Os desfiles de quarta-feira à noite no Crystal Fashion não poderiam deixar de demonstrar nitidamente o clima sonso pelo qual a moda passa atualmente. Yatchsman e Max Mara deram um ar internacional e comercial ao evento. No primeiro, o que se viu foram roupas para homens bem-sucedidos que precisam relaxar nos finais de semana, sem perder o estilo. A Yatchsman é para quem já tem a vida ganha e gosta de se vestir bem. Acerto nas cores da coleção com tons de rosa, alaranjados e um verde-hortelã delicioso. A grife acertou também quando fez a calça estampada e suave que Vladmir Brichta encerrou o desfile. Sem erros. Um desfile correto, comercial e adequadíssimo para tempos de crise mundial.
Quando a Max Mara entra na passarela é impossível saber o quão luxuoso o desfile irá ser. A grife italiana cinquentenária é absolutamente impecável. Desde o início o que se viu foram roupas para mulheres poderosas e discretas. Tons pasteis de rosa, amarelo começam a longa apresentação. As saias passam um pouco do joelho e são bem fluidas. Os vestidos, por vezes, vem com cintos-gravatas amarrando bem a cintura. Depois da fase bem básica vem a médio-básica. Ai entram os poás. Nesta estação eles aparecem em preto e branco, mostrando bem que a proposta da Max Mara não passa pelos modismos. É tudo bem chique, bem simples e lindo. São roupas para mulheres quase imortais. Damas que retratam o estilo Jack O e Audrey Hepburn ainda nos dias de hoje. Só que com um toque de modernidade. Esta pode ser vista na qualidade dos tecidos. São sedas, shantungs em furta-cor. Tudo de Primeiro Mundo. Perto dos nossos olhos, mas longe de nossos bolsos.
A estrela da noite definia bem a proposta da grife. Cristiana Oliveira é chique, moderna e ao mesmo simples e poderosa. Deu um ar soberano às passarelas. Não fosse a repetição de alguns looks, o desfile teria sido perfeito.

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