A londrinense Maria Aparecida Sobrinho descobriu há 20 anos que a sua paixão por crianças poderia render um novo caminho profissional. "Comecei a trabalhar bem cedo como babá, sempre gostei de crianças. Foi meu (então) patrão que disse, depois de uma festinha em Maringá, que eu deveria fazer e cobrar pela recreação infantil", lembra. "Ele viu que a festa ficou um sossego", conta Maria Aparecida, que ajudou a cuidar – comandando algumas brincadeiras – de outras crianças convidadas.

Ela não só ouviu o conselho como logo foi atrás no novo empreendimento. "Emprestei uma roupa de palhaço e em uma semana já estava trabalhando", diz. Nascia a Matrakinha, referência na cidade em diversão para a criançada em festas infantis. "Fiquei entre Matrakinha e Engraçadinha, mas aí tinha aquela série na televisão e não ornava, né?!", relata Maria Aparecida sobre a personagem de Nelson Rodrigues vivida por Alessandra Negrini e Claudia Raia.

No ano passado, para celebrar os 20 anos da Matrakinha, a recreadora decidiu empreender mais uma vez e criou um show de brincadeiras. A estreia foi em uma apresentação beneficente no Zerão. "Abri uma nova ponta do meu trabalho e deu super certo, agora é trabalhar isso também", avisa. Uma versão adaptada do show da Matrakinha é um dos destaques na programação do Clubinho do Londrina Norte.

Simultaneamente à carreira de recreadora, Maria Aparecida não parou de estudar e cursou magistério e em seguida pedagogia. "Há 11 anos dou aulas para crianças de três anos", explica, sem esconder que é sua fase preferida. "Quando ainda estava estudando li que é até os três anos que a criança forma a maior parte das conexões neuronais. Daí pensei é lá que eu quero estar, vamos estimular essas crianças", empolga-se.

Mais velha de quatro filhas, Matrakinha cuidava das irmãs enquanto a mãe ia trabalhar. "Gostava de brincar de escolinha com elas", justificando a vocação para o ensino. "Operei máquina de Xerox, vendi curso de informática, fui vendedora de loja, faxineira e empregada doméstica, mas nada dava certo, tudo sempre foi me levando para as crianças", explica.

Além da primeira fantasia emprestada, a recreadora começou "com uma mochilinha, uma bola murcha, uma corda e um estojinho de maquiagem", diverte-se. "Descobri que tinha habilidade para desenhar a mão livre e continuei investindo, fiz um curso com uma americana", relata, mostrando uma grande variedade de tintas importadas e específicas para desenhos na pele.

"Comecei no auge da (apresentadora) Eliana e a música dos dedinhos", lembra Matrakinha, que evoluiu das coreografias dos polegares daquela época para uma baladinha atual. "Sempre usei muita música, desde a fita cassete ao globinho de luzes coloridas", conta. "Criei uma discotenda, uma discoteca dentro de uma tenda."

Em geral, sua participação em uma festa infantil é de quatro horas com as mais variadas brincadeiras em que ela tanto faz os desenhos nas crianças quanto banca a DJ. "O objetivo do meu trabalho é manter as crianças ocupadas, intercalo atividades calmas e agitadas", diz. "Como sou só eu, confio que não vou faltar", garante. Nem mesmo nas duas vezes em que esteve grávida – "trabalhei até o final" – ou logo depois de uma cirurgia a Matrakinha deixou de alegrar as crianças.

"É muito difícil quem tenha essa disponibilidade. É ter que abdicar dos finais de semana, da família. Estava pensando nisso, de ser uma missão. Não trabalho para ganhar dinheiro porque o dinheiro não paga a ausência com meus filhos. O que me move é que as pessoas precisam de mim. É a magia. As crianças me esperam, e isso é que é o legal do meu trabalho", diz.

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