''Nunca pule o seu limite para estar na moda''
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mostrar a vontade de comportar-se, de consumir, de estar na moda, sem indução. Este é o principal fio de conduta do trabalho de Crystyan Kishida, um produtor de moda que é o pop do momento no circuito de moda curitibano. Ele tem 26 anos que parecem estar amplificados três vez mais tamanha a experiência alcançada em 13 anos de trabalho.
Crystyan ainda nem tinha deixado de ser totalmente criança quando, aos 13 anos, inventou de trabalhar. ''Meu irmão mais velho já trabalhava e comprava as coisas dele e eu não. Queria trabalhar, ser útil e procurei algo para fazer. Antes disso fiz sacolés (picolés em saquinhos) para vender e comprei meu primeiro Atari (marca de um videogame).''
Com todo empenho que poderia ter, trabalhou em lojas de shopping e atendeu produtores mais velhos que buscavam roupas para seus trabalhos. Esse contato o levou a estreitar algumas relações. Delas nasceram aqueles ''toques'' que só quem está no fervo do mercado de trabalho dá.
Crystyan é neto de japoneses e, na época, tinha um perfil especial para trabalhar como modelo. Uma indicação de um amigo e o nissei curitibano participou de um concurso para modelos das lojas Pernambucanas. Foi trabalhar na agência Táxi, do famoso Marcos Pantera.
Também das amizades surgiu o primeiro trabalho como produtor. Tudo por acaso. Até quando caiu nas mãos de um fotógrafo conhecido e badalado de Curitiba, Sérgio Sossela, não foi proposital. ''Adorei trabalhar com o Sossela e ele também gostou do meu trabalho. Começou aí o meu trabalho de produtor. Eu ia a São Paulo para trabalhar como modelo e acabava casando com as minhas produções.''
Elo de ligação com os tops do mercado conectado e a trabalheira segue até hoje. São Paulo-Curitiba e vice-versa estão na pauta assiduamente. É ele quem produz Olga Bongiovani quando ela faz algum comercial. É ele quem produz os desfiles periódicos que a grife italiana Max Mara faz em Curitiba. É ele também quem produziu Gianne Albertoni para o catálogo de inverno do Shopping Curitiba. A top foi fotografada em vários pontos da cidade e também ''por acaso'' Crystyan acabou descobrindo que seria a atual primeira-dama do Estado, Maristela Requião, quem iria cuidar da direção do Museu Oscar Niemeyer. Isso antes mesmo da mídia tomar conhecimento.
O processo de criação que leva um produtor a manter o alto nível depende de vários fatores. Ultrapassa o limite da criatividade nata. ''Tenho um período de baixa no meu trabalho, que é junho e julho. É quando aproveito para estudar. Vou para a balada e reparo até como amarram o cadarço. Se o cinto virou pulseira. Fico vendo possibilidades.''
Um outro hábito é analisar como os astros do show business estão se comportando, se vestindo. Até o posicionamento das mãos de um famoso influencia seu trabalho. A referência vem de tudo. Rua, festa, revistas, nada pode passar batido. ''Comprei o último DVD de uma banda que gosto e percebi que a vocalista da banda é muito feminina. Vou levar esta feminilidade para a produção fotográfica de meninas. Em uma festa, vejo alguém que gosto e fico seguindo para ver o que estão fazendo, como estão se comportando.''
Inconsciente coletivo puro. ''Acho que a moda está num movimento contrário. O consumidor avisa o que ele quer.'' Quando uma grande massa pensa diferente, vem novidade e isso, segundo Crystyan, é um pedido do povo. Essas referências novas acabam fazendo as revoluções de atitudes e comportamentos e surgem a cada hora de um lado diferente. Quem trabalha com criatividade e quer se manter em alta, tem que prestar atenção em tudo. Moda, música, literatura, artes plásticas, política inclusive. Sempre alguém sai na frente de uma nova onda. É importante manter o caleidoscópio ligado.
Conduzindo as vontades
''Temos que ter ciência de que o povo se cansa de ver sempre as mesmas coisas. Percebo uma nova vontade e tento adaptá-la e ver se vai ser consumida. Estou sempre correndo atrás para saber o que as pessoas querem ver.'' O desenvolvimento deste feeling passa pela múltipla percepção. Produtor não pode ser preconceituoso. Tem que prestar atenção em todas as classes sociais. Ver o que elas querem. E não pode ser regionalista. ''Sou meio contra os tributos. Acho que Curitiba faz parte de um todo. Não podemos restringir nosso trabalho. Temos que pensar como pessoas do mundo.''
Mudando o tradicional
A observação é tudo na vida de quem faz moda, produz desfiles, catálogos, books e até casamentos, a mais nova paixão de Crystyan. ''Foi uma brincadeira que acabou dando certo. Produzi o casamento de uma amiga e, em menos de um ano, já fiz vários profissionalmente.''
A produção de um protocolo muito antigo ganha em suas mãos uma leitura atual. Um bom exemplo: adaptar luzes de produção à seriedade do ritual. Pitadas de modernidade em uma nova época, onde o romantismo ainda sobrevive, mas as expectativas do casamento mudaram bastante. Jogo de emoção. Brincar com os sentidos. Criar uma nova linguagem. Crystyan está inovando.
Dicas para ser moderno
''Entre dentro de você e preste atenção em quem você é. Por mais fora ou dentro da moda se respeite. Nunca pule o seu limite para estar na moda.''


