Mudança de hábito
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sábado, 14 de março de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Então aluna de uma das mais prestigiadas escolas de moda do mundo, a novaiorquina Parsons que formou top estilistas como Marc Jacobs, Donna Karan, Tom Ford e Alexander Wang , a londrinense Duda Schietti vivia um ótimo momento. Já havia se formado em São Paulo, onde trabalhou com criação em um ateliê de moda festa, e embarcou para Nova York para uma temporada de aprimoramento.
"Depois de seis meses, no início de 2013, acordei com o lado direito do rosto paralisado. Depois comecei a piorar, tinha tontura, não conseguia andar direito. Morava sozinha, fiquei desesperada, liguei para minha mãe e ela foi pra lá", lembra Duda, que procurou um médico norte-americano. Depois de uma ressonância, o diagnóstico foi um tumor no cérebro. "O médico disse que era em uma área inoperável e que eu teria que ficar com aquilo e voltar dali um mês porque meu corpo ia absorver", conta.
"Só que meu pai é médico e a gente não engoliu a história, eu estava passando muito mal, não era normal", explica Duda. Enviamos os exames para São Paulo e o médico me falou para voltar naquela hora; ele iria me operar porque eu estava com uma hemorragia." Duda detalha que o que tinha era um cavernoma e que, com o sangramento, aconteceu a paralisia de parte do rosto.
"Operei e deu tudo certo. Fui superforte, em nenhum momento achei que fosse morrer. Entreguei na mão de Deus", relata. Foi na recuperação que Duda começou a pensar e a repensar a própria vida. "Queria fazer algo diferente, pensei em um desafio para mim mesma", diz, sobre o momento da virada. Perder peso encabeçou a lista da londrinense. "Eu era magra, não uma falsa magra, mas tinha umas gordurinhas. Sempre sonhei com um corpo e dizia que um dia teria."
De volta a Londrina para se recuperar ao lado da família, Duda passou a ler muito "sobre o quanto a alimentação pode curar". Ficar em casa por dois meses foi uma das recomendações do médico após a cirurgia. "Não fazia muita coisa, via poucos amigos, então lia e assistia a documentários", explica. Duda ainda contextualiza a época da recuperação: "foi bem naquele boom fitness, da Gabriela Pugliesi (blogueira fitness), do Instagram". Além da malhação, a inspiração que veio das redes sociais despertou um novo interesse: comer de forma mais saudável.
"Quando decidi que iria cuidar de mim mesma, comecei a mudar a minha alimentação. Mas comecei a perceber que o que eu queria comer não tinha ainda em Londrina, já tinha em São Paulo, mas não tinha aqui. Foi quando comecei a fazer a granola", conta. As amigas que experimentaram passaram a questionar Duda. "Elas me perguntavam porque eu não vendia. Mas eu nunca imaginei na vida que fosse vender", explica. Uma das amigas, Fernanda Boechat, foi mais incisiva no incentivo ao negócio, tanto que viraram sócias. "Ela veio aqui, me deu muitas dicas e eu virei e disse 'por que a gente não faz isso juntas?' e começamos", explica.
Em abril do ano passado, Duda e Fernanda lançaram a Parr Kitchen. O nome vem de par mesmo. "Na época estávamos solteiras e se tinha um jantar para ir, uma dizia, ah, estou sem namorado, posso levar meu par e íamos juntas, viramos o parzinho", entrega Duda. Em quase um ano, a granola da dupla virou hit de vendas e precisou de um espaço maior para o preparo. "Começamos aqui em casa", aponta.
"Nunca me imaginei nisso, para mim, a minha vida era a moda. Eu nunca fiz um curso de gastronomia, de culinária, nada. Tudo o que eu sei é o que eu li e vi nos documentários. O que eu fico boba de ver é que está dando certo", diverte-se Duda. Mas a empresária lembra que teve a ajuda profissional de uma nutricionista quando decidiu a virada na alimentação. "Ela me ajudou muito, eu já estava focada no que queria, mas não tinha o conhecimento", afirma.
"Hoje em dia, depois de tudo o que aprendi, eu vejo o quanto o nosso alimento pode ser o nosso melhor remédio. Então na granola a gente coloca tudo o que tem de melhor, os superfoods que a gente chama, que são os alimentos que podem fazer muito pelo seu corpo. É uma granola saudável e muito gostosa. Não tem açúcar, é adoçada com mel, não tem conservantes." Para Duda, uma das alegrias é ouvir as mães dizendo que estão dando a granola para os filhos.
Mesmo tendo tomado outro rumo, a empresária garante que ainda segue gostando de moda. "Mas o que me encantou tanto nessa culinária saudável é que é tudo muito puro, é um mundo de gente legal, a energia é boa. As pessoas querem se ajudar", explica. "O que me apaixonou é que é tudo muito de verdade", garante Duda, que costuma ir às compras com as amigas, mas para ver alimentos.
"Hoje eu acho que me encontrei mais. Eu vejo assim, moda eu estudei, fiz vários cursos, mas encontrava dificuldades. Mas em gastronomia, que não estudei, tudo dá certo, é natural", surpreende-se. Um dos próximos passos da empresária é buscar aprimoramento e fazer cursos no exterior. Em julho, planeja um retorno a Nova York para um mês no Natural Gourmet Institute, escola de culinária saudável.
Ainda na missão de compartilhar saúde, Duda planeja ser uma health coach. "É um técnico de alimentação saudável, como se fosse uma aula de como ser saudável. Não quero ser chef, gosto de dar dicas, de ajudar." Se vai lançar novos produtos? "Meu sonho é poder vender tudo que eu faço", diz. "Eu estou bem comigo mesma e virei um exemplo. Não foi nada sofrido, foi gostoso essa mudança", afirma a empresária, que inspirou os pais a mudarem também. No Instagram, @dudaschietti compartilha receitas para seus seguidores.


