PERFIL MORAR EM LONDRINA E SER FELIZ Um homem encantado com sua cinderela romana, e a cinderela sentindo-se, aqui, como se estivesse sempre em férias Paulo WolfgangÉlena e Marco Veronesi: ‘‘aqui a qualidade de vida é melhor, aqui sempre faz sol, aqui as pessoas não são pessimistas’’ Walmor Macarini De Londrina Nascer em Londrina, mudar-se ainda menino para Roma, viver 30 anos lá e retornar a Londrina. Agora casado com uma romana, e feliz. Ele feliz, ela feliz, junto com as duas filhas – Laura e Marta – de 5 e 2 anos, nascidas aqui. Falamos de Marco Veronesi e sua mulher, Élena. Dela, a primeira coisa que se ouve, ao falar da nova cidade onde já vive há 7 anos, é que em Londrina ela se sente ‘‘como se estivesse sempre em férias’’. Liberta da carga de 3 mil anos de tradição e de cultura – como ela diz – o que é inimaginável para nós brasileiros. Marco, 40 anos, filho de Irene Terezinha Bertin, catarinense-londrinense, que mora em Roma, e de Remo Veronesi, um italiano que aqui aportou aos 20 anos de idade e aqui deixaria sua marca em forma de grandes edifícios que construiu, junto com o irmão Romolo. Remo, pouco antes de falecer, em dezembro último, diria: ‘‘Em Londrina eu fui feliz’’. Marco afirma: ‘‘Em Londrina eu sou feliz’’. E Élena – bonita, charmosa e simpática mulher – complementa, alegre: ‘‘Eu sou muito feliz aqui’’. Felizes eram também em Roma, mas pelas palavras da ‘‘estrangeira’’ Élena, ‘‘aqui a qualidade de vida é melhor, aqui sempre faz sol, aqui as pessoas não são pessimistas’’. Marco herdou do pai o comando do Programa Paraná-Europa, que tem sede européia em Módena, Itália, e sede brasileira em Londrina. Já com dez anos de existência, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, que objetiva integrar, em parcerias industriais, comerciais e culturais, áreas similares entre a região da Emilia-Romagna, no norte da Itália, e o Paraná. Em Roma, Marco estudou Música, depois de abandonar Arquitetura. É compositor e toca teclado, guitarra e baixo. Hoje deixa os instrumentos de lado, para dedicar-se mais à vida familiar, até por causa da filhas pequenas. Na Itália compôs musicais de abertura para a Rádio e Televisão Italiana, a conhecida RAI. Fez músicas para cinema, e uma delas, de um filme para TV, foi gravada em disco, que é encontrável nas lojas da Itália. Também produziu fundos musicais de propaganda para a Fiat e para a FAO (organismo da ONU para as políticas da Alimentação). Élena, que o conheceu em rodas de música, diz que é um desperdício ele haver parado, mas garante que retornará. E Marco confirma. Como foi esse namoro? Marco e Élena começaram a namorar em 1982, e três anos depois casaram-se. Logo depois vieram para Londrina. Élena conta que a família temia pela sua vinda ao Brasil, onde havia índios, macacos e cobras por todo canto... O irmão chegou a suborná-la, com oferta em dinheiro, para que ela desistisse. Supõe-se que ela mesma não tinha muita certeza se era diferente... apesar do que lhe dizia Marco – o apaixonado pretendente –, que apesar de haver-se mudado bem pequeno para a Itália vinha frequentemente para cá, pois a família (que ficara 13 anos ininterruptos aqui e voltara a Roma) dividia residência entre aqui e lá. Élena, segundo Marco, era uma espécie de cinderela da família, cujos ancestrais remontam à ilha da Sardenha, no extremo sul. Trinta séculos de tradição, no estilo italiano de apego familiar extremado. Depois, a mãe de Élena viria a conhecer Londrina e retornou aliviada. Já haviam ido embora os índios, as cobras e os macacos... Élena e Marco vivem muito bem, em sua residência no Jardim Canadá. Apreciam receber amigos em casa, e amigos é o que não lhes falta. Ela, nas horas vagas, curte a arte de confeccionar sandálias decoradas e bijouterias. Estas, ela as doa para as campanhas da Associação de Portadores da Síndrome de Down, em Londrina. Os dois dizem que vão mais a espetáculos de arte aqui do que quando estavam em Roma, lá onde tudo acontece... Na parte interna de suas alianças estão inscritas as iniciais QCLA, conforme é da tradição italiana, e querem dizer: ‘‘Qui comincia la aventura’’ (aqui começa a aventura). – E como é essa aventura? Marco responde que o casamento ‘‘é algo que tem que ser construído diariamente’’. Eco. – O que lhe falta em Londrina? A esta pergunta Élena responde que só lhe falta o mar. O Mar Tirreno, que banha a parte ocidental da ‘‘perna’’ italiana, o lado de Roma. É, este mar também faz falta a todos os londrinenses... Élena diz que tem saudade da Itália mas que prefere Londrina. E repete que os brasileiros são mais otimistas que os italianos. Diz que, aqui, se alguém resolve sair, se alguém o convida para jantar fora ou em casa, decide na hora, e isto ela acha bom. Afirma que na Itália um convite destes é agendado com 15 dias de antecedência. Menciona nossas frutas e adora os sucos que faz com elas, sobretudo o de abacaxi. E as comidas, especialmente o arroz com feijão e o creme de milho verde (que ela não conhecia). Fica frustrada quando os amigos os convidam para jantar e, para agradá-los, servem comida italiana. Diz que é a comida brasileira que ela queria... E que gostaria de aprender a nossa arte culinária mas que não existem cursos aqui. Marco afirma que ‘‘é uma sorte morar em Londrina’’, que ‘‘esta cidade tem magia e é muito acolhedora’’, que ‘‘é ideal para os jovens’’, que ‘‘o londrinense é entusiasta’’ e que ‘‘reina aqui um astral muito positivo’’. - ‘‘Londrina – finaliza – é uma cidade muito preciosa’’. E conclama: ‘‘Eu gostaria que cada londrinense descobrisse como esta cidade é preciosa e que todos trabalhássemos junto para preservar isto’’.

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