Regina Casé já teve vergonha de fazer tevê. Nos anos 70, quando integrava o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, a atriz era da turma que exaltava o teatro experimental e os filmes de vanguarda. Naquela época, a televisão era considerada pelo restrito grupo de ''intelectuais'' um veículo ''menor'', sem relevância cultural. Trinta anos depois, a atriz e apresentadora do quadro ''Minha Periferia'', passou a defender ferozmente a televisão. ''Essa é a única opção de diversão para milhões de pessoas. A tevê é a mídia do Brasil. É o que fazemos de melhor'', constata a carioca de 53 anos.
O interesse pela tevê aumentou quando Regina começou a mostrar o lado mais alegre das classes menos favorecidas. A atriz, que começou a carreira em 1978, em novela da Globo, logo enveredou para o humor em programas como ''TV Pirata'', em 1988. Mas foi com o ''Programa Legal'', em 1992, que Regina passou a apresentar as facetas das periferias e favelas na tevê.
De lá para cá, foi praticamente uma militância em tentar discriminalizar a produção cultural da pobreza, em programas como ''Muvuca'' e ''Central da Periferia''. ''Sofro para caramba fazendo tevê. Se você faz um filme, ele passa em milhares de lugares, vai para festivais. Na tevê, faço um programa com o mesmo empenho e ele só vai ao ar uma vez. É cruel'', lamenta a atriz.
Ao falar do quadro no Fantástico, Regina diz que ''a pobreza é digna de ter alegria''. Para ela, essas milhares de pessoas carentes sofrem preconceito apenas por ter o endereço da favela, além de serem pobres e negras. ''Não tenho falsa modéstia de ser uma pioneira. Caminho com a intenção de ver como todos podem conviver juntos com as diferenças e ter as mesmas oportunidades, a mesma escola. É uma questão de justiça.
Hoje em dia, quando vou num restaurante bom, as pessoas me rotulam, dizem que eu sou da periferia. 'Você aqui?'. Falo: ''Sou uma mulher livre, posso circular em qualquer lugar. A vantagem é que frequento locais onde muitos não entram' (risos). Não vou criar personagens. Moro no Leblon, tenho uma casa ótima, vou a qualquer lugar. Mas vou com muita frequência às favelas. Não faço isso para ajudar os pobres, os negros, ou ser legal. Tudo que eu reconheço como alegre, que é o samba, o Carnaval e a feijoada, vem dos pobres''.
Regina Casé não disfarça o orgulho de estar envolvida em diversos projetos sociais na tevê. Além das produções que já apresentou na Globo exaltando a periferia, há sete anos a atriz comanda ''Um Pé de Quê'' no canal Futura.
Para facilitar a produção de seus projetos na tevê, a Regina costuma produzir seus programas através da Pindorama Filmes, em que é sócia com seu marido, o produtor Estevão Ciavatta. A dupla também produziu a série ''Cidade dos Homens'', em 2005, na Globo, o primeiro programa dirigido por Regina na tevê. ''A Pindorama é fundamental nos meus projetos. Me dá mobilidade de subir no morro com minha equipe e, se a barra pesar, ir embora. Não tenho compromissos de depender da produção da Globo. Isso me dá autonomia'', avalia.

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