Nada santa
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2009
Márcio Maio<br> TV Press 
Durante muito tempo, Letícia Sabatella encarnou na tevê personagens tão bondosas e, muitas vezes, com traços religiosos, que parecia a um passo da canonização. Mesmo quando era escalada para interpretar tipos mais vulgares ou imorais, como garotas de programa, seus papéis ganhavam traços suaves e delicados. Mas ela espera que essa imagem esteja definitivamente enterrada com as vilanias da sedutora Yvone, de Caminho das Índias. Na história de Glória Perez, a psicopata tem um passado misterioso, mente que é médica e, desde os primeiros capítulos, apunhala pelas costas a suposta melhor amiga Sílvia, de Débora Bloch. ''Eu estava precisando voltar de outro jeito. Tinha de ser uma surpresa para todos'', explica.
A astúcia impressa no texto de Yvone é tanta que Letícia diz que faz questão de conversar com Débora Bloch de vez em quando. Segundo ela, para que as duas evitem que Sílvia apareça como boba demais no ar. ''É importante que fique bem claro para o público que a minha personagem tem esse poder de enganar e seduzir muito forte. Não é a Sílvia que é burra'', enfatiza.
O envolvimento de Letícia com a história tem sido tão forte que a atriz faz questão de assistir às cenas de Yvone. E confessa que, algumas vezes, chega a se emocionar com o sofrimento causado pelas maldades que sua personagem comete. ''Já chorei algumas vezes vendo o drama da Sílvia na tevê. Coisa de telespectadora mesmo. Acho que esse é um dos trabalhos mais importantes que já fiz'', observa.
Aos 37 anos, Letícia Sabatella se orgulha do extenso currículo que conquistou na tevê. A atriz estreou nas novelas na pele da inocente prostituta Taís, em O Dono do Mundo, em 1991, e desde então não parou mais. Dois anos depois, reapareceu na tevê, novamente na pele de uma garota de programa, Salete, em Agosto, seu primeiro trabalho com Glória Perez. Na época, Letícia acabara de passar pela experiência de, aos cinco meses de gestação, dar à luz Clara, fruto de seu casamento com o também ator Ângelo Antônio. A menina precisou ficar três meses internada até poder sair do hospital. ''Já passei por várias experiências na vida que me fizeram amadurecer muito'', suspira, sem perder o ar angelical.
A primeira protagonista veio em 1994, na novela 74.5 - Uma Onda no Ar, exibida pela Manchete. No ano seguinte, voltou para a Globo, também para protagonizar, ao lado de Marcos Palmeira, o remake de Irmãos Coragem. Foi sua primeira experiência, como ela mesma se refere, com ''mocinhas que rezam''. Mas o ''ápice'' da fase de personagens religiosas aconteceu mesmo em 2006, quando encarnou a noviça Lavínia em Páginas da Vida. O papel não cresceu tanto quanto o autor Manoel Carlos prometeu na época do lançamento. E, por ironia do destino, foi responsável pela perda de um trabalho que poderia ter marcado a atriz na tevê. Ela era uma das opções de Gilberto Braga para interpretar as gêmeas Taís e Paula em Paraíso Tropical, depois de noticiada a gravidez da então escalada Cláudia Abreu. Mas como Letícia estava no ar na trama de Maneco, Alessandra Negrini faturou a oportunidade de encarnar as irmãs. Agora que conseguiu sua primeira vilã em folhetins, Letícia espera continuar diversificando suas atuações. ''Não quero fazer sempre a má ou a boa. Só desejo o que venho conseguindo: a diversidade mesmo dentro de perfis que possam parecer semelhantes''.


