O nome dele é Roberson Sterza Marczak.
Aos 29 anos, solteiro, nascido e criado em Londrina, Roberson é um bem-sucedido engenheiro elétrico, que há seis anos mora em Viena (Áustria). Ele trabalha em uma das mais conceituadas multinacionais, a Siemens. Roberson ingressou na empresa em São Paulo, como trainée, aos 23 anos, quando ainda era estudante da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), de São Bernardo do Campo (SP).
Ele é um dos profissionais responsáveis pela implantação de modernos sistemas computadorizados que comandam, controlam e supervisionam sistemas elétricos para geração e distribuição de energia. Foi com essa missão que, no final do ano passado, ele esteve em Foz do Iguaçu para instalar um sistema do gênero no lado paraguaio da Hidrelétrica de Itaipu.
Na opinião do engenheiro, o sistema elétrico que implantou na cidade de Seatle (EUA), em um projeto que durou um ano, foi o seu maior desafio profissional. Porém, para ele, o trabalho na Itaipu teve um significado especial. ‘‘Ter trazido o que aprendi fora para ser aplicado no meu País e, pela primeira vez, no meu Estado, tem duplo valor. Além de contribuir para a sofisticação do sistema de uma empresa da importância de Itaipu.’’
Em seus breves seis anos de carreira, Roberson já atuou no Pólo Petroquímico de Camaçari (na Bahia), na Usina Hidrelétrica Macagua II (Venezuela), no Sistema Supervisório de Zhong Shang (China), e na Agência de Energia de Roma, entre outros projetos espalhados pela Europa e as Américas.
Ele já soma mais de 15 países visitados durante a sua carreira internacional. Para vencer as barreiras culturais e de comunicação, Roberson usa uma das quatro línguas que fala fluentemente – inglês, alemão, italiano e espanhol.
O engenheiro acredita que a garantia do sucesso profissional, no atual mundo globalizado, pode ser conquistada por pessoas que se adaptam rapidamente a novas situações e que são flexíveis.
Roberson analisa que o profissional moderno deve ser especializado em uma área e com boa visão de outras, criando uma interface. E dá uma dica: ‘‘Com a quantidade de informações no mundo globalizado, em determinadas situações é mais importante saber onde encontrar uma informação do que ter essa informação.’’
Roberson também acrescenta a isso a importância de se ter a oportunidade de conhecer outras culturas. Ele adora Viena, pela qualidade de vida e pelas opções culturais que a cidade oferece. ‘‘Viena oferece duas óperas por dia. Embora tenha 2 milhões de habitantes, não há engarrafamento. E você pode andar de madrugada com dinheiro e jóias que nada acontece.’’
Apesar da qualidade de vida que o Primeiro Mundo oferece, para ele o lado humano deixa muito a desejar. ‘‘Os austríacos e alemães são muito individualistas. Só no Brasil a gente encontra esse calor humano e esse jeito descontraído do brasileiro viver. Fora daqui é preciso manter uma distância formal.’’
Assim como na profissão, Roberson também é um entusiasta pela vida. Ele diz que prefere a mulher brasileira porque ela sabe ser sensual. ‘‘As brasileiras sabem como se fazer desejadas.’’ Também não esquece as influências culturais que recebeu em Londrina e dos pais, Pedro e Elza, professores de inglês e francês.
‘‘Londrina me ofereceu um ambiente muito saudável e tem grande pujança tecnológica. Tenho fortes laços de infância, por isso sempre volto. Também porque sou muito ligado à família e meus pais ainda vivem na cidade.’’
Com quatro filhos bem criados e espalhados pelo mundo, parece que Londrina – onde a família está reunida desde as festas de fim de ano – ganhou um novo significado para os Marczak: a de ponto de encontro dos filhos pródigos, cujo tempero fica por conta de Ronald, que é o chef da cozinha de um charmoso restaurante francês, em Stutgart.

RAIO X
Um livro :
‘‘Como Era Verde o Meu Vale’’.

Música :
Jorge Michel e Bossa Nova.
Um filme :
‘‘Cinema Paradiso’’.
Um jornal :
Folha de Londrina/Folha do Paraná e Folha de São Paulo, que leio na Áustria via Internet.
Um hobby :
Violino e fotografia.
Um lugar :
A praia.
O que admira e o que detesta em uma pessoa :
As pessoas precisam ter sonhos e acreditar neles. Detesto presunção, prepotência e pessoas fúteis.

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