Negócio de família
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Leandro Calixto<BR>TV Press 
Para conquistar uma vaga em ''Malhação'', Dado Dolabella precisou ''ralar'' como qualquer aspirante. Filho dos atores Carlos Eduardo Dolabella e Pepita Rodrigues, o jovem de 21 anos passou por uma bateria de testes até assumir o papel do machista Robson. Antes, Dado havia sido reprovado em seleções da emissora para a novela ''Vila Madalena'' e a minissérie ''Aquarela do Brasil''. ''Tenho orgulho de estar conquistando meu espaço sozinho. Mas é claro que o sobrenome me deu uma certa referência'', reconhece Dado, que atualmente é o ator que mais recebe cartas na Globo, com média 300 por semana.
A formação familiar vem sendo fundamental para Dado manter o equilíbrio nesta fase de transformação em sua carreira profissional e também na vida pessoal. A influência dos pais serviu para ele ter disciplina e também para não se deslumbrar com a carreira artística. ''Eles pedem para sempre manter os pés no chão porque esta profissão é muito instável'', enfatiza.
Apesar de conviver com a fama dos pais desde cedo, Dado conta que ficou muito surpreso com a repercussão de seu personagem. E só se deu conta disso quando resolveu ir ao cinema no Rio, cerca de um mês depois de ter estreado. ''As pessoas ficaram me olhando de uma maneira muito estranha. Fiquei sem graça e acabei indo embora'', recorda o ator, sem esconder o bom humor com a situação. A surpresa foi maior ainda porque o personagem interpretado por Dado é um sujeito meio machista e vaidoso. Ele imaginava que o público não seria tão receptivo por causa do caráter do Robson.
Para o ator, estrear numa novela como ''Malhação'' é outro motivo de orgulho. Ele acha que foi-se o tempo em que o seriado era encarado como um laboratório. E dá como exemplo a participação de atores experientes e consagrados na televisão, como Lucélia Santos, André De Biase e Bia Seidel. ''Outro bom motivo que me dá prazer de integrar este programa é a audiência que Malhação vem tendo. A novela vem mantendo uma média acima dos 30 pontos'', vibra Dado.
No entanto, o que mais chama atenção do jovem ator é o conteúdo do programa. Ele lembra que os autores começaram a explorar com mais contundência temas educacionais, sociais e até políticos. Dado ainda espera receber um convite para fazer uma novela no horário nobre na emissora, com a qual tem contrato até abril de 2002.
A idéia de ingressar na carreira artística veio após um ultimato dos pais em forma de chantagem financeira. Como já estava com 18 anos completos e ainda não havia decidido qual carreira seguir, o pai cortou a mesada. ''Ele disse que já estava cansado de me sustentar e mandou eu ir à luta'', lembra Dado, que acha que o empurrão paterno foi fundamental. O ator reconhece que estava realmente estagnado e sem nenhuma perspectiva profissional. Foi então que decidiu ingressar em cursos de teatro. E por esta razão também que ele considera positivo o fato de não ter passado nos primeiros testes. ''Se estivesse começando a profissão já com um grande trabalho, talvez não tivesse me esforçado tanto como agora'', pondera.
Quando foi preterido em outros trabalhos, o ator conta que procurou se enfurnar no curso de teatro. ''No Tablado, realmente aprendi alguma coisa'', enfatiza. Mas antes de tentar a sorte como ator, Dado chegou a jogar no juvenil do CFZ, do Rio de Janeiro, clube que pertence ao ex-jogador Zico. Mas a influência familiar falou mais alto. ''Desde criança, achava que um dia iria acabar caindo nesta vida artística também'', admite o ator.


