O que Ana Maria Braga e Hebe teriam em comum além de serem loiras, sorridentes e bem-sucedidas apresentadoras de televisão? Pois bem, de uns tempos para cá, as duas andam vestindo roupas da grife londrinense Monica Negreiros.
''Mas isso é algo que foi acontecendo, não corri atrás'', conta Monica, sem grandes deslumbramentos. Como suas criações fazem parte do badalado show-room Galpão 8, em São Paulo, produtoras de moda e de figurino acabam tendo acesso facilitado a elas. ''Quando uma cliente disse que tinha pressa na entrega porque queria dar uma roupa para a Hebe, não acreditei muito, mas fiz o que ela me pediu'', lembra. Tempos depois, ao abrir a revista Caras, Monica se deparou com a apresentadora vestida com um modelo 100% londrinense.
Sem nunca ter trabalhado antes, Monica teve uma experiência rápida em 1992 como sócia da confecção Maria Vitória. ''Mas aí o João Paulo (filho único) nasceu e eu parei'', conta. Em agosto de 1996, voltou à ativa ao emprestar seu nome para a grife. Além da enorme vontade de dar certo, ela tinha quatro funcionários e todo o apoio do marido, Clayton.
''Ele sempre me apoiou muito'', diz Monica. Hoje, com cerca de 70 pessoas na equipe, conta também com a ajuda total do marido, que faz às vezes de administrador. É ele quem cuida dos números, deixando para Monica as horas livres para a criação.
Não que isso signifique que a vida da estilista e empresária seja mais tranquila. Pelo contrário. O dia começa cedo lá pelas sete da manhã ela já está no ateliê e não tem hora para acabar. Além de criar, Monica também fica atenta a todos os acabamentos das peças que saem das máquinas de costura ou das mãos das bordadeiras. ''Sou muito detalhista e perfeccionista'', avisa.
''Nunca estudei moda e faço tudo por intuição mesmo'', conta a estilista, que já na infância dava os primeiros sinais do caminho que iria seguir. ''Adorava montar roupas no corpo das bonecas'', lembra. Hoje é seu próprio corpo esguio que serve de modelo para suas criações. ''Eu provo as peças-piloto uma a uma. É que no desenho tudo pode, mas é no corpo que a gente vê se funciona ou não'', completa.
A produção mensal da grife é calculada em cerca de quatro mil peças. Algo que pode aumentar significativamente. A partir de julho, Monica Negreiros vai ultrapassar as fronteiras brasileiras e se instalar também em um show-room norte-americano. Ao visitar o Galpão 8, as donas do Studio 55, de Los Angeles, decididas a montar um espaço para a moda brasileira na Califórnia, se encantaram com duas grifes. Para orgulho londrinense, Monica é uma delas. Quem sabe uma apresentadora loira e sorridente norte-americana não acaba se interessando pela grife e terá algo mais em comum com Hebe e Ana Maria Braga?
''Quando comecei achava que ia vender as minhas roupas aos baldes'', brinca Monica sobre a vontade inicial de vender muito. ''Mas aí eu percebi que eu tinha uma cliente específica, que buscava uma roupa feita com a alma'', explica. ''No começo foi muito difícil, mas eu nunca me desviei do que queria'', lembra a estilista. Seu estilo? ''Um clássico arrojado e com vida'', garante.
Com a cara e a coragem foi para São Paulo, em 2000, para se apresentar às sócias do show-room em busca de um espaço. ''Elas foram reticentes no início e só depois me deram um espaço no estoque delas'', lembra. Mesmo ''escondida'', a grife acabou se tornando a sensação. ''Eu era novidade porque a maioria das outras grifes era de moda carioca'', conta Monica, que no mês passado foi a campeã de vendas do show-room paulistano.
A coleção outono-inverno um mix de oriental com militar sofisticado fez tanto sucesso que o primeiro dos lançamentos à base de camuflados (Monica faz entre quatro e cinco lançamentos a cada coleção) foi inteiramente vendido das 8 às 11 horas do primeiro dia lá em São Paulo. Mesmo com a garantia de novas vendas, a empresária não dobrou a produção. Aliás, até cancelou novos camuflados. ''Eu estava angustiada com a guerra e não sentia no meu coração que deveria fazer mais'', explica.
Enquanto vende o outono-inverno, Monica já está pensando na primavera-verão. ''É uma loucura e nunca pára, mas eu adoro, pois o que me deixa triste é não estar criando'', conta a estilista. Entre os planos da grife para as próximas temporadas está a idéia de montar loja própria. ''Estou bem no atacado, mas vou trilhar o meu caminho. Acho que a hora já está chegando'', avisa Monica.

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