Curitiba - Depois de gravar três Cds com músicas próprias e outros em parcerias com músicos de renome, como o trombonista carioca Raul de Souza, radicado na França, o baixista paranaense Glauco Solter se prepara para mais uma longa empreitada musical. Vai lançar um novo disco e já tem duas turnês internacionais agendadas para 2010. Uma vida agitada para quem já pensou em largar a música para fazer Direito, depois de levar uma bronca do avô alemão, quando decidiu que queria mesmo era viver da arte. ''Confesso que tive uma crise de identidade'', brinca Solter. Crise resolvida, lá se vão mais de duas décadas de carreira e experiências profissionais diversificadas que lhe renderam ampla bagagem musical.
Natural de Cascavel, Solter acostumou-se a ouvir música já na infância, por influência da mãe, professora de inglês, e do pai, engenheiro agrônomo. Veio para Curitiba com a família aos quatro anos e, aos 15, estudando Eletrônica, tomou contato com a música profissional. ''Eu já arranhava um pouco de piano, mas meus amigos queriam montar uma banda e precisavam de um baixista''. Foi assim que ele teve a primeira experiência com o instrumento que dominaria como poucos ao longo de sua carreira. Aos 16 anos, já tocava profissionalmente e, aos 19, foi para São Paulo a convite de um amigo para tocar em alguns bares.
''São Paulo me trouxe uma outra velocidade de pensamento. Quando voltei para Curitiba, parecia que as pessoas estavam em câmera lenta'', lembra. Pouco tempo depois, ele se lançaria para a primeira aventura fora do País. Foi primeiro para Alemanha, onde encontrou o avô, e depois para Inglaterra. A burocracia dos dois países ligada à política de imigração impediu o músico de ficar mais tempo e o que era para ser uma temporada de dois anos, reduziu-se a dois meses de pesquisa e estudo, em passagens pela Holanda, Itália, França e Portugal.
De volta a Curitiba, ele chegou a pensar em desistir da profissão na primeira crise com a carreira musical. ''Acho que esse tipo de crise é normal. Acontece quando a gente questiona o próprio talento''. Solter questionou, mas não deixou de apostar no que realmente gostava de fazer. ''Eu não acredito que a vida seja fazer algo que te deixa feliz depois ou nos finais de semana'', salienta. Nessa época, comprou um amplificador e passou a tocar nos principais bares voltados ao jazz em Curitiba. Não demorou para começar a ser reconhecido pelo seu jeito peculiar de tocar e pela dedicação.
Desde então, Solter acumula participações em festivais brasileiros e de destaques mundial, como o Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. Também passou uma temporada no Berklee College of Music, em Boston, antes de voltar para o Brasil e radicar-se novamente em Curitiba, cidade que ele diz não trocar por nenhuma outra do mundo. Em 2004, ele começou a tocar com o mestre do trombone Raul de Souza e já acumula turnês com o músico por dezenas de países.
''Não conheço nenhum brasileiro que more fora que tenha alcançado a felicidade plena, por isso, prefiro sempre voltar para a minha cidade'', diz o músico, de 39 anos. E o que é a felicidade plena? Para ele é estar em paz consigo mesmo e ter problemas fáceis de resolver. ''Porque livre dos problemas - que na verdade são desafios - você nunca está'', conclui.

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