Mistura das boas
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2008
Rosângela Vale<br> Especial para a Folha 
Fugir da obviedade da beleza parece ser um dos maiores prazeres da moda. As passarelas estão repletas dessa riqueza de traços que traduzem, com diferentes nuances, o que é ser bela. É o terreno perfeito para exaltar a miscigenação tão característica do Brasil, responsável por algumas das mais felizes combinações de genes que transitam no métier fashion. Basta olhar para o rosto anguloso, as maçãs do rosto proeminentes, os lábios carnudos e os olhos puxados da modelo Juliana Imai para ter certeza disso.
Paranaense de Cruzeiro d'Oeste, filha de mãe japonesa e pai descendente de portugueses, Juliana tem ainda a seu favor medidas de top model: 55 quilos distribuídos em 1.80 m mantidos sem nenhum sacrifício. Só recentemente, ela contratou um personal trainer para ganhar músculos e tornear as formas. ''Meu corpo ainda é de menina, apesar de já ter tido um filho. Agora, quero ficar com corpo de mulher'', revela.
O bate-papo exclusivo com a FOLHA aconteceu durante o coquetel de abertura da grife Le Lis Blanc, no Catuaí Shopping, em Londrina, evento do qual ela foi convidada especial.
A vinda à cidade, logo após a concorrida temporada de desfiles do Claro Rio Summer, teve um sabor especial para Juliana: ela aproveitou a viagem ao Paraná e programou alguns dias para ficar com o filho, Ricardo, de 4 anos, que vive com os avós maternos na cidade de Dois Vizinhos. ''Não consigo passar muito tempo sem vê-lo. Daqui a um ano quero que ele esteja morando comigo em Nova York'', planeja.
Descoberta aos 15 anos, em um concurso de modelos, Juliana decidiu terminar os estudos antes de se dedicar integralmente à profissão. Enquanto isso, trabalhava como modelo no Japão apenas durante as férias. Quando completou 18 anos, época em que iniciaria a carreira com força total, veio a gravidez. Já com viagem marcada para Nova York, não contou sobre o bebê a ninguém. ''Descobriram quando eu estava fazendo os desfiles da São Paulo Fashion Week e já não dava para esconder a barriga'', lembra. Teve que parar de trabalhar mais uma vez e voltar meses depois, já contratada para desfiles internacionais.
Aprendizado
Definindo-se como organizada, a pisciana de 23 anos faz planos de trabalhar mais 10 anos como modelo. Mas já se prepara para trilhar outros rumos profissionais, dedicando-se a uma de suas antigas paixões: a decoração. Para isso, frequenta o curso de Design de Interiores no Fashion Institute of Technology (FIT), em Nova York. O casamento também é um desejo com prazo estabelecido, dentro de 2 anos. Ela garante, entretanto, ainda não haver um eleito, somente boas - e recentes - perspectivas. ''Estou em início de namoro'', esquiva-se, revelando apenas se tratar de um advogado que conheceu na recente temporada carioca de desfiles. ''O que me atrai em um homem é a inteligência; é o que não acaba com o tempo''.
Enquanto o tempo ainda é generoso com a mulher quase menina, Juliana segue sua rotina de viagens para desfiles em temporadas internacionais e fotos para editoriais de moda das principais revistas. Dos lugares que fazem parte de seu roteiro, Paris é a cidade preferida. ''Me considero meio francesa; adoro o lifestyle deles, o modo como apreciam a beleza e a gastronomia''. Mas é nos Estados Unidos que a sua carreira está ancorada. ''Tenho um mercado estabelecido lá'', diz, citando clientes como L'Oréal e Victoria Secrets, que a escolheu como estrela da linha para adolescentes. ''Me consideram uma criança lá. Adoro, porque isso significa que posso crescer dentro da empresa'', argumenta.
Para espantar o estresse que inevitavelmente chega depois de um dia intenso de trabalho, Juliana tem uma receita infalível: supermercado e cozinha. A beldade revela que adora escolher os ingredientes para preparar comidinhas para os seus amigos, que são poucos. ''Quem vai à minha casa é selecionado. Não sou de baladas. Com as pessoas que conheci nesse meio, não aprendi nada'', alerta. Apaixonada pela luz do dia e educada de acordo com as doutrinas do budismo e do Seicho-No-Ie, Juliana deixa claro que a maternidade e os quatro anos de profissão abriram seus olhos. E que de menina só restou mesmo a aparência: ''Antes, eu acreditava em todo mundo; mas vi que quanto mais famosa você é, mais deve peneirar suas amizades. Esse foi um aprendizado de vida para mim''.


