O confrei que virou um negócio. E que negócio!
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sábado, 08 de setembro de 2007
Katia Michelle 
Ela saiu de casa aos 17 anos, numa época em que poucas mulheres se arriscavam pela carreira. Mudou-se do interior de Santa Catarina para a gigantesca São Paulo para estudar enfermagem. Pouco, mas muito pouco tempo depois, já se destacava na capital paulista pelo empreendedorismo. Montou um curso de enfermagem e paralelamente investiu numa atividade até então pouco rentável: o plantio de ervas medicinais. Não sabia, porém, que na mesma época o mundo se voltava para essa produção. Magrid Teske foi uma das primeiras pessoas do Brasil a exportar o até então pouco conhecido confrei. Ela ameniza: ''Não sei se existe mérito em vender um produto que o mercado está precisando muito, é como vender pão a quem tem fome''. Mas o mérito existe e não é pequeno.
A exportação de confrei e a abertura de uma pequena farmácia de manipulação, em São Paulo, foi o projeto embrionário de uma das empresas mais salientes do Paraná, fundada por Magrid há mais de 20 anos e dirigida por ela até os dias atuais: a Herbarium Laboratório Botânico. Isso aconteceu numa época decisiva para a catarinense radicada em Curitiba.
A década era a de 1980 e o País estava vivendo uma situação política e econômica caótica e instável. Ela havia deixado o emprego no Hospital de Santa Casa, depois de meses sem receber salário e se viu, mais uma vez, obrigada a dar rumo à vida profissional. Foi assim que entrou num mercado até então inovador e montou toda uma estrutura comercial, que foi possível graças à sua escola e aos alunos que trabalhavam com ela em três turnos diferentes. A produção ia de vento em popa, até que chegou outro momento importante.
''Queria transformar essa produção em uma indústria, mas para isso tive que sair de São Paulo e estabelecer a empresa em Curitiba''. Sábia decisão, já que produtos fitoterápicos eram mais bem associados a uma cidade que estava concretizando a fama de ''ecológica'' do que a um estado como São Paulo. ''Foi uma decisão muito feliz'', analisa Magrid. Ao mesmo tempo, ela teve de aprender a tomar decisões rápidas para crescer num país em que a inflação beirava os 80%. A situação a ensinou a ser flexível e também criativa. Ela lembra, por exemplo, que a Herbarium chegou a vender seus produtos em sacolas plásticas com um bilhete avisando ao consumidor que a situação econômica do Brasil não permitia comprar embalagens de papel.
Também recorda fatos que hoje rendem diversão, mas que denunciavam a problemática da época. ''Eu ficava esperando em frente ao shopping o momento em que as lojas descarregavam as caixas de papelão. Então as pegava para poder enviar os produtos para fora do Estado e do País'', revela. Tanta dedicação teve resultado. A Herbarium já foi premiada várias vezes como a melhor empresa para se trabalhar e ganhou destaques nacionais e internacionais importantíssimos.
Pessoalmente, Magrid também ganha destaque como empresária. Atualmente, por exemplo, a fundadora da Herbarium está entre as 15 finalistas do Prêmio Cláudia 2007. Magrid divide a categoria Negócios, com outras duas candidatas, uma paraense e uma paulistana. A votação vai até o dia 16 de setembro e a ganhadora será apresentada no dia 29 de outubro, numa festa de premiação na Sala São Paulo, do Theatro Municipal, na capital paulista.
Com grandes e perscrutadores olhos claros, Magrid sempre foi muito dedicada à carreira. ''Não casei e não tive filhos'', resume. Mas nem por isso deixou de lado a vida pessoal. Revela à reportagem (para quem promete ser a última jornalista a fazer entrevista com ela, já que não gosta de se expor) que tem muitos planos pessoais. Voltar a se dedicar ao canto lírico é uma delas.
A arte, aliás, ronda quase todos os projetos pessoais da empresária. ''Está na hora de eu ter um canto para mim, em que eu possa encontrar meus amigos e desenvolver esse lado artístico'', revela. Ela também quer se dedicar à uma outra área profissional, a de incorporação e construção civil, projeto que já tem data para ser colocado em prática, já a partir do ano que vem. Mais um desafio? Magrid tem opinião formada sobre isso: ''Se o desafio não existe, também não existe o estímulo de superá-lo''.


