Recentemente, a modelo Gisele Bundchen foi eleita pela revista americana Rolling Stone como a mais bela garota do mundo. Além disso, assinou um contrato de 24 milhões de dólares com a grife de lingeries Victoria’s Secret e ainda passeia com o ator Leonardo DiCaprio (os fofoqueiros de plantão dizem que eles estariam namorando, mas nenhum dos dois confirma). Nada mau para uma garota de 20 anos saída da minúscula Horizontina.
Mas mesmo muito antes do sucesso de Gisele, garotas (e também garotos) sonham em se tornar modelos de sucesso, seja para passarelas, capas de revistas ou comerciais de televisão. Vai negar? Pois agora a procura aumentou ainda mais, graças principalmente ao momento brasileiro no mercado internacional – tanto com modelos, como com os estilistas.
Na semana passada, a convite da empresária Desirée Soares, o olheiro da agência Mega Anselmo Camaleão esteve em Londrina para um contato imediato de primeiro grau com aspirantes a modelos. Dos 120 candidatos apenas três passaram da primeira fase, que consistia numa bate-papo ligeiro e em um desfile por uma passarela imaginária. Claro que a fita métrica também marcou presença. Da altura às medidas de pernas, cintura, quadris, tudo foi devidademente checado por Camaleão.
Apesar da inseparável fita métrica, o olheiro afirma que ‘‘não existem regras para a escolha de um novo modelo’’. Há cinco anos no mercado, Camaleão trabalha na agência Mega há três anos e meio como ‘‘descobridor de novos rostos’’. No currículo de ‘‘descobertas’’, o olheiro orgulha-se de ‘‘ser o responsável pelos melhores modelos masculino da nova geração’’, como o catarinense Álvaro Jacomossi, que estava passeando em um shopping center de Florianópolis.
Segundo Camaleão, os shoppings centers são, sem dúvidas, locais de trabalho. ‘‘É muito mais fácil encontrar novos modelos nas ruas do que em seleções. Muitos modelos que eu descobri nem pensavam em seguir carreira’’, conta.
Em geral, as modelos estão chegando ao mercado cada vez mais cedo, ‘‘mas não aconselho ninguém a começar a carreira antes dos 15 anos’’, avisa. ‘‘Se eu encontro uma garota de 12, 13 anos, sigo acompanhando de longe até que ela complete 15 anos’’, explica Camaleão, que diz ter paciência para esperar de dois a três anos por uma modelo em potencial. ‘‘Peço que elas cuidem da saúde e da alimentação, porque não é só a beleza externa que conta’’, ensina. Além disso, a dica de Camaleão para as futuras modelos é não parar de estudar, principalmente a língua inglesa.
‘‘É uma responsabilidade muito grande dizer para uma menina que ela vai ser modelo, que ela terá que mudar de cidade, entre outras mudanças, se você não tem certeza de que ela dará certo’’, explica Camaleão, que diz não arriscar com garotas que tenham menos de 1,72 m.
Para Camaleão, o Paraná aparece em segundo lugar quando o assunto é beleza feminina, perdendo apenas para as gaúchas. Entre as paranaenses bonitas, Camaleão cita as curitibanas Isabeli Fontana e Vanessa Greca e a londrinense Fabiana Semprebom. O Rio Grande do Sul também surge como celeiro de homens bonitos, dividindo as glórias com os mineiros. ‘‘Minas tem homens lindos e que são muito educados’’, conta Camaleão.
‘‘Para mim, a coisa mais feia é gente mal-educada’’, explica o olheiro. ‘‘Na verdade, a modelo tem que ter um conjunto do bonito, como nariz, olhos, boca e corpo, além de ter personalidade e educação’’, completa. E educação, segundo ele, é um dos pontos fortes das brasileiras que fazem sucesso lá fora. ‘‘Além de lindas, elas têm muita disciplina, simpatia e determinação’’.
Educação também é a palavra-chave para Camaleão escapar de certas situações, como é ter mãe que vem apresentar a filha que ela tem certeza que vai ser modelo. ‘‘Ninguém tem o direito de impedir o sonho de outra pessoa’’, diz. Mesmo assim, ele garante que se sai bem. ‘‘Sua filha é linda, mas não acredito que ela possa seguir carreira de modelo’’.
É, o mercado é restrito. Gisele Bundchen que o diga.

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