Prestes a completar 25 anos de televisão - a estreia foi em ''Corpo Santo'', na extinta Manchete, em 1987 -, Marcelo Serrado admite que, atualmente, enxerga a carreira de forma mais crítica. ''O ator tem de entrar para ganhar. Só que isso tem de ser feito na humildade. O mercado é muito pequeno. Então, você não pode fazer as coisas de forma mediana'', analisa o intérprete do afetado Crô, de ''Fina Estampa'', da Globo. A visão competitiva do ator carioca de 44 anos fica evidente quando ele para para pensar sua trajetória na tevê, marcada por personagens sem muita visibilidade no longo período em que esteve na Globo, e dos protagonistas vividos por ele na Record, depois que estreou na emissora, em ''Prova de Amor'', de 2005. ''Mostrei que era capaz de interpretar personagens ousados e diferentes. Quero continuar nesse caminho. Gosto de correr riscos. Ainda mais quando eles dão certo, como é o caso do Crô'', comemora Marcelo, que voltou à Globo este ano, a convite do autor Aguinaldo Silva.
Em ''Fina Estampa'', Crô é o apelido de Crodoaldo Valério, mordomo da mansão da histérica Tereza Cristina, de Christiane Torloni. ''Ele 'faz tudo' para a patroa e se define como um 'personal all'. É uma relação de devoção'', conta. Delicado e elegante, além de aturar os ''pitis'' da perua, Crô mantém uma história própria, cujo o destino anima Marcelo. ''Ele tem um namorado misterioso. O Aguinaldo fugiu do 'quem matou?' e o segredo da trama é 'quem é o namorado?''', ressalta, aos risos.
Com 18 novelas no currículo, seu nome é bem conhecido do grande público. No entanto, o Crô é o primeiro personagem realmente popular de sua carreira. Como encara essa repercussão?
Ele realmente é bem popular. Caiu no gosto do público. Recentemente, fui apresentar minha peça no Nordeste. Estava no aeroporto e muitas pessoas vieram falar comigo, me cumprimentar. Senhoras, crianças, jovens, todo tipo de gente! Fiquei impressionado. É a primeira vez que isso acontece comigo.
Para você, o que faz do Crô um personagem tão querido?
Depois de algumas conversas, Aguinaldo, eu e o diretor Wolf Maya decididos que iríamos humanizar o personagem ao máximo. Estou sempre em busca da verdade do personagem. Então, eu quis fazer um gay não estereotipado. Ele não é apenas solar e alegre. Tem uma melancolia, uma dor dentro dele.
Sua estreia no posto de protagonista foi em ''Prova de Amor'', de 2005, na Record. Você acha que retornar à Globo em um papel de destaque tem a ver com os papéis principais que desempenhou na outra emissora?
Não tenho dúvida disso. Ir para a Record foi uma decisão acertada e um dos momentos mais importantes da minha carreira. Passei anos padronizado por um tipo de personagem. Isso só acabou quando fui para a Record. Foi uma grande virada. Hoje sou visto pelo mercado de outra forma.
Você tem algum receio de novamente ser escalado para fazer apenas personagens parecidos, como os inúmeros bonzinhos que você interpretou durante os anos 90?
Foram muitos, né? Mas acho que faz parte. E tem tanta gente que faz isso. Me sinto um ator mais preparado para fazer tipos diferentes. Acho que tive de passar por tudo isso para ser o profissional que sou hoje. Sou muito mais seletivo e rigoroso. Comecei a recusar papéis que pudessem me limitar a fazer mais do mesmo. E, com certeza, não faria de novo alguns trabalhos. Tenho um critério maior porque acredito mais em mim. Levo minha profissão a sério e quero poder chegar ao nível de fazer sempre papéis instigantes.
A caracterização do Crô é realmente marcante. Isso facilita na hora de entrar no personagem e gravar?
Me ajuda muito. Eu ponho a roupa e o personagem já vem. Fico dando pinta nos corredores do Projac. É quando o trabalho de composição vem à tona: ele tem sempre uma mão apoiada na cintura e mexe bastante os quadris, corre de forma tímida, fala sempre usando as mãos, os dedos, tudo para frisar as coisas. E a voz dele tem um tom baixo, elegante. É um personagem de composição, mas feito com verdade.
''Fina Estampa'' - Globo - Segunda a sábado, às 21h.
Quase tendência
O processo de composição para dar vida ao Crô causou algumas alterações na rotina de Marcelo Serrado. Principalmente, no quesito vaidade. Logo depois das primeiras conversas com Aguinaldo Silva e Wolf Maya, o ator sentiu que teria de se cuidar mais. Por isso, intensificou os exercícios físicos, privilegiou uma alimentação mais saudável e passou a usar cremes anti-idade. ''Passei a dormir com creme rejuvenescedor no rosto e fazer barba com produtos especiais. Além disso, corro bastante, luto boxe e faço aula de alongamento e dança para dar uma soltada no quadril'', confessa, aos risos.
Fora esses cuidados com o corpo e com a pele, Marcelo aproximou-se do universo fashion. Passou a prestigiar mais os desfiles das semanas de moda e a conversar com seus amigos ''fashionistas''. ''Não era um mundo tão desconhecido para mim. Mas sou desligado. Estou sempre de jeans e camisas básicas. E o Crô é totalmente antenado, com roupas modernas e apertadinhas'', explica.

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