O anjo de Gisele Bundchen
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sábado, 01 de maio de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Falante, de riso fácil e de uma simplicidade desconcertante, Mônica Monteiro, 38 anos, tem um comportamento bastante parecido ao de sua pupila, a ubber model Gisele Bundchen. Big boss, no Brasil, da agência de modelos IMG um braço do poderoso International Management Group, que cuida da imagem de celebridades mundiais ela esteve no Paraná, dias atrás, a convite da Pura Mania, para garimpar novos talentos e descobrir possíveis tops. O saldo da visita foi mais que positivo: 17 candidatos ao estrelato fashion, um deles com a carreira já encaminhada.
Dois dias após ter sido aprovado por Mônica em Cascavel, o catarinense Matheus Kolling, 16 anos, já estava embarcando para São Paulo. Foi fotografado para a revista Vogue e participou, esta semana, do desfile da grife de Marcos Mion no programa de Adriane Galisteu. Em Londrina, seis meninas e dois meninos, entre 700 inscritos, receberam o Ok da empresária, que conversou com a reportagem do Folha Gente durante a seleção.
Modelo dos 16 aos 20 anos, quando os desfiles brasileiros aconteciam apenas em lojas e show-rooms, Mônica chegou a morar em Madri por conta do trabalho. ''Eu era modelo do tipo comercial, não tinha muito perfil de passarela'', conta. Questionada sobre o tipo de beleza que se busca hoje entre os novos rostos, ela não consegue escapar da referência à top das tops. ''O pessoal que trabalha na moda está sempre buscando o diferente. Então, a próxima top model não vai ter nenhuma característica da Gisele. O que o mundo procura é uma outra pessoa que tenha as qualidades profissionais dela, mas com outro tipo de beleza'', define.
De acordo com Mônica, há quem não acredite no surgimento de outra supermodelo depois do fenômeno La Bundchen, opinião não compartilhada por ela. ''Já tem uma forte candidata na Austrália, chamada Gema, que também é da IMG'', informa. Bela não é propriamente o termo para definir essa nova aposta da agência, mas os ideais de beleza do planeta fashion estão longe de se encaixar em padrões pré-definidos. A própria Gisele não era considerada uma beldade no início da carreira. ''Ela tinha feito todos os editoriais importantes, todos os grandes desfiles, estava faltando uma capa para coroar, porque você só é top quando é capa'', avisa.
A resistência das editoras de moda das revistas, entretanto, era grande. ''Diziam que ela tinha o nariz maior do que o normal, porque na época era aquela coisa Barbie, olho azul, loira, com narizinho pequeno, arrebitado. Imagine, hoje ela é a modelo que mais tem capa, já passou a Kate Moss e a Cláudia Schiffer'', informa, dando a grande dica as aspirantes à profissão: ''Você tem que fazer dos seus defeitos uma qualidade'', aconselha. Fiel escudeira de Gisele desde a adolescência da top, quando atuava na Elite Models, Mônica encarou uma carreira solo por dois anos (sempre ao lado de sua pupila) e, depois de fechar o contrato com a C&A, foi convidada a representar a IMG no Brasil, onde está há três anos.
Negociar contratos milionários, entretanto, não é a única função de Mônica como agente de Gisele Bundchen. ''Quando ela vem ao Brasil, quer exclusividade total'', conta. Além de acabar exercendo o papel de assessora de imprensa, a empresária tem que ficar atenta aos flashes. ''Ela não pode aparecer junto a um produto com o qual não tenha contrato. Até no camarim, fico tirando as coisas de perto dela'', relata. Mas também há os momentos de relax. ''Ele me conta as novidades e a gente fica lendo revista de fofoca'', revela.
Mônica conta que uma das preocupações da top é a decisão sobre o fim da profissão. ''Ela é muito consciente, não quer que a carreira termine com ela antes''. Segundo a empresária, uma das principais razões que levaram Gisele a se afastar do circuito completo das passarelas internacionais foi o estresse.''Em 1999, ela foi parar em um hospital'', lembra. Tudo por conta do poder de fogo de sua imagem.
''Num grande desfile como o de Versace, as outras modelos fazem duas ou três entradas. Como a Gisele tem essa coisa de Midas, que vende tudo o que veste, eles colocam oito, nove looks nela. Então, é muito mais estressante, ela tem 15 segundos para se trocar'', justifica. Sem falar nos outros compromissos. ''Quando sai de um desfile, tem que fazer a prova de roupa do desfile do dia seguinte. Já acompanhei o ritmo dela em Nova York, comecei às seis da manhã e terminei às 2h15 da madrugada. No dia seguinte, eu não conseguia andar'', relata.
Ao que tudo indica, Mônica ainda terá muito trabalho pela frente. E dentro da própria casa. Sua filha mais velha, de oito anos, já tomou gosto pela coisa. ''O sonho dela é ser modelo, ela tem book, composite. Eu só não levo em teste que envolva dinheiro. Primeiro, porque eu não tenho tempo. E é muita gente. Eu particularmente acho que criança não deveria ser artista. É muito complicado. Como mãe, eu não saberia lidar com isso''. n


