Nos mares da vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de maio de 2009
Katia Michelle 
Uma velha prancha de surf herdada do irmão mais velho foi a inspiração que a paranaense Bruna Schmitz precisava para decidir o que queria ser quando crescesse. Ela tinha apenas nove anos, já morava em Matinhos, no litoral do Paraná, e fazia escolinha de surf durante o verão. Mas nem no inverno, ela queria deixar o que, a princípio, era diversão. Minha mãe viu o meu interesse e começou a me ajudar, conta a jovem, hoje com 19 anos, e a primeira paranaense a integrar a lista das 16 melhores surfistas do mundo, de acordo com o circuito WCT.
Alcançar posição tão almejada não foi por acaso, e Bruna precisou driblar muita onda para chegar onde está. Natural de Salto do Lontra, ela mudou-se para Curitiba com poucos meses de vida e, aos sete anos, foi morar no Litoral paranaense. Foi lá que começou a se interessar pelo esporte. Fez escolinha junto com o irmão e se dedicava tanto que a mãe trocou a velha prancha e as roupas rasgadas que a menina usava por equipamentos profissionais. O incentivo logo deu resultado aos 11 anos, Bruna já era convidada para surfar nas praias do Equador.
Mas engana-se quem vê apenas o lado bacana de um convite como esse. E Bruna conta a experiência. Foi horrível, eu sentia muita falta da minha mãe e a comida era muito ruim. Passei mal diversas vezes e tive até insolação, lembra a menina, que viajou com o técnico e outros potenciais surfistas. A experiência, no entanto, ajudou a futura surfista profissional a se posicionar na carreira e a saber que nem tudo que enfrentaria seria uma maré calma. E como quem está na água quer se molhar, de preferência em ondas gigantescas, ela também fez da experiência um crescimento.
A partir daí viajou por vários países e pelo Brasil, tanto para treinar como para participar de competições. Aos 13 anos conquistou um campeonato e, de quebra, uma viagem para o Havaí. Dessa vez, ela viajou sozinha. Tive vários imprevistos. Fui esquecida no aeroporto por conta de um erro de comunicação, mas mesmo assim foi uma experiência incrível, que contribuiu muito para o meu amadurecimento, revela.
Passar a infância e a adolescência dessa forma tão pouco convencional não foi exatamente um problema para a garota. Ela conta que muitas vezes sentia falta de casa, mas sabia que que o que estava vivendo era uma oportunidade única. E agarrei todas as oportunidades, salienta. A escola não ficava em segundo plano. Pelo contrário. Muitas vezes, Bruna passava noites em claro para dar conta do recado e retribuir a aposta de professores e diretores que sempre foram camaradas. O fato de eu ser atleta me ajudava. Muitos professores aplicavam provas fora do horário e me passavam trabalhos para fazer em casa e compensar as faltas.
Por isso, Bruna não via a hora de terminar o ensino médio para poder dedicar-se integralmente ao esporte, o que está fazendo agora. Ainda vou dar um tempo para fazer faculdade, avisa. E a jovem vai precisar de muito tempo para treinar. No próximo mês, ela embarca para África do Sul, para participar de provas de divisão de acesso que podem alavancar sua posição mundial no ranking do surf. E para quem quer seguir carreira semelhante, ela dá a dica: Não pode desistir. A gente sofre no começo, mas depois é só alegria. Olhando o sorriso da moça, alguém duvida?


