O canal é a felicidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de junho de 2010
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Falar de Deus é sempre complicado. A percepção do que ele representa difere para cada pessoa. Enquanto alguns acreditam que Deus seja um ser superior, bom e justo, que criou o Universo, outros creem que ele é infinito e se manifesta nas pequenas ações cotidianas, sejam elas boas ou ruins. Isso sem falar nas religiões, que pregam diferentes formas de adorá-lo.
Em seu novo livro, o headhunter Alfredo Assumpção fala sobre Deus de uma maneira sutil, sem abordar religiões. Ele acredita que Deus está na felicidade. Se a pessoa é feliz encontrou Deus. Mas essa felicidade deve vir de todas as formas e lugares, seja em casa, no lazer e no trabalho.
Nos últimos 40 anos, Assumpção vem recrutando executivos para postos de alto nível em diversas organizações. Nesse período, ele acompanhou com olhar crítico as mudanças pelas quais passaram as grandes corporações, assim como o modo de trabalhar também. Depois de escrever livros sobre liderança e gestão, optou por abordar na nova obra a necessidade de felicidade na vida das pessoas, no emprego, na família, no casamento, enfim, em tudo. O livro, intitulado ''Felicidade, o Deus nosso de cada dia'', foi lançado recentemente em Curitiba.
Assumpção é economista e reside em São Paulo. Em 1995 fundou a Fesa Global Recruiters e viaja por diversas partes do Brasil em busca de profissionais de destaque. Além de escritor, é também poeta e músico. Em 2008, foi indicado pela revista Business Week como um dos mais influentes headhunters do mundo.
O primeiro livro dele tinha como foco a formação de líderes entre os executivos. No segundo, o autor optou por trabalhar com aspirantes à carreira de executivo. Neste última obra, Assumpção descreve a importância da alegria como forma de encontrar e sentir Deus, que se manifestaria na forma de uma vida saudável e feliz.
Para o autor, a importância da felicidade também está na hora de achar um trabalho. Para ele, a pessoa ter um emprego que goste ultrapassa as benfeitorias que um salário enorme poderia fazer. ''Eu saí de uma empresa e fui para outra. Meu salário dobrou, mas toda vez que eu passava na frente da corporação em que trabalhava antes, tinha vontade de chorar, pois lá eu era feliz'', relata Assumpção, citando uma situação que viveu no passado. Depois, ele fez o caminho inverso e trocou de emprego por outro com salário menor. Em compensação, a qualidade de vida e o trabalho melhoraram muito.
''Muitas pessoas só conseguem relaxar e aproveitar a vida quando batem o cartão de saída do trabalho. E só se sentem felizes quando estão com os amigos, jogando bola ou viajando. Essas pessoas estão erradas. Dentro do próprio trabalho também é um lugar para se encontrar a felicidade'', opina. E essa responsabilidade também pode vir das empresas. ''O empresário que não consegue reter, motivar e desenvolver o capital humano perde a batalha. A empresa será comprada ou fusionada. O empresário inteligente é aquele que sabe usar o capital humano que possui''.
Assumpção tem domínio do que fala e não é apenas um aconselhador. A empresa dele, especializada em recrutamento de executivos, cresceu 1.500% em sete anos. Em plena crise econômica de 2008, em vez de demitir funcionários, como os concorrentes fizeram, ele montou outra empresa, que recruta executivos em início de carreira. Um filão de mercado que está dando certo.
A publicação mostra que a ideia do ''workaholic'', o empregado que só pensa em trabalho, está mais distante do considerado funcionário ideal. ''Mais da metade da vida passamos trabalhando. Você precisa fazer com que a sua cultura seja compatível com o que a empresa segue'', diz o headhunter. Mas isso sem pensar só em trabalho. Ele acredita que o emprego deve contribuir para a qualidade de vida da pessoa, mas levar uma vida feliz fora da empresa também é fundamental. Dessa forma, a felicidade surgiria em ambos os lados. Esse seria o Deus de Assumpção.
Os ensinamentos do profissional podem parecer difíceis para algumas pessoas, principalmente para aquelas que enfrentam dificuldades no trabalho. Mas vale lembrar, como você leu no início da matéria, que cada pessoa idealiza um Deus diferente. O seu pode não ser necessariamente o da felicidade, mesmo que essa ideia desenvolvida por Assunção pareça ser interessante.


