Responda rápido. Qual é o maior sonho de qualquer fã? Estar perto do ídolo, claro. Fã que é fã se aglomera no aeroporto, em frente ao hotel e não falta a nenhum show, onde faz questão de estar lá no gargarejo. Quanto mais perto melhor. Pois Jerry Silvani e Reginaldo Torres vão além destes ligeiros contatos com os artistas. Não que eles sejam fãs de carteirinha de nenhuma dupla sertaneja ou astro do rock. Na verdade, faz parte do trabalho da dupla esse contato direto com artistas que faturam discos de ouro, platina e o que mais houver em premiação.
Os dois são produtores de camarim, aqueles que não deixam faltar nada, mas nada mesmo, antes, durante ou depois de cada show. São eles que se preocupam com o que os artistas vão comer, beber e até mesmo o que vão ver, já que decoração é sempre um item importante no trabalho da dupla. Este ano, Jerry e Reginaldo trabalharam em todos os shows da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, além de viajar pelo Paraná, São Paulo e Santa Catarina em espetáculos de Djavan, Jota Quest e Sandy e Júnior.
‘‘Eu sempre trabalhei com eventos’’, lembra Reginaldo, que promovia festas em Sertanópolis, onde voltou a morar, depois de uma temporada no Rio de Janeiro. E foi em terras cariocas que conheceu Jerry, e por conta das afinidades paranaenses (Jerry mora em Londrina) e profissionais, acabaram formando a sociedade, que existe há três anos. Nesse meio tempo, a dupla já teve a oportunidade de trabalhar com todos os ‘‘tops’’ da família sertaneja, de Chitãozinho e Xororó a Daniel, passando por Rick e Renner e Zezé di Camargo e Luciano.
Mas, para Jerry Silvani, a glória mesmo foi o trabalho no camarim de Roberto Carlos. ‘‘Ele mostrou uma humildade ímpar e por isso é o Rei’’, conta Jerry, que também não vai se esquecer do show de Caetano Veloso. Já para Reginaldo, o mais marcante foi estar ao lado de Rita Lee. Falta alguém? ‘‘Ainda vou trabalhar com Zé Ramalho’’, garante Reginaldo. E se a pergunta for justamente o contrário, do tipo com quem nunca mais trabalhariam, Jerry responde rápido: ‘‘Paula Toller, do Kid Abelha’’.
‘‘A história dos camarins mudou, hoje, eles são a casa do artista antes dos shows, é onde ele se concentra, recebe os fãs, por isso mesmo tudo tem que estar perfeito’’, explica a dupla, que se esmera nos mínimos detalhes e conta com mobília e decoração para os shows em Londrina. ‘‘Nas outras cidades, as lojas já conhecem a nossa credibilidade’’, lembram.
Para o ano que vem, Jerry e Reginaldo já têm compromissos agendados e confirmados e que vão além do trabalho nos camarins. Em Londrina, promovem o show dos Raimundos, no último dia do vestibular, e fazem ainda o Carnaval de Laguna, Santa Catarina. Também nos planos da dupla fazer parte do staff do Rock in Rio. ‘‘Mandamos nossos currículos e estamos aguardando a resposta’’, contam. ‘‘Mas também gostaríamos de fazer parte de uma grande produção’’, diz a dupla, que gostaria de cair na estrada atrás de um astro apenas.
Em média, os dois participam de 10 a 12 shows por mês. ‘‘As pessoas não imaginam como é corrido’’, dizem.

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