Uma senhora de aproximadamente 65 anos, cabelos bem grisalhos e livro nas mãos espera em uma imensa fila, no Shopping Mueller, de Curitiba, para o autógrafo da autora. De vez em quando, a mulher tira da bolsa um celular com capa de estampa de oncinha, posiciona o telefone como se fosse tirar uma foto. Volta a colocar o aparelho na bolsa. Ela repete mais uma vez a cena, talvez para verificar se o celular tem bateria e a câmera funciona bem. A "sessentona" antenada no smartphone não era a única pessoa "madura" que esperava um autógrafo da ex-VJ da MTV e apresentadora do programa "Lugar Incomum" (Canal Multishow), Didi Wagner. A noite de autógrafos atraiu vários senhores e senhoras igualmente grisalhos, sozinhos ou acompanhando crianças. Mas a grande maioria do público que foi ao mall para o lançamento da quarta edição do livro "Minha Nova York" era formada por adolescentes e jovens.

O perfil bem eclético de público agrada Didi. "Quero achar que eu ainda sou bem jovem. Estou brincando", diverte-se a apresentadora, que se formou em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo, cidade onde nasceu e morou até se mudar para Nova York em 2006. Ela acredita que muitas pessoas que estavam na fila do Shopping Mueller acompanham a sua trajetória de 15 anos na TV, desde a estreia na MTV em 2000. "Mas tem também o mérito do Multishow", diz Didi, lembrando que o "Lugar Incomum" é um programa que está tendo uma audiência cada vez mais abrangente. "Antes era bem nichado, um público dos 18 aos 35 anos. Agora, essa faixa etária se expandiu para baixo e para cima". Por meio do "Lugar Incomum", ela circulou por muitos bairros e cantos da Big Apple atrás de lugares e personagens inusitados.

Didi morou durante cinco anos em Manhattan. Ela conta que chegou com marido, duas filhas, algumas roupas e se instalou em um apartamento sem móveis. E precisou se virar e viver como uma nova-iorquina de verdade, que leva filhos à escola, vai ao supermercado e ao médico. Em 2011, voltou com a família - agora com a terceira filha - para São Paulo. Mas sempre dá um jeito de voltar à "Cidade que Nunca Dorme". Quanto ao "Lugar Incomum", depois dos Estados Unidos, a série já passou por países como Tailândia, Suíça, Japão e França. A última temporada foi filmada em Portugal. Ela tem vontade de fazer um guia reunindo locais onde o programa já passou. "Mas vamos ver. Quem sabe", faz mistério.

Em Curitiba, o lançamento do livro "Minha Nova York" aconteceu na noite de 3 de setembro, com direito a drinques, comidinhas e uma DJ animando o local, que ganhou um clima de festa. Didi Wagner atendeu aos fãs com muita paciência. Não só autografou os guias, mas ouviu as histórias dos leitores, contou curiosidades e não fugiu dos selfies, que logo em seguida iam parar nas redes sociais. Ela diz que "lida superbem" com os pedidos de fotos. "A gente só fica rezando para sair bonita na foto. Para não ficar vincada embaixo do olho", brinca. "As pessoas dizem que me viram não sei onde e eu penso: será que me viram nervosa, será que me viram irritada. Porque sou humana e tenho esses momentos. Anteontem mesmo briguei na recepção de um hotel no Rio de Janeiro porque uma coisa saiu de maneira equivocada. Acontece. No geral eu tento ser cordata, educada, respeitosa. Mas a gente tem momentos de estresse como todo mundo", confessa.

O guia chegou à quarta edição, sendo que as três primeiras versões venderam mais de 20 mil unidades. Quem comprou as mais antigas e pensa em viajar para a Nova York com as "didicas" da apresentadora, talvez seja melhor pensar em adquirir a edição mais recente porque o livro foi revisado e atualizado. Foram excluídos lugares que fecharam, estão em reforma, ou perderam o posto de "dica mais bacana", para outros que surgiram. Tudo de acordo com as idas e vindas de Didi à Big Apple. "Esta quarta edição é revisada e atualizada, ou seja, tem muita coisa nova. Saíram coisas que a gente considerava que não valia mais a pena indicar, que eu não achava mais bacana na cidade. Também teve uma revisão de dados técnicos", comenta.

O leitor também encontrará novos apps para se locomover, um mapa interativo no Google Maps e nova classificação de hotéis (por bairros) e restaurantes (café, almoço, jantar e brunch). Dividido em 12 capítulos, o livro traz desde as dicas básicas do "tem-que-ver", passando por uma intensa programação infantil, comentários sobre restaurantes dos mais "sujinhos" aos mais "finos", peças de teatro imperdíveis, hotéis onde o mundo se encontra, bares onde conhecer verdadeiros nova-iorquinos e uma lista de baladas inesquecíveis.

Mesmo com o preço do dólar desanimando os brasileiros, há um capítulo totalmente dedicado às compras. Didi dá o mapa da mina para quem curte liquidações poderosas e também não abre mão de encontrar roupas estilosas e artigos de design. O guia, da Editora Pulp, tem 288 páginas e custa R$ 45.

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