Na elite da narração esportiva
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sábado, 06 de setembro de 2014
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
Os últimos meses foram de grandes realizações e emoções para o londrinense Júlio Oliveira, de 49 anos. Em junho e julho, o narrador do Sport TV foi um dos oito entre os 23 narradores do canal pago a participar da transmissão dos jogos do mundial da Fifa. "A Copa do Mundo foi maravilhosa. Eu já tinha feito dois grandes evento no canal, a Copa Africana de Nações, primeiro evento na África depois da Copa do Mundo de 2010, e as Olimpíadas, logo que cheguei no canal. Mas a Copa no Brasil foi especial. O maior evento esportivo do mundo feito no Brasil e com o Brasil jogando... Eu diria que foi o melhor momento da minha carreira até agora", revela.
Dentre os jogos mais marcantes da maratona de 30 dias na Copa, Júlio destaca a primeira e a última partida narradas por ele. "O primeiro porque foi meu primeiro jogo em Copa do Mundo. Uruguai e Costa Rica. O Uruguai era favorito e a Costa Rica a azarona, mas no fim a Costa Rica ganhou, surpreendeu todo mundo e até se classificou para as oitavas", relembra. Já no último jogo, o narrador precisou deixar o lado torcedor de lado para contar a história de Brasil x Holanda, na decisão do terceiro lugar. "Foi um jogo difícil até de fazer, um jogo pós 7x1 então jornalisticamente ele tinha um contexto muito mais importante até do que um jogo de futebol. Todo mundo estava olhando para aquele jogo para ver o que ia acontecer e o Brasil perdeu de novo", conta.
Outra grande emoção foi vivenciada em agosto no Estádio do Café, durante a partida entre Londrina e Santos pela Copa do Brasil, que contou com grande significado para o narrador pé-vermelho. "Foi muito especial. Londrina é a cidade em que eu nasci, cidade onde nasceram meus dois filhos, cidade em que eu cresci, em que eu me formei e onde eu aprendi a trabalhar. Eu estive na inauguração do Estádio do Café, já joguei bola lá, já cobri o Londrina, então eu tenho um envolvimento com a história daquele lugar. Por isso, voltar e fazer um jogo do time da minha cidade é uma alegria muito grande", valoriza.
Foi na cabine do Café, aliás, que Júlio fez suas primeiras narrações quando ainda trabalhava como jornalista em uma emissora local. "A cabine em que eu fui transmitir esse último jogo era a cabine em que eu ia aos domingos narrar o jogo do Londrina e que nada era aproveitado. Na época, o repórter ia fazer a matéria e eu ia junto para ficar na cabine narrando o jogo para assistir depois no estúdio e aprender a narrar". De acordo com Júlio, isso aconteceu várias vezes durante suas folgas até surgir a oportunidade de narrar de verdade. "Minha primeira narração foi uma final de campeonato amador no Vitorino Gonçalves Dias (VGD) entre Lerroville e Tamarana ou Bela Vista, não me lembro bem. Devia ter 50 pessoas no estádio e foi horrível. Hoje eu assisto e vejo que foi um terror", relembra aos risos.
Formado em jornalismo, Júlio deixou uma carreira consolidada em Londrina para tentar ser narrador. "Meu caminho é inverso. Primeiro trabalhei em rádio, depois fui para a televisão e quando já estava na televisão é que fui fazer jornalismo", conta. Em 2008, depois de 12 anos e meio na TV, Júlio resolveu se arriscar. "Eu estava há muitos anos na emissora. Já era apresentador, editava o jornal... Eu sempre fui uma pessoa que gostei de coisas novas, de desafios, por isso, achava que era hora de arriscar alguma coisa."
Para isso, o narrador se mudou para Curitiba, em 2010, onde começou a narrar os jogos de times paranaenses como freelancer. Dois anos depois, Júlio foi contratado pelo Sport TV e hoje integra o time de narradores do canal no Rio de Janeiro. Filho do árbitro Afonso Vitor de Oliveira, Júlio sempre esteve ligado ao esporte. "Meu pai foi árbitro de futebol. Então eu vivi dentro do campo desde pequeno. Sempre gostei muito de praticar esporte. Já joguei handebol, joguei futsal, disputei campeonatos paranaenses na época em que os jogos escolares eram fortes", relembra.
Torcedor do LEC, Júlio diz não ter problema em revelar o time do coração. "Deixar o lado torcedor de lado você aprende desde cedo. Aprendi muito no jornalismo também. Quando você vai fazer uma reportagem de bronca de rua, por exemplo, você sabe que a pessoa tem total razão, mas a sua matéria é aquilo ali, os dois lados. E na hora que você está transmitindo é a mesma coisa", diz. "No jogo em si você torce para que o evento seja bom."


