Muito além dos jardins
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sábado, 05 de outubro de 2002
Karla Matida<BR>Reportagem Local 
Em uma conversa com um amigo, em julho deste ano, o biólogo Eduardo Ferrarezi descobriu que o que fazia tinha nome: personal flower. ''Ele é personal trainer e quando eu expliquei o que estava fazendo, veio com o nome'', lembra Ferrarezi. A invenção que nasceu da conversa dos amigos ainda hoje desperta o interesse das pessoas que querem saber o que realmente faz um ''personal flower''. ''O nome aguça a curiosidade das pessoas e a receptividade é muito boa'', garante.
''Tenho dois tipos de clientes, aqueles que gostam de flores e plantas, mas não levam jeito, e os que gostam, mas não têm tempo para cuidar'', explica Eduardo. Seu trabalho inclui desde a ''jardinagem mais básica, as podas, as trocas de substratos, ao paisagismo e até mesmo o registro fotográfico'', completa.
''As fotografias me ajudam como material de pesquisa quando um cliente, por exemplo tem uma planta ou flor que eu não conheço. Como não posso trazer os vasos para casa, faço fotos. Algumas pessoas também gostam de ter as fotos para guardar'', conta o personal flower.
''Todos que conheço gostam de flores. Hoje o estilo de vida das pessoas é estar mais próximo da natureza. Isso nem é mais tendência, é um fato'', diz. ''A pessoa começa com uma vaso, depois outro e é muito fácil estar com 150'', conta Ferrarezi, que também presta assessoria para quem quer montar um viveiro de plantas mas não tem nem idéia de como começar.
E o começo para Eduardo foi como um hobby. ''Agora virou trabalho'', explica. Como personal flower visita os clientes semanalmente e coloca a mão na terra mesmo. ''Sempre quis ser autônomo'', lembra Ferrarezi, que nos finais de semana ainda ensaia com a banda Grenade. É o baterista. ''Como não tenho chefe, posso viajar para os shows sem problemas. É só conversar com os meus clientes'', diz.
Na faculdade, antes de se dedicar totalmente às plantas, o personal flower estudava pequenos animais. ''Mas como para documentar os achados tinha que matá-los para fazer a taxidermia (processo de empalhar animais) foi me dando uma agonia muito grande'', lembra. ''Foi com as plantas que me encontrei realmente'', explica.
Para o personal flower, o trabalho com as plantas exige três itens: amor, conhecimento e tempo. ''Em geral, a maioria das pessoas só tem o amor''. Além dessa paixão pelas plantas, Eduardo ainda entra com o tempo e o conhecimento. ''Uso muito a Internet para pesquisar novas espécies'', ensina.
''Você não procura um açougueiro para tratar seus dentes. Com as plantas tem que ser a mesma coisa'', explica Eduardo. ''Um profissional como eu vai ter os instrumentos adequados e não vai usar aquela tesoura que também abre a caixinha de leite para podar as plantas'', compara.
No trabalho paisagístico o personal flower também busca um diferencial para fugir do tradicional quando possível. Um dos seus clientes acaba de aceitar um projeto com plantas até então tidas como inusitadas em um jardim. ''Vou usar mamona e capim porque ele (cliente) avisou que não queria algo que desse muito trabalho'', diz. ''O cliente ainda aprovou o efeito estético'', conta orgulhoso.
''Os orquidófilos são os amigos das orquídeas, eu me considero um amigo das plantas em geral'', completa.


