Se a atriz e professora de artes cênicas Silvanah Santos pudesse definir sua vida em uma palavra, definiria em ‘‘representar’’. A paranaense, nascida em Guarapuava, descobriu o teatro ainda na escola. Depois veio a faculdade (ela se formou na primeira turma de Artes Cênicas da Faculdade Artes do Paraná-FAP), um caminho que a levou ao sucesso de ter conquistado o prêmio de melhor atriz no troféu Gralha Azul em 97. Foi quando a atriz interpretava Electra, já dentro do companhia teatral Satyros, uma parceria dela com Rodolfo Garcia Vázquez e Ivam Cabral, que rendeu ao grupo sucesso internacional.
Hoje os Satyros já têm anos de estrada e uma experiência de seis anos nos palcos europeus. ‘‘Resolvemos excursionar pela Europa em 1992 e acabamos ficando por lá durante seis anos’’. A peça que os levou a cruzar os mares foi ‘‘Filosofia de Alcova’’, um sucesso de crítica e público no Brasil, baseado na obra do Marques de Sade. A ida para Portugal, onde o grupo montou uma sede da companhia e desenvolveu uma série de oficinas com artistas de lá, rendeu um grande amadurecimento para a atriz, através dos ensinamentos que passava aos alunos portugueses. ‘‘Ensinar num outro País foi emocionante, à medida que você passa conhecimento, você vai aprendendo cada vez mais’’, conta a empolgada atriz, que acredita na efervescência da teatralidade como combustível para sua vida.
Ao longo destes anos, a atriz que já interpretou também Medéia e que não pode ser enquadrada em um estilo por já ter feito desde comédias até dramas bem pesados, foi se dedicando cada vez mais ao teatro. Hoje, Silvanah respira teatro o tempo todo. Solteira, ela não pensa em como seria sua vida se tivesse optado por uma maneira tradicional de viver. ‘‘Para mim não existe uma obrigatoriedade de ser outra coisa que não seja atriz’’. Eu optei por correr atrás, por ir ao mundo através do teatro. O artista não pode ficar parado’’. Este discurso, de forma alguma, tira a sensualidade e a fragilidade da atriz; ela simplesmente canaliza as emoções para a arte de ensinar e representar e não sente falta de ter uma vida convencional.
Por essa forma feminina de viver o teatro, Silvanah recebeu recentemente uma grande homenagem do escritor e jornalista da Folha, Zeca Corrêa Leite. Amigos há bastante tempo, desde a época em que trabalharam na Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba, as conversas sobre a grande paixão do escritor por personagens femininas como Elis Regina, acabaram por inspirá-lo a escrever uma série de poemas para serem interpretados por Silvanah. ‘‘Estas conversas aconteceram quando eu estive de passagem pelo Brasil e ainda vivia em Portugal, por isso ele ia me entregando os textos. Fiquei super feliz’’. A montagem do texto de Zeca, ‘‘500 Vozes’’, já está em processo de finalização, e Silvanah sobe aos palcos curitibanos no dia 19 de abril. Embora a Companhia tenha hoje uma sede em São Paulo, a peça vai estrear na Capital paranaense. Neste trabalho, a atriz vai chegar muito perto da essência feminina de todas as brasileiras. A mulher que Zeca imaginou é uma interiorana que tem valores intimistas e também universais. Será um novo momento na carreira da atriz, quando ela poderá interpretar um pouco de si mesma e também trazer à tona um personagem nascido na visão de um homem tão sensível como o poeta Zeca Corrêa Leite.

mockup