NAS ESPIRAIS DE CHARUTOS E HOTÉIS
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A vida do empresário Alceu Vezozzo Filho talvez tivesse menos graça se ele não fosse envolvido com a hotelaria em tempo integral, e nem tivesse como momentos de repouso e contemplação um bom charuto cubano. Embora tenha sido apresentado a um charuto em 1983, só em 1991 é que iria conhecer um autêntico cubano. A partir daí nada seria como antes: De cara senti a diferença entre ele e o resto do mundo. Quanto à hotelaria a história é outra: seu pai ergueu o primeiro Hotel Bourbon, em Londrina, em 1963. Alceu tinha quatro anos de idade, cresceu nesse ambiente e adotou-o como se fosse oxigênio. Hoje é o diretor-geral da rede Bourbon Hotel e Resorts.
Para o empresário, hotelaria e charuto têm praticamente o mesmo peso de importância e paixão em sua vida. Mas, é claro, se botar na balança ganha o hotel. Ele preenche minha vida 24 horas por dia, e não me canso de trabalhar nisso. O charuto, por sua vez, tem a qualidade de me fazer economizar dinheiro, porque funciona perfeitamente como calmante e antiestressante. Sou um homem muito feliz. Eu só tenho que agradecer a Deus.
Por duas vezes Vezozzo viajou até Cuba especialmente para participar em Havana do Festival Habano. A última foi em fevereiro deste ano. O evento reúne pessoas de todo o mundo ligadas ao comércio e produção e também apreciadores que cumprem uma agenda diversificada desde visitas aos locais de plantio e fabricação até discussões sobre falsificação e contrabando do produto.
Tem gente que, por política, não fuma cubano. Mas charuto não tem cores ideológicas, ele é prazer, afirma. Para deixar bem claro que é um hábito salutar, define a distância que separa cigarro do charuto: Cigarro é ansiedade, charuto é degustação. Dizer que no fundo todos são fumantes é quase uma ofensa para ele: Ninguém vai fazer degustação para matar ansiedade e depressão. Quem fuma charuto não traga, essa é uma diferença básica.
Dono da Casa Dell Habano, franquia internacional de uma butique de charutos cubanos, que funciona no bar do Hotel Bourbon, em Curitiba, e da Havano Sul, empresa distribuidora no Sul do País, Alceu Vezozzo Filho comemora um mercado em expansão. É um hobby, um hábito muito fácil de ser mantido. Você com uma caixa de fósforos e uma guilhotina para cortar a ponta do charuto que custa de três a cinco reais já faz a festa.
O empresário reconhece que há uma aura em torno do assunto como se fosse o supra-sumo do charme e da sofisticação, mas isso é produto da propaganda. Até acaba ajudando, concorda. Mas a vida se torna assim? Nem tanto céu, nem tanto terra: É muito agradável o momento em que você degusta charuto, argumenta.
Essa é uma das paixões de Alceu, porque a outra, claro, é a hotelaria. Ele conta:
Quando o primeiro Bourbon foi aberto em Londrina, em 1963, eu estava com quatro anos. De lá para cá esta foi minha vida. Tenho 40 anos, então há 36 anos estou frequentando, vivendo, respirando hotel. Sinto que é uma tradição na família. Temos um nome estabelecido, é uma alegria mas é também uma responsabilidade. Porque a manutenção de um nome é uma coisa muito séria, e nós pensamos muito nisso e trabalhamos continuamente.
O empresário conta que em Atibaia (SP) está sendo construído um novo resort da rede. Será o maior complexo hoteleiro do Brasil. Terá 550 apartamentos, 10 mil metros de centro de convenções num terreno de 400 mil metros quadrados, a 60 quilômetros da capital, anuncia.
Para uma pessoa como ele, que vive seu o dia-a-dia mergulhado na administração hoteleira, como é que ficam as férias? Hospedar-se onde quer que seja, não teria um gostinho de que o ambiente lembra trabalho? Alceu reafirma sua paixão:
Quando viajo, é como se estivesse em casa. Sinto-me bem, gosto, e acontece de algumas vezes preferir ficar no hotel a sair a passeio. É como se eu estivesse no meu território. Esse é o meu hábitat.





