Na rota do luxo
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sábado, 15 de maio de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
A londrinense Sônia Sahão é o que se convencionou chamar de cidadã do mundo. Saiu Londrina com destino a São Paulo para fazer um curso de especialização em comércio exterior e acabou se tornando representante, no Brasil, do Hotel Plaza Athénée, de Paris. No rastro do sucesso, veio a proposta para assumir a representação da Clinique La Prairie, uma espécie de templo de revitalização e beleza na Suíça. Em ambos os projetos, o mesmo fio condutor. ''São segmentos de luxo, voltados para um público bastante diferenciado, classe AA'', explica.
De sua casa em São Paulo, próxima ao coração da metrópole, na Avenida Paulista, a empresária coordena os negócios, escreve livros e artigos sobre hotelaria e turismo, além de dar palestras sobre o amor como ferramenta de marketing. Quando os compromissos permitem volta a Londrina.
A trajetória dourada de Sônia começou por acaso, quando foi convidada a trabalhar na área de comunicação social do Hotel Ceasar Park, no início dos anos 1980. Formada em direito e cursando especialização em comércio exterior, ela já tinha no currículo passagens pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e pelo cerimonial do Palácio Iguaçu, em Curitiba. Ao aceitar o desafio, não imaginou que daria uma guinada na carreira. ''De hóspede de hotel, eu comecei a trabalhar do outro lado e tomei gosto pela coisa''.
Embora o nome Sahão esteja ligado ao ramo hoteleiro em Londrina, Sônia esclarece que a família nunca trabalhou no setor. ''Meu avô construiu um hotel, mas nunca administrou, só arrendou. A família tocou por um tempo e possivelmente, se Deus quiser, vai trabalhar novamente junto'', revela.
Sagitariana com ascendente em Leão, ela não se deixou levar pelas críticas quando resolveu montar uma empresa de marketing para fazer a comunicação de produtos de luxo internacionais no Brasil, em 1998. ''Todo mundo me chamava de louca'', lembra. Depois de cinco idas a Paris e dois anos de persistência, a empresária finalmente assinou o contrato com o Plaza Athénée. ''A Clinique La Prairie foi uma resposta ao meu trabalho, nem precisei ir atrás.
Sônia explica que a sua função é ser uma espécie de embaixadora do Plaza no Brasil. ''Faço toda a parte de estratégia de marketing, comunicação e eventos''. Já como representante da Clinique La Prairie projeto bem recente ela vai ser a responsável pelas vendas dos tratamentos de beleza. Para poquíssimos e bons, diga-se de passagem, já que quem quiser passar pelas mãos dos habilitados profissionais terá que ir até a Suíça.
Hotéis para sonhar Não bastasse o sucesso como empresária, Sônia também se dedica às letras. Já escreveu três livros, entre eles, duas biografias. A primeira sobre um pioneiro londrinense, o avô Salim Sahão, e a segunda sobre Takeharu Akagawa, nome importante na área de turismo no Brasil. Em 1999, publicou ''Alô alô herdeiros'', pela editora da UEL, ''uma mensagem para que as famílias nunca briguem''. E atualmente está escrevendo o quarto título, dessa vez sobre o que ela mais entende e gosta hotéis.
O projeto será duplamente prazeroso já que, para realizá-lo, a empresária vai ter que viajar pelo mundo, sua maior paixão. ''Selecionei 20 hotéis, alguns eu já conhecia; outros estou indo conhecer'', conta. De Paris a Nova York, de Buenos Aires a Hong Kong, ela promete listar os melhores entre os melhores. ''São hotéis para sonhar'', diz, adiantando o título do livro, cuja renda será integralmente revertida para entidades assistenciais de São Paulo e Londrina.
Curiosamente, apesar de ter o luxo como foco de trabalho, ela garante não ser muito ligada a coisas materiais. ''Sempre gostei muito de aproveitar a vida no bom sentido, de conhecer lugares novos, me comunicar com as pessoas. Tendo ou não tendo dinheiro, eu falava: 'eu vou'. Se você não pode ficar num top de linha, fique em um lugar mais simples, mas vá. Os momentos que a gente tem na vida, que Deus dá para a gente, são muito preciosos''.
Seguindo essa filosofia, Sônia já se hospedou em todos os tipos de lugares mundo afora, incluindo abrigos de estudantes. ''Viajar é o que eu mais gosto de fazer, acho que é o dinheiro mais bem empregado. A experiência que você adquire viajando, os contatos, os amigos, as coisas que você aprende não há fotografia que mostre nem dinheiro que pague'', diz a empresária.


