Múltiplas funções
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sábado, 14 de abril de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Falante, extrovertido e extremamente simpático, o londrinense Eduardo Dias só se cala mesmo - e por uns poucos instantes, diga-se - quando precisa definir a sua profissão. ''Rótulo? Pode ser versátil, tipo velcro, que a gente coloca e tira quando precisa'', define.
Se fosse assim mesmo, ele precisaria de muitos metros de velcro, já que é dançarino, ator, diretor, figurinista, cenógrafo, coreógrafo, personal stylist e o que mais a criatividade permitir. E ele ainda faz questão de lembrar que tem a preocupação de fomentar a classe artística da cidade.
No melhor estilo filho pródigo que a casa retorna, Dias passou bem mais de uma década morando longe da terra vermelha. Ainda adolescente decidiu ir atrás de formação acadêmica em dança. Foi parar em Curitiba, atraído pela ótima fama do Teatro Guaíra, e também ''porque o frio da Capital me apetecia'', recorda-se. Logo engatou também aulas de artes cênicas e por tempo de trabalho acabou conquistando o título de ator na carteira profissional.
Nos dois últimos anos, Dias foi o responsável pelo desfile das candidatas à Rainha da Exposição de Londrina. O que era inusitado e desafiador no ano passado, acabou se transformando em delícia muito bem saboreada. ''Estranhei um pouco no começo, mas adorei o clima familiar. Foi muito divertido. Elas (candidatas) não são profissionais, mas se entregam e confiam em mim'', conta Eduardo, que fez a coreografia e ainda ajudou a escolher a trilha sonora. ''Criamos uma música nova'', explica.
Não, não é hábito de político falar na terceira pessoa do plural. Quando ele fala em ''nós'', é porque não esconde que teve ajuda importante de outros parceiros. ''Gosto de ter uma rede, uma corrente de profissionais porque cada um faz bem uma coisa'', ensina, lembrando sua missão de fomentador. ''Um chama o outro e todo mundo faz aquele bafo'', diverte-se.
Depois de Curitiba, Eduardo passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Camboriú. Em Nova York, que ele chama de Paraíso, morou cerca de três anos até que resolveu voltar para a terra natal. ''Meu pai estava doente'', conta, sem se arrepender da decisão. ''Não é o lugar, mas sim você estar legal ou não'', ensina.
''Mas acho legal morar em outros lugares para conhecer e não só passar por eles'', diz. ''Tem muitas coisas me chamando para a Espanha agora, mas estou feliz em Londrina. Esta cidade é o máximo'', avisa. Quando alguém reclama, ele logo enumera uma lista de lugares para visitar.
Filho de um alfaite e de uma costureira, Eduardo cresceu entre linhas e agulhas e afinou o olhar para uma modelagem perfeita. ''Mas não sei costurar'', relata. Em compensação sabe bordar muito bem. E até já usou suas habilidades na confecção de muitos figurinos.
Respirando teatro por longos anos, nada mais natural que ele fosse se interessando por outras funções de bastidores, como a de figurinista. ''Você sabe o que funciona na luz, os tecidos que dão bom efeito no palco'', conta. E assim, ele também se aventurou na direção e na iluminação. Até que um dia topou o desafio de participar de uma banda, a Les Stop Betty. ''Foi precursora da dance music nos anos 80'', lembra Eduardo, que era um dos dançarinos.
De volta a Londrina, mesmo depois de tanto tempo longe, as amizades de infância e adolescência ainda estavam intactas. E foram elas que o colocaram no mercado de trabalho, principalmente no setor fashion. Suas experiências novaiorquinas ainda fresquinhas e seu olhar antenado chamaram a atenção. Virou logo personal stylist - ''até mala dos outros eu costumo fazer. Fotografo os looks prontos e a pessoa não precisa se preocupar com isso'' -, produtor de desfiles e stylist.
Muito além do glamour, Eduardo conta que não se envergonha de ter que carregar caixas pra lá e pra cá, quando é necessário. ''No teatro tem muito isso, não dá pra ficar parado'', explica.
No momento, ele pesquisa o figurino para um espetáculo ''de adolescente para adolescente que será montado em Curitiba e deverá rodar o Brasil. É um musical multimídia'', adianta Dias, que avisa estar mergulhado no mundo adolescente. ''Sou notívago. Se não puder dormir, não preciso'', garante. Afinal, para quem tem que se multiplicar em tantas funções, as 24 horas do dia são realmente muito pouco tempo.


