Curitiba - Quando era criança, a curitibana Andréa Tosato divertia-se ao ver a mãe e a avó costurando e customizando os mais diversos modelitos de roupas. A atividade era uma distração familiar, mas, anos mais tarde, revelou-se como uma verdadeira vocação para Andréa. Formada em Psicologia, como a mãe, ela trilhou um longo caminho profissional e viajou bastante antes de montar a Villa Mariantonio, um democrático espaço em Curitiba, que une moda, cultura e gastronomia. Um conceito diversificado que ela começou a aprender em família e desenvolveu nas inúmeras viagens que fez para fora do País, e que resume um pouco da sua personalidade cosmopolita.
  Influenciada pela mãe e pela avó, Andréa sempre se encantou com a possibilidade da transformação que as linhas e tecidos proporcionavam. Tanto que, aos 15 anos, enquanto as amigas garimpavam lojas em busca de roupas novas para as festas, ela costurava as próprias peças. Aos 16 anos, Andréa foi trabalhar em uma franquia de uma grife nacional, em Curitiba. ‘‘Aprendi muito vendo a qualidade dos tecidos e dos modelos das roupas’’, conta. Aos 19 anos, a curitibana seguiu para Itália, onde morou com amigos, mas a crise naquele país a obrigou a voltar seis meses depois.
  Cursou Psicologia na PUC, seguindo os passos da mãe, e chegou a pensar em seguir carreira. A faculdade, porém, a ajudou a compreender ainda mais o universo da moda e do comércio e a fez ter vontade de continuar na área de moda. ‘‘Eu sempre fui uma boa vendedora. Entendia o que as pessoas queriam só de vê-las entrar na loja’’, gaba-se, complementando: ‘‘Eu busco entender o papel que as pessoas querem representar com aquela roupa. Se a mulher quer ser mais discreta ou quer ser sexy, por exemplo’’.
  Nessa época, enquanto trabalhava na loja, Andrea teve uma filha. Aos 22 anos, ela se viu entre a responsabilidade de criar sozinha uma criança, trabalhar e terminar os estudos. Dedicada ao trabalho, logo ela foi chamada para gerenciar e montar um projeto ousado – o que seria o primeiro bar conceito de uma grife de roupas na capital paranaense. Mas um convite para voltar a Itália a fez mudar de ideia e ela partiu para Firenza.
  Por lá, foi literalmente bater na porta de uma loja de casacos de couro. Investiu um pequeno capital para trazer algumas peças para o Brasil, quando vinha visitar a família. Por aqui, vendia todas as peças e cada vez mais aumentava o número (e o valor) das compras na Itália, o que chamou a atenção do proprietário. Logo, ele a convidou para trabalhar na loja, onde Andréa complementou sua experiência, representando a marca e tratando com clientes das mais variadas etnias.
  Na segunda ‘‘temporada’’, Andrea ficou quatro anos na Itália até decidir, por motivos pessoais, retornar ao Brasil. ‘‘Eu tive que começar do zero. procurei emprego em anúncio do jornal, mas não queria voltar ao que eu já fazia antes’’. Foi com essa premissa, que ela abandonou a última fase de uma entrevista de emprego, em que já tinha sido aprovada em todas as etapas, para investir num sonho antigo. ‘‘Quando vi que estava dando um passo atrás, eu não quis seguir com a entrevista. Voltei para casa e comecei a desenhar uma pequena coleção’’, lembra. Com a ajuda da mãe e resgatando tecidos, linhas, e rendas da avó, ela montou sua primeira coleção, com 70 peças de camisetas customizadas e que foram todas vendidas em tempo recorde. Nascia assim, a versão estilista da psicóloga curitibana.
  Novas coleções foram surgindo – sempre com bastante aceitação – até que, em 2006, Andrea decidiu alugar um espaço para comercializar as peças. No Bairro Batel, ela encontrou uma casa antiga, que batizou de Villa Mariantonio, uma homenagem à filha, Maria, e ao avô, Antônio. ‘‘Também sou devota de Santo Antônio’’, conta Andrea, que já ficou noiva quatro vezes, mas nunca se casou. ‘‘Recentemente recebi a encomenda do meu primeiro vestido de noiva. Ainda quero desenhar o meu’’, brinca.
  A primeira proposta da ‘‘vila’’ unia moda e estética, mas logo ela percebeu que o espaço podia ir além. Associou-se a Daniela Bonancin e a um investidor italiano para transformar a vila em uma reunião de novas ideias. Daniela é responsável pela marca Asiarte, que reúne móveis e objetos de decoração de diversos países asiáticos, e que agora podem ser encontrados na Villa Mariantonio. Tecidos trazidos por ela também são aproveitados por Andrea para personalizar roupas, que ela costuma confeccionar sob encomenda ou utilizando a moulagem, técnica de construção da roupa sobre manequins. ‘‘Não desenho antes. Acho que o desenho distancia da realidade’’, opina.
  A moulagem tem agradado quem já é cliente cativo da estilista, e recentemente ela recebeu uma encomenda para fazer um vestido de noiva. O próximo passo é entrar nessa área, além dos vestidos de festas que já confecciona. Por enquanto, ela se dedica ao espaço diversificado da Villa, um conceito que ela acredita estar em expansão. ‘‘As pessoas não querem só comprar, querem um espaço para aprender, visitar, tomar um café e encontrar os amigos’’, argumenta.

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