''Não sobre o amor'' é um dos espetáculos do consagrado diretor Felipe Hirsch com produção de Mônica Placha. Mas também poderia servir como mote para contar a história da artista radicada em Curitiba. Nascida em Juazeiro, na Bahia, e em mudanças constantes por conta do trabalho do pai, geólogo de uma grande empresa, Mônica sempre teve aptidões para a matemática. Mas para ficar perto de um antigo namorado, decidiu fazer o curso de artes cênicas. O mesmo aconteceu com a mais recente profissão: enquanto estava em São Paulo, trabalhando com a Sutil Companhia de Teatro (do diretor Felipe Hirsch), recebeu um presente do então namorado paulista: a matrícula em um curso de dublagem.
O amor foi quase sempre o ponto de partida de Mônica para as duas decisões, mas talento e dedicação, claro, definem suas escolhas. Na adolescência, cursou Edificações porque sempre gostou de números, mas já integrava grupos de teatro amador. O gosto pela arte, atribui também ao irmão mais velho, músico e que tinha um repertório variado de discos e fitas dentro de casa. Mas na hora de decidir o curso superior contou mesmo com uma mãozinha do namorado. Ela estava em São Paulo e foi ele quem decidiu pelo curso em Curitiba para que Mônica pudesse voltar.
No retorno a Curitiba e cursando teatro, os amigos logo descobriram que a facilidade com o raciocínio lógico combinava muito bem com as produções artísticas. Assim, além de atuar nas montagens, Mônica também começou a produzir espetáculos que fizeram história na capital paranaense, como Anjo Negro, Alegre como Nossas Cortinas e Como Aprendi a Dirigir um Carro, espetáculos de diretores respeitados na cidade.
A intimidade com planilhas também fez com que a moça embarcasse em produções de eventos, como a Casa Cor e campanhas de marcas de cosméticos. Em 2002, ela começou a trabalhar com a premiada Sutil Companhia de Teatro. Fez uma pausa entre 2005 e 2006 para desenvolver trabalhos pessoais, mas logo retomou a parceria com uma das companhias de teatro mais conhecidas no Brasil.
''Eu tenho facilidade com produção por conta da minha bagagem matemática. Sou organizada e isso ajuda bastante'', revela Mônica. Mas o trabalho também é considerado por ela como algo estressante. Tanto que no ano passado, quando estava trabalhando na produção da mostra de 15 anos da Sutil Companhia, em São Paulo, ficou surpresa e feliz ao ser presenteada com a matrícula no curso de dublagem, mais uma possibilidade de alternativa para sua atribulada carreira.
A ideia veio do namorado paulista. Enquanto ela estava em Curitiba, onde mora, conversava com ele pelo skype, um comunicador instantâneo de voz. ''Ele achou que eu tinha uma voz bonita e clara e sugeriu que eu fizesse um curso de dublagem''. Mônica fez o curso em um dos estúdio mais conhecidos de São Paulo e logo começou a aparecer trabalhos na área, como a dublagem de figuração para um espetáculo do House, a famosa série americana.
Novamente de volta a Curitiba e depois de deixar o trabalho de produção na Sutil para se envolver em novos projetos na capital paranaense, Mônica decidiu dar um workshop de dublagem na Cena Hum, escola de teatro local. A procura foi tanta que o curso vai se tornar permanente, com as aulas começando já no próximo mês. ''Vai ser o primeiro curso de dublagem em Curitiba'', orgulha-se Mônica.
O curso é apenas um dos projetos que ela vai desenvolver em 2010. Os outros, que envolvem desde a atuação à produção de mostras visuais e espetáculos de teatro e música, têm envolvimento com a sua mais recente percepção da arte. ''Depois de mais de dez anos trabalhando com produção, percebi que a arte é um conceito que está no ar e precisa ser canalizada nas suas mais diferentes formas''. Encontrar esse formato, unindo as mais variadas vertentes, está nos planos da artista. Para um futuro próximo, diga-se.

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