André Bernardo
TV Press
Eduardo Moscovis ainda estava às voltas com o corrupto Reginaldo, de ‘Senhora do Destino’, quando recebeu o primeiro de uma série de telefonemas misteriosos de Walcyr Carrasco. Na secretária eletrônica, o novelista dizia apenas: ‘‘O gato subiu no telhado’’. Sem decifrar o conteúdo enigmático das mensagens, Moscovis preferiu ignorá-las. Até que, um dia, Walcyr resolveu ser um pouco mais direto e o convidou para protagonizar sua próxima novela, ‘Alma Gêmea’, no papel do botânico Rafael.
  Logo, o ator começou a conciliar os últimos capítulos de uma novela com os primeiros de outra. Apesar do corre-corre, simplesmente não conseguiu dizer ‘‘não’’ para Walcyr. Afinal, foi ele quem deu a Moscovis a rara oportunidade de interpretar um tipo cômico na tevê, o matuto Petruchio, de ‘O Cravo e a Rosa’, de 2000.
  Cinco anos depois, o ator volta ao horário das seis – e às novelas de época – como o romântico Rafael, que perde a mulher Luna, interpretada por Liliana Castro, morta a tiros num assalto, mas acredita que ela tenha ‘‘reencarnado’’ numa bela mestiça de nome Serena, vivida por Priscila Fantin. ‘‘Sou do tipo que não desacredita de nada. Reencarnação, alma gêmea, pensamento positivo... Para mim, tudo é possível’’, garante ele.
  Aos 37 anos, Moscovis festeja a chance de interpretar o que ele costuma chamar de outro tipo ‘‘torto’’ na tevê. Ao contrário dos galãs que marcaram o início de sua carreira na Globo, o ator não esconde uma certa predileção por papéis que o ajudem a desconstruir a imagem de bom-moço. ‘‘Ao longo da carreira, tenho tido a sorte de viver personagens que não são necessariamente estereotipados como galãs. Honestamente, espero que continuem me chamando para papéis desse tipo. São os mais desafiadores’’, confessa.
  Quanto ao Rafael, o ator não acha que ele seja necessariamente romântico e galanteador. ‘‘Num primeiro momento, sim, ele faz o tipo apaixonado. Quando conhece a Luna, por exemplo, experimenta uma dessas paixões arrebatadoras. Mas depois, quando perde a mulher, se fecha completamente. Fica opaco, amargo... Desiste, inclusive, de criar rosas. Ou seja, ele não tem muito esse tom romântico e sedutor. Agora, eu sou do tipo que ainda manda flores. Pena que, com o tempo, a gente vá perdendo um pouco desse romantismo. Mas, às vezes, você tem também a oportunidade de resgatá-lo. Mas não através de datas comemorativas. Dia disso ou dia daquilo. Isso soa forçado para mim. Mas acredito, sim, no romantismo. Sem ser piegas, o que é difícil. Ou sendo, por que não?
  Segundo ele, uma das vantagens de fazer uma novela de época é justamente a oportunidade de interpretar um sujeito que ama e que se dilacera por esse amor. ‘‘Isso é que é legal... Numa dessas paixões arrebatadoras, você chega a levitar, a temperatura do corpo muda... Você ensaia muito e, na hora H, faz tudo errado. Quem nunca passou por isso? Acho bárbaro participar de uma novela que fala sobre alma gêmea numa época tão confusa e descartável como a nossa. As relações andam muito conturbadas, instantâneas... Pessoalmente, acredito na idéia de alma gêmea, independentemente da relação homem/mulher.’’

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