Se é verdade que as mulheres se casam com os homens ''certinhos'', mas se sentem atraídas pelos ''cafajestes'', Alexandre Borges está com a faca e o queijo na mão. Isso porque, na pele do Alberto, de Belíssima, o ator, mais uma vez dá vida a um tipo que abusa de um charme malandro em suas conquistas amorosas. Foi assim com o Danilo, de Laços de Família, ou com o Luis Cláudio, da minissérie Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados.
Fora da tela, contudo, Alexandre é o protótipo do bom moço. Casado há 13 anos com a atriz Júlia Lemmertz, com quem tem um filho e uma enteada, o ator assume a postura de um pai de família que vive para o trabalho e para a família. E, apesar das diferenças com seu personagem, o ator o absolve. ''O coração ficou amolecido depois que o filho foi morar com ele'', defende.
Ao falar sobre Alberto, o ator revela que acha o personagem interessante justamente porque numa hora ele é vilão, na outra é mocinho. ''Ele não se preocupa em fazer as coisas certas. É um cara sem uma moral pré-estabelecida. Um empresário que lida com dinheiro, negócios. Eu busquei esse mote do empresário paulistano, que não tem tempo a perder, está sempre atrás de dinheiro. E as coisas que atrapalham são postas de lado. A personalidade dele depende muito da situação em que ele se encontra. Isso é bom porque traz uma humanidade para o papel, porque nós somos assim. Quem é sempre bonzinho, sorridente e simpático? O Alberto tem esse dado que me inspira muito, uma versatilidade muito grande no mesmo personagem''.
Alexandre Borges não se assusta com a fama de sedutor. O ator não sabe bem porquê, mas é geralmente associado a tipos que se utilizam de muito charme e um certo cinismo para ''enfileirar'' conquistas amorosas. E mesmo quando deu vida a tipos que fugiam a esse estereótipo, segundo o ator, ele não interpretava personagens muito ''certinhos'', caso do problemático Cristiano, de Celebridade. ''Nunca fiz o mocinho ou o galã, mas sempre tipos estranhos ou com certa polêmica. Sempre na minha carreira estive ligado a personagens com uma libido muito grande, com coisas sensuais e conquistas'', observa.
Aos 39 anos e com uma carreira consolidada, Alexandre Borges tem uma trajetória eclética. Foi seduzido pelo teatro ainda na infância, graças ao pai, diretor teatral. Começou a estudar interpretação na adolescência e, aos 18 anos, se profissionalizou. A maior projeção, no entanto, só veio em 1995, através de sua participação na minissérie Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados. As tórridas cenas com Cláudia Raia e o apelo mais sensual do personagem acabaram despertando o interesse pela figura do ator que, por sua vez, acabou seduzido pela televisão. ''Aprendi muito fazendo tevê, tanto atuando quanto vendo atores consagrados trabalhando'', derrete-se.
Apaixonado pelo teatro e pela mística do ator, Alexandre não poupa elogios a colegas como Lima Duarte e Irene Ravache. Para ele, as gerações que vieram antes da sua deixaram um caminho bem pavimentado, a ponto dele considerar o Brasil uma referência no que diz respeito às artes cênicas.
Enquanto segue emendando trabalhos na tevê, o ator sonha com uma volta aos palcos para interpretar um texto clássico. Entre seus autores prediletos ele cita, sem hesitar, Shakespeare e Moliére. ''Na tevê e no cinema não há nada com o qual eu sonhe fazer. Mas o teatro tem uma infinidade de personagens apaixonantes.''
Independentemente dos papéis que interpreta na tevê, Alexandre se diz satisfeito com os rumos de sua carreira. O ator debutou na telinha vivendo um bandido em Guerra Sem Fim, da extinta Rede Manchete, em 1993. Já no ano seguinte foi para a Globo, onde vem conseguindo manter uma frequência quase anual de trabalhos em novelas e minisséries. Sempre com boa receptividade por parte do público. ''Sou um cara com muita sorte, não esperava que minha carreira tomasse uma dimensão tão popular.''
Quando o assunto é a atriz Julia Lemmertz, sua mulher, Alexandre é só elogios. ''Apesar de jovem, ela é uma veterana. Eu aprendo muito com ela, a gente troca idéias e eu respeito muito o jeito com o qual ela encara a profissão, com sabedoria e dignidade. É um exemplo vitorioso, já batalhou muito pelo seu espaço, teve de buscar alternativas, nunca se fixou num só tipo de personagem ou veículo. Desde a adolescência que já atuava, tinha uma mãe famosa... Ela teve uma trajetória no teatro, quando abriu mão de um certo sucesso. Como marido, fico super orgulhoso e feliz de ter participado de momentos importantes da carreira dela nos últimos 13 anos''.
Com a vida profissional consolidada, Alexandre Borges dá prosseguimento ao trabalho sem pensar muito no futuro. Ao mesmo tempo em que atua na tevê, sempre que possível dá expediente também no teatro ou nos sets de filmagem. No momento, ele está na telona como protagonista do longa Gatão de Meia Idade, inspirado no personagem de Miguel Paiva.
Em parceria com a Poli Filmes, o ator montou um espaço cultural em um shopping de São Paulo. São três salas o cine-arte Lilian Lemmertz; o teatro Plínio Marcos e a sala experimental Lineu Dias. ''Meu pai descobriu isso há seis anos, nós gostamos, fizemos uma reforma e entramos em sociedade com a distribuidora de cinema. Eu investi um dinheiro com a Júlia e meu pai administra. E continua lá, eu fico dando uma força de longe. Mas é uma coisa de recursos nossos, a gente mantém. E as pessoas usufruem, como novos grupos de teatro, de quem cobramos uma taxa mínima de manutenção e eles têm condições de se apresentar''.

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