Um garoto de beleza esquisita, nascido em Londrina e que até pouco tempo morava em Apucarana, está fascinando os grandes fotógrafos da moda internacional. Ele já foi clicado por Steven Klein, Steven Meisel, Dah Len e Mario Testino, ganhou as páginas das revistas Interview, L’Uomo Vogue, Italian Vogue, Men’s Club e German Vogue. Trabalhou para Moschino e para a grife de sapatos Ceasere Pacciocci, além de participar de vários desfiles na Big Apple. Tudo isso em cinco meses de Nova York, onde ficou de julho a novembro deste ano, como contratado da agência de modelos Boss.
Jefferson Luiz da Silva, 17 anos, confessa que nunca havia pensado em ser modelo. Mas a carreira parece ter vocação meteórica. Começou como bolsista do Studio CDI de Apucarana, em fevereiro de 99, foi para a Ford de Curitiba, depois para a Ford em São Paulo. Descoberto por Ming Liao Tao, olheiro de agências internacionais e quem lançou no exterior tops como Gianne Albertoni, Reynaldo Gianecchini e Ana Rickman, entre muitos outros, conseguiu ter seu nome no casting de várias agências pelo mundo: a Boss, em Nova York, a PH One, em Paris, a Beatrice, em Milão, a Good Fella de Londres e a Evviva, de Tóquio.
Jefferson Luiz tem plena consciência de seu trunfo: a beleza andrógina, realçada pelos longos cabelos, que deixou crescer aos 13 anos. ‘‘Como homem, pareço mulher; como mulher, pareço homem’’, brinca. Tem 1,85 e nem idéia do peso. ‘‘Só sei que sou mais magro que a maioria das pessoas’’ – sugere.
Nem bonito ele se acha. ‘‘Só fui ao Studio CDI para acompanhar minha irmã (Suzana, de 15 anos) que queria participar de uma seleção para bolsa de estudos no curso de modelo. No final das contas, me ofereceram uma bolsa integral e acabei aceitando porque achei que conheceria um monte de garotas bonitas’’– relembra. ‘‘Depois, veio São Paulo, Nova York... não corri atrás de nada’’– conclui.
O scoutter Ming Liao Tao confirma a boa estrela de Jefferson. De São Paulo, por telefone, ele disse à Folha Gente que a expectativa é de que o garoto construa uma bela carreira. ‘‘Ele tem grandes perspectivas no exterior: foi muito requisitado nos cinco meses que passou em Nova York, viaja em janeiro para Paris, depois Milão, Nova York e Tóquio. Mas eu quero, também, que ele conquiste o mercado nacional’’ – observa.
Para Jefferson, ‘‘tanto faz’’. No Brasil para visitar a família e passar as festas de fim de ano, ele só pensa em rever os amigos, ‘‘brincar’’ com o computador (o que costumava ser um de seus passatempos prediletos) e ser paparicado pela mãe, Vanilda, que até hoje se preocupa em saber se o filho se alimenta bem. O skate, velho companheiro, ele teve que abandonar. ‘‘Quem vai querer um modelo todo ralado?’’ – conforma-se.
Se o sucesso acontecer, Jefferson garante estar preparado. Se não, diz estar pronto para recomeçar. ‘‘Nunca penso no futuro’’, assegura, enquanto Vanilda antecipa a saudade que vai sentir do filho, quando ele embarcar para a Europa, no ano que vem. E ele, do que sentirá saudade? ‘‘De nada. Minha casa é o lugar onde estou’’ – responde.

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