‘‘O vestido de noiva é um artigo especial. E é muito bom poder participar do sonho dessas mulheres para uma data tão marcante’’, diz Karina, que transita com desenvoltura entre dois mundos, o prático e o artístico


A estilista curitibana Karina Kulig costuma dizer que nasceu numa caixinha de costura. A brincadeira tem fundamento. Os pais dela, donos de uma das malharias mais antigas de Curitiba, criaram os três filhos com uma premissa: assim que faziam 15 anos, eles começavam a trabalhar. Com Karina não foi diferente, exceto por uma característica peculiar: a moça começou entre números, cursou Administração de Empresas e durante muitos anos foi responsável pela área comercial da grife do irmão, o também estilista Jefferson Kulig, antes de descobrir que também tinha talento para criação e decidir seguir seu próprio caminho.
Em meados da década de 90, Karina abriu uma grife de biquínis. Alinhavou muita coisa desde então, conciliando o trabalho administrativo ao lado da família com seu próprio negócio. Depois de uma longa temporada em São Paulo - em que, além de gerenciar o showroom do irmão e o da loja dos pais na Oscar Freire, uma das ruas mais luxuosas da capital paulista - começou a trabalhar com roupas de festas. Era o princípio de uma longa jornada. Em 2007, Karina decidiu voltar para Curitiba e, no ano seguinte, abriu seu próprio ateliê, focado em roupas de festas e de noivas.
A aposta nesse mercado não aconteceu por acaso. ''O vestido de noiva é um artigo especial. É um dia único na vida da mulher e tem um aspecto cultural também'', conta argumentando que desde muito cedo as crianças já são apresentadas para um mundo encantado, de príncipes e princesas, em que o dia especial é o casamento. ''E é muito bom poder participar do sonho dessas mulheres, criando um vestido para uma data tão marcante'', diz.
E a partir dos vestidos, novas demandas foram surgindo e Karina foi ampliando sua área de atuação. Primeiro foram os acessórios. ''As mulheres provavam os vestidos e queriam combinar com acessórios que não encontravam no mercado'', conta a estilista. Então, ela começou a desenhar colares e pulseiras únicas com a assinatura de quem tem talento para brilhar. Não demorou para acontecer o mesmo com os sapatos. Hoje, Karina desenvolve peças únicas que são confeccionadas em uma fábrica de Porto Alegre e outra de Curitiba.
Karina costuma lançar duas coleções por ano. Para criar os catálogos, sempre com uma qualidade primorosa na produção, ela conta com a ajuda do marido, o fotógrafo Antônio Wolf. Ele assina as fotos das ousadas produções da estilista, mas também dá vários palpites durante o desenvolvimento das peças. ''Costumo dizer que ele é um visionário. Sempre antecipa as tendências e me estimula muito a correr atrás do que quero. Foi ele quem percebeu, por exemplo, que esse mercado de festas estava em crescimento e me apoiou para que eu investisse nisso''.
Mas Karina também tem suas intuições e já vislumbra novos mercados para a grife que leva seu nome. Este ano vai lançar uma grife para daminhas, inspirada no mercado infantil que não para de crescer. Uma nova coleção de roupas, mais casual, também deve ser lançada pela estilista no segundo semestre deste ano. Para a nova marca, que ainda não tem nome, ela vai contar com a ajuda do produtor paulista Jota Pig, que já está em Curitiba e atua em parceria com a estilista.
Os planos para o segundo semestre do ano também incluem uma viagem de pesquisa por Londres, Paris e algumas cidades do Leste Europeu. Karina vai buscar inspiração para as próximas coleções, sempre modernas e ousadas, características que já viraram marca registrada da estilista.
Questionada sobre essa transição do trabalho na área comercial, ao lado da família, para a área extremamente criativa que permeia sua atuação, ela confessa que, no início, foi ''um choque'' para todos. ''Eles me perguntavam porque eu precisava investir numa outra grife se a família já tinha um trabalho consolidado, mas depois entenderam e hoje cada um atua em um espaço bem diferenciado'', conta.
A vantagem é que ela transita com desenvoltura entre os dois mundos, o prático e o artístico, e consegue desenvolver um trabalho único dentro da área que escolheu. Agora, Karina costura com as próprias linhas o seu destino.

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