Dona de um jeito doce, porém firme, Letícia Colin tem ares de mulher mais velha. Mas não é só o rosto angelical da atriz que mascara seus 24 anos. No seu currículo, ela tem participações importantes tanto no teatro, como no cinema e na tevê.
Prova disso é o volume de trabalhos que se acumulam este ano: são três longas para estrear, uma série na tevê fechada, um musical no teatro e seu papel em "Além do Horizonte". "Amor em Sampa", uma comédia musical de Bruna Lombardi, "Não Pare na Pista", filme de Carolina Kotscho que conta a vida do escritor Paulo Coelho, e "Bonitinha, Mas Ordinária", onde interpreta o polêmico papel vivido por Lucélia Santos nos anos 1980, assim como "Amor Veríssimo", série do canal pago GNT, já estão finalizados.
A correria agora é para conciliar as gravações na pele da misteriosa Vitória no Projac – centro de produções dramatúrgicas da Globo, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro – com a preparação para viver a Beatriz em "Circo Místico", musical de Chico Buarque no teatro. "Já tinha feito vários testes na Globo em 2013 e não tinha rolado nada. Quando achei que minha vida estava caminhando para uma coisa, veio ‘Além do Horizonte’ e mudou tudo", conta, sorridente.
Longe da Globo desde 2003, quando apresentou o extinto "TV Globinho", Letícia passou pela Band e ficou por cinco anos na Record, onde atuou em tramas como "Chamas da Vida" e "Vidas em Jogo". "Estar na Record me possibilitou muitas coisas legais. Como, por exemplo, períodos para me dedicar ao teatro. Mas toda emissora tem seus prós e contras. E, paralelo a isso, eu nunca parei de admirar a Globo e seus produtos", analisa. O convite para entrar no elenco de "Além do Horizonte" veio quando a novela já estava no ar. Devido à baixa audiência da trama de Carlos Gregório e Marcos Bernstein – a pior da história no horário –, novos personagens entraram. As críticas negativas, no entanto, não incomodam a atriz. "Acho estimulante. É uma novela inovadora e arriscar nunca é fácil. Tenho a seguinte visão: não é porque é criticado que é ruim ou que invalida a qualidade do produto que estou fazendo", afirma.
Entrar com a novela já começada fez com que a atriz tivesse menos tempo para construir a personagem. Com o preparador Sergio Penna, Letícia focou na relação de Vitória com a mãe, Berenice, papel de Fernanda Vianna. "Ela vai para a Comunidade por ter problemas com a mãe e se arrepende logo que chega lá. Só de contar a relação de mãe e filha, eu já acho válido", pontua, comparando a história de sua personagem com a sua própria. "Tenho uma relação maravilhosa com a minha mãe. Ela me ajudou em tudo, me levava para todos os testes", conta, emocionada. Além disso, a atriz precisou passar por algumas mudanças para encarnar Vitória. "Estava loura. Tinha acabado de pintar o cabelo quando recebi o convite. Mas, como o elenco já tem várias meninas louras, tive de escurecer", revela. Para ela, no entanto, essas mudanças não são incômodas. "Quanto mais tiver de mudar, melhor", garante.
Talvez as grandes modificações tenham chamado a atenção de Letícia para "Amor Veríssimo". A série, uma coprodução do GNT com a Conspiração, retrata, em cada um de seus 13 episódios, crônicas de amor escritas por Luís Fernando Veríssimo. A atriz está presente em sete episódios, que também contam com Fernanda Paes Leme, Pedro Monteiro, Marcelo Faria, Paulo Tiefenthaler e Gabriela Duarte. "Fui tirando referências de filmes, amigos e familiares para compor essas mulheres. Foi um trabalho prazeroso e trabalhoso", revela. Para diferenciar os personagens, o processo de caracterização foi fundamental. "Ficamos um mês e meio em uma casa de 10 cômodos no Rio de Janeiro e a maioria das gravações acontecia ali. Para entrar no clima de cada episódio, tinha figurino, maquiagem, peruca... Era uma super produção", valoriza.

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