Ao entrar na sala de Luizito Barreto, 56 anos, a reportagem é surpreendida pelo seguinte comentário. ''Eu estava aqui pensando comigo mesmo: será que o repórter é careca?''. Não, não é'', brinca. Quem tem mais ou menos 30 anos deve saber o motivo que faz Luizito ter essa fixação por cabelo. Desde 1981, ele é a cara (e o implante) da Interlace, empresa de prótese capilar. Suas participações em merchandising de TV e em programas de auditório já se tornaram clássicas.
Mas quem é e o que pensa o homem por trás do implante de cabelo? Não qualquer cabelo, mas aquele que parece não se despentear nem durante uma hecatombe nuclear. ''Há quase 30 anos me chamam de Interlace nas ruas. Eu dou até autógrafo'', fala Barreto.
Ele nasceu cabeludo em Sertanópolis, no Paraná. Na adolescência e na vida adulta teve diversos trabalhos - de mecânico a representante de vendas. No final dos anos 70, foi ganhar a vida como ator de teatro. Mas nesse período começou a perder cabelo. Muito cabelo. ''Fiquei extremamente preocupado. No teatro, só pegava papel de bandido. Fiquei abalado emocionalmente.''
Luizito tentou de tudo. Ensopou a careca com ovo, folha de babosa, várias misturas e algumas perucas. Também não faltaram simpatias. Nada deu certo. Segundo ele, a salvação veio ao assistir a um depoimento sobre a Interlace no programa ''Canta Viola'' (exibido na década de 80 pela Record). A coragem de procurar a empresa só veio cinco meses depois.
A partir dali, os milagres atribuídos ao implante devem ser relativizados. Afinal, hoje Luizito é diretor de marketing da tal empresa. ''Na época, disse ao dono: 'Se esse processo funcionar, viro seu maior propagandista'.''
Dito e feito. O implante agradou e Luizito foi convidado a dar seu primeiro testemunho no mesmo ''Canta Viola'' (hoje na Rede Família UHF). ''As fotos de como eu era careca e como fiquei depois do implante fizeram sucesso. A partir daí, perdi meu próprio nome. Todos começaram a me chamar de Intelace ou 'o cara da Interlace'.''
Mesmo com a vasta cabeleira, Luizito não conseguiu retomar a carreira de ator. Sua imagem ficou colada à marca. E a figura de Luizito também se misturou à da Interlace. Hoje, ele passa o dia na empresa recebendo clientes. ''Eles confiam na minha palavra, querem pegar no meu cabelo, conversar e desabafar. Já teve cliente chorando'', conta o agora cabeludo. ''Quando viajo a outras cidades, sou tratado como popstar. Tem até confusão.''

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